Muitas vezes, quando
fico só,
desperta-me o
pensamento,
de que ainda nos
falta algo,
e não percebemos o
que é.
E a paz que tanto
desejamos,
é em nossa própria casa,
e no regaço da mãe
natureza
que encontramos.
Quando saímos de
casa, da cidade,
é para a natureza que
mais desejamos ir,
e vamos em busca de
paisagens diferentes
porque estamos indo,
sem perceber,
para um reencontro
conosco mesmos.
Se algo nos inquieta,
é a sensação de perda
de si
que nos questiona.
Se perdemos o
controle
sobre quem somos,
na profundidade,
nada vai nos
contentar,
nem realizar, na
superfície.
O barulho, a
agitação,
esvaziam nossa
essência,
despersonalizam-nos
e levam para não sei
onde,
a alegria do viver.
A paz, o silêncio
e o acolhimento
que a natureza nos
proporciona,
devolve-nos às nossas
origens,
recuperamos o que
perdemos,
e acumulamos energias
para mais um tempo,
na selva de cimento.
A natureza que nos
acolhe,
é a nossa primeira
casa,
aquela, da infância,
onde nos sentimos,
nos identificamos,
nos escutamos,
e recompomos,
silenciosamente,
a unidade do nosso
ser.
A natureza, florestas,
rios e mares,
é o lugar de onde
viemos
e de onde, na marra,
vamos nos afastando,
e por isso, sentimos,
que estamos quase sem ar
para respirar.
Depressa, desejamos,
que chegue logo
o próximo final de
semana,
para recarregarmos
nossas baterias,
lá onde sabemos
que estão
as fontes de
energias.
O primeiro remédio
para nossas tristezas
ou depressões
é o contato com a
natureza,
o local onde ligamos
as baterias descarregadas
para que se
recomponham.
Os elementos da
natureza
nos presenteiam
com aquilo que mais
necessitamos:
de silêncio,
harmonia,
paz e serenidade,
todos, elementos unificantes.
A cada encontro com a natureza,
preste atenção, ative a sua consciência
e perceba como você se sente bem, com ela.
Andar,
subir,
descer,
sentar-se,
rolar na terra,
encher as mãos com
folhas secas,
tirar os sapatos,
pisar no chão,
na terra ou na grama,
deitar-se no colo,
relaxar e sentir-se,
uma das partes, um ser
vivo,
na natureza viva.
Sentir-se completo,
equipado, ativo,
com todos os
elementos da sensibilidade,
ligados,
funcionando cem por
cento,
ouvindo, olhando,
escutando,
tocando, cheirando.
Ligar o corpo,
antenar-se
sentir e comungar
com as benéficas
sensações
experimentadas,
nas dimensões mais
profundas
de si mesmo.
Entrar no lento ritmo
do movimento do
riacho,
do roçar do vento,
que acaricia teu
corpo
e brinca com teus
cabelos.
Indo mais além,
escutando o silêncio
e interpretando
o canto dos pássaros.
Cheirando o ar limpo
e perfumado
que te envolve e transita
ao seu lado.
O movimento e o ritmo da natureza
são espelhos, advertências,
chamadas de atenção.
Onde queremos ir?
Ou estamos sendo conduzidos,
levado para longe de nós mesmos?
Sentir-se vivo
é a sensação que necessitamos
para ligar a tomada da consciência
de quem somos e, retomar as rédeas
da nossa própria vida.
Frequentemente,
como remédio,
necessitamos de idas,
à natureza.
“Na natureza
podemos ser
do modo que somos.
Não precisamos provar
nenhum desempenho
e não somos julgados.
Somos acolhidos.
Fazemos parte
da criação.
Sentimo-nos um só
com ela.
Participamos da força
que a habita
e do espírito
que a permeia.
Na natureza
posso sentir
que a vida
que percebo
por todos os lados
também flui em mim.
Torno-me mais vivo
e sinto a força
que me habita”.
Anselm Grun
Ao observar
a amplidão na natureza,
reconhecemos a imensidão
de desejos insatisfeitos
que habita em nosso íntimo.
Cada encontro
com a natureza,
na realidade,
leva ao encontro consigo mesmo,
com nossa realidade profunda,
nossas origens,
nossos anseios
e desejos mais verdadeiros,
desejo de unidade, harmonia
fraternidade e paz.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em
19/07/2019

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