sexta-feira, 19 de julho de 2019

647.- Natureza. No encontro com a natureza vamos em busca de nós mesmos.




Muitas vezes, quando fico só,
desperta-me o pensamento,
de que ainda nos falta algo,
e não percebemos o que é.

E a paz que tanto desejamos,
é em nossa própria casa,
e no regaço da mãe natureza
que encontramos.  

Quando saímos de casa, da cidade,
é para a natureza que mais desejamos ir,
e vamos em busca de paisagens diferentes
porque estamos indo, sem perceber,
para um reencontro conosco mesmos.

Se algo nos inquieta,
é a sensação de perda de si
que nos questiona.

Se perdemos o controle
sobre quem somos,
na profundidade,
nada vai nos contentar,
nem realizar, na superfície.

O barulho, a agitação,
esvaziam nossa essência,
despersonalizam-nos
e levam para não sei onde,
a alegria do viver.

A paz, o silêncio
e o acolhimento
que a natureza nos proporciona,
devolve-nos às nossas origens,
recuperamos o que perdemos,
e acumulamos energias
para mais um tempo,
na selva de cimento.

A natureza que nos acolhe,
é a nossa primeira casa,
aquela, da infância,
onde nos sentimos,
nos identificamos,
nos escutamos,
e recompomos,
silenciosamente,
a unidade do nosso ser.   

A natureza, florestas,
rios e mares,
é o lugar de onde viemos
e de onde, na marra,
vamos nos afastando,
e por isso, sentimos,
que estamos quase sem ar
para respirar.

Depressa, desejamos,
que chegue logo
o próximo final de semana,
para recarregarmos
nossas baterias,
lá onde sabemos
que estão
as fontes de energias.

O primeiro remédio
para nossas tristezas
ou depressões
é o contato com a natureza,
o local onde ligamos as baterias descarregadas
para que se recomponham.

Os elementos da natureza
nos presenteiam
com aquilo que mais necessitamos:
de silêncio, harmonia,
paz  e serenidade,
todos, elementos unificantes.

A cada encontro com a natureza,
preste atenção, ative a sua consciência
e perceba como você se sente bem, com ela.

Andar,
subir,
descer,
sentar-se,
rolar na terra,
encher as mãos com folhas secas,
tirar os sapatos,
pisar no chão,
na terra ou na grama,
deitar-se no colo,
relaxar e sentir-se,
uma das partes, um ser vivo,
na natureza viva.

Sentir-se completo,
equipado, ativo,
com todos os elementos da sensibilidade,
ligados,
funcionando cem por cento,
ouvindo, olhando, escutando,
tocando, cheirando.

Ligar o corpo,
antenar-se
sentir e comungar
com as benéficas sensações
experimentadas,
nas dimensões mais profundas
de si mesmo.

Entrar no lento ritmo
do movimento do riacho,
do roçar do vento,
que acaricia teu corpo
e brinca com teus cabelos.

Indo mais além,
escutando o silêncio
e interpretando
o canto dos pássaros.

Cheirando o ar limpo e perfumado
que te envolve e transita ao seu lado.

O movimento e o ritmo da natureza
são espelhos, advertências,
chamadas de atenção.

Onde queremos ir?

Ou estamos sendo conduzidos,
levado para longe de nós mesmos?

Sentir-se vivo
é a sensação que necessitamos
para ligar a tomada da consciência
de quem somos e, retomar as rédeas
da nossa própria vida. 

Frequentemente,
como remédio,
necessitamos de idas,
à natureza.

“Na natureza
podemos ser
do modo que somos.

Não precisamos provar
nenhum desempenho
e não somos julgados.

Somos acolhidos.

Fazemos parte
da criação.

Sentimo-nos um só
com ela.

Participamos da força
que a habita
e do espírito
que a permeia.

Na natureza
posso sentir
que a vida
que percebo
por todos os lados
também flui em mim.

Torno-me mais vivo
e sinto a força
que me habita”.
Anselm Grun

Ao observar
a amplidão na natureza,
reconhecemos a imensidão
de desejos insatisfeitos
que habita em nosso íntimo.

Cada encontro
com a natureza,
na realidade,
leva ao encontro consigo mesmo,
com nossa realidade profunda,
nossas origens,
nossos anseios
e desejos mais verdadeiros,
desejo de unidade, harmonia
fraternidade e paz.  


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 19/07/2019

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