É
questão de prestar atenção,
em
si mesmo,
como
observador,
a
alma consciente,
e
o observado,
o
ego
a
ser domado.
É
uma escolha
entre
se perder,
ou
vencer
pelo
desconhecido.
Eu,
um mistério insondável,
porém,
penetrável, observável,
corrigível.
Eu,
a alma,
sou
um mistério sem fundo
que
se deixa observar, ver,
encantar-se,
enamorar-se,
conviver,
na paz, quietude,
intimidade
sagrada.
Se
a serenidade está aí,
a
alma está se revelando,
leve,
fina sintonia, clareza,
envolvendo-se
numa energia
invisível,
de luz transparente.
A
alma humana, o eu profundo,
tem
sua origem numa fonte eterna,
por
isso o desejo de eternidade, aceso,
latente,
pulsante, inquieta,
insatisfeita,
morrendo
de saudades,
sem
morrer, vivendo.
É
bom que seja assim,
misteriosa,
sem fim, larga
e
profunda, porém, observável,
revelando-se,
deixando-se explorar,
conhecer
os caminhos, as sendas do bem.
O
lado escuro,
as
sombras da alma desconhecida
(o
medo, a ansiedade)
ainda
administradas pelo ego,
matriculadas
nas aulas de recuperação,
manifestam
ainda, nas expressões,
desvios,
resistências, conflitos,
em
vista de querer alcançar,
inconscientemente,
a
harmonia com tudo
e
com todos.
E
o ego tem esta mania
de
querer manter escondidas
as
sombras indesejadas de si mesmo.
A
alma,
o
eu profundo,
é
da verdade,
pela
verdade,
transparência,
leveza,
sem
fingimento
ou
interpretações,
é
da eternidade,
não
das aparências.
Você
só conhecerá sua alma
se
ela estiver ativada, percebida,
alimentada
pela sabedoria
que
vem da meditação,
contemplação
de todo bem.
Só
a alma
é
capaz de perceber
tudo
o que está
além
do percebível
pelos
cinco sentidos.
Ela
é das profundezas,
do
espírito, eterno,
que
nos habita.
A
natureza da alma
é
que ela não é composta,
não
é dualista, não separa.
É
unitiva,
por
ser infinita.
É
uma só,
com
tudo e com todos,
e
por ser pacífica, une.
A
grande aventura humana
é
fazer nosso corpo material
conviver
harmonicamente
com
nossa alma, imaterial,
uma
vez que ambas
possuem
sedes,
diferentes.
A
frustração da alma
é
a de morar num corpo,
tão
próxima e desconhecida.
A
dor
que
a alma consciente sente,
é
maior do que a dor
que
o corpo inconsciente sente,
pois
que a divisão ali está
a
separar duas forças.
A
alma sabe que vive.
O
corpo, se vive sem alma,
só
sobrevive, não curte viver.
O
corpo
que
se sabe habitado
por
uma alma
manifesta
mais entusiasmo,
vibração
e sentido
na
vida e pela vida.
Sem
alma, nada contenta,
voltada
para todas as direções,
atraídas
por múltiplas tarefas
passa
rapidamente,
sem
se dar conta,
sem
a necessária
permanência
contemplativa,
diante
das manifestações divinas.
Com
alma,
tudo
é sagrado,
bom,
benéfico, belo,
carregadas
de alma,
de
cor, de sentido,
de
vida que explode
manifestações
de alegria
A
alma quer silêncio,
para
contemplar,
admirar,
surpreender-se,
deixar-se
cativar.
A
alma quer paz,
para
ler e sentir
as
vibrações fraternas e amorosas,
da
criação, do Criador.
Alma, quem é que te
conhece?
A quem a tua alma
pertence?
Ao teu eu profundo,
morada do eterno?
Ao teu ego,
superficial?
O
teu ego não quer perder o seu trono.
O
teu ego não aceita a existência da alma.
Se
aceitar, perderá o trono
e
o comando da sua vida.
Quem
é que te conhece
senão
aquele que fez a tua alma?
Então
é a ele que você pertence,
pois
que és criatura Dele.
Não
é possível viver sem alma.
Não
há quem não tenha alma.
E
quem te fez, fez a alma livre.
Mora
em todo ser humano.
Tem
gente que vive com alma.
Tem
gente que vive sem alma.
Ambas
são livres.
A alma carrega em si
as marcas do infinito,
e vai, sem conforto,
ou confortavelmente,
viajando,
com a missão
de suavizar os
passos,
de quem quer que
seja,
escalando os mais
altos picos
da natureza humana,
em direção ao mundo
divino.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 10/01/2020

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