sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

701.- Alma. Distinguindo o eu verdadeiro, do ego, do falso eu.




É questão de prestar atenção,

em si mesmo,

como observador,

a alma consciente,

e o observado,

o ego

a ser domado.



É uma escolha

entre se perder,

ou vencer

pelo desconhecido.



Eu, um mistério insondável,

porém, penetrável, observável,

corrigível.



Eu, a alma,

sou um mistério sem fundo

que se deixa observar, ver,

encantar-se, enamorar-se,

conviver, na paz, quietude,

intimidade sagrada.



Se a serenidade está aí,

a alma está se revelando,

leve, fina sintonia, clareza,

envolvendo-se numa energia

invisível, de luz transparente.



A alma humana, o eu profundo,

tem sua origem numa fonte eterna,

por isso o desejo de eternidade, aceso,

latente, pulsante, inquieta, insatisfeita,

morrendo de saudades, 

sem morrer, vivendo.



É bom que seja assim,

misteriosa, sem fim, larga

e profunda, porém, observável,

revelando-se, deixando-se explorar,

conhecer os caminhos, as sendas do bem.



O lado escuro,

as sombras da alma desconhecida

(o medo, a ansiedade)

ainda administradas pelo ego,

matriculadas nas aulas de recuperação,

manifestam ainda, nas expressões,

desvios, resistências, conflitos,

em vista de querer alcançar,

inconscientemente,

a harmonia com tudo

e com todos.  



E o ego tem esta mania

de querer manter escondidas

as sombras indesejadas de si mesmo.



A alma,

o eu profundo,

é da verdade,

pela verdade,

transparência,

leveza,

sem fingimento

ou interpretações,

é da eternidade,

não das aparências.  



Você só conhecerá sua alma

se ela estiver ativada, percebida,

alimentada pela sabedoria

que vem da meditação,

contemplação de todo bem.



Só a alma

é capaz de perceber

tudo o que está

além do percebível

pelos cinco sentidos.



Ela é das profundezas,

do espírito, eterno,

que nos habita.



A natureza da alma

é que ela não é composta,

não é dualista, não separa.



É unitiva,

por ser infinita.



É uma só,

com tudo e com todos,

e por ser pacífica, une.   



A grande aventura humana

é fazer nosso corpo material

conviver harmonicamente

com nossa alma, imaterial,

uma vez que ambas

possuem sedes,

diferentes.



A frustração da alma

é a de morar num corpo,

tão próxima e desconhecida.



A dor

que a alma consciente sente,

é maior do que a dor

que o corpo inconsciente sente,

pois que a divisão ali está

a separar duas forças.



A alma sabe que vive.

O corpo, se vive sem alma,

só sobrevive, não curte viver.



O corpo

que se sabe habitado

por uma alma

manifesta mais entusiasmo,

vibração e sentido

na vida e pela vida.



Sem alma, nada contenta,

voltada para todas as direções,

atraídas por múltiplas tarefas

passa rapidamente,

sem se dar conta,

sem a necessária

permanência contemplativa,

diante das manifestações divinas.



Com alma,

tudo é sagrado,

bom, benéfico, belo,

carregadas de alma,

de cor, de sentido,

de vida que explode

manifestações de alegria



A alma quer silêncio,

para contemplar,

admirar,

surpreender-se,

deixar-se cativar.



A alma quer paz,

para ler e sentir

as vibrações fraternas e amorosas,

da criação, do Criador.



Alma, quem é que te conhece?

A quem a tua alma pertence?



Ao teu eu profundo,

morada do eterno?



Ao teu ego,

superficial?



O teu ego não quer perder o seu trono.

O teu ego não aceita a existência da alma.

Se aceitar, perderá o trono

e o comando da sua vida.



Quem é que te conhece  

senão aquele que fez a tua alma?

Então é a ele que você pertence,

pois que és criatura Dele.



Não é possível viver sem alma.

Não há quem não tenha alma.



E quem te fez, fez a alma livre.

Mora em todo ser humano.



Tem gente que vive com alma.

Tem gente que vive sem alma.

Ambas são livres.



A alma carrega em si

as marcas do infinito,

e vai, sem conforto,

ou confortavelmente,

viajando,

com a missão

de suavizar os passos,

de quem quer que seja,

escalando os mais altos picos

da natureza humana,

em direção ao mundo divino.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 10/01/2020

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