terça-feira, 14 de janeiro de 2020

703.- Alma faminta.



Por que você escreve sobre a alma?

Não está perdendo tempo?

Não está chovendo no molhado?

Quem lê, quem se importa com a alma,

no mundo em que vivemos?



Sem alma,

é como se vivêssemos

dentro de uma gaiola,

com asas,

e impossibilitados

de voar.



Veja como estamos habituados

a viver

sem saber

que existe uma alma

dentro de nós,

pois não a sentimos

e nem a expressamos,

porque não aprendemos,

não lemos, não cultivamos

esta alma que, em essência,

somos nós,

a verdadeira natureza espiritual,

imortal, faminta, que nos habita,

proporcionando significado

e razões existenciais.



Vivemos

dentro de uma realidade temporal,

escravizados pela rotina,

imposta pela cultura do materialismo,

pela repetição de costumes e pensamentos,

que nos afastam,

nos alienam

dos outros níveis de acesso,

mais sutil,

finos, delicados,

aperfeiçoados

pela sensibilidade espiritual. 



Os valores essenciais ao nosso viver,

com significado e entusiasmo,

não estão lá fora,

na exterioridade.



A sabedoria milenar nos ensina

viver a partir de dentro,

do interior, da essência,

da fonte, da alma.



Quando uma angústia,

ou ansiedade se manifesta,

comemos demais, bebemos demais,

pensando que a fome é do corpo,

mas na realidade

é a fome da alma

que está se manifestando,

gritando por alimentos,

nutrientes de eternidade.



Não se deixe enganar.



Acorde.



Descubra

e perceba que é a sua alma

que está insatisfeita,

com fome.



É isso que sinto

ao ler a ansiedade,

as agitações, as procuras,

a insatisfação das pessoas,

no mundo de hoje.



Não sabem

onde encontrar respostas.



Onde você procura

suavizar ou preencher

o vazio que há dentro de você?

Em novelas, romances,

filmes, jogos, conversas infrutíferas?



Procuram

em lugares errados,

em promessas e propagandas

que te levam ao consumismo,

te roubam o tempo, te levam

à TV, Celular, diversões.



Nada vai preencher o vazio

que há dentro de você

a não ser nutrientes eternos,

pois a sua alma

está faminta de eternidade.



Não se iluda.

Não deixe o teu ego dizer

onde se encontram as respostas

que alimentarão a sua verdadeira natureza.



Já escrevi

que você pode começar

a resolver este problema

montando um grupo de busca, de diálogo,

com pessoas que sentem

esta mesma sede que você sente.



Já me ofereci para ajudar,

para assessorar nos primeiros encontros.



Todas as terças feiras, à noite,

nos reunimos em meu apartamento,

com oito pessoas, vizinhos, há doze anos,

e partilhamos nossas visões de vida,

nossos problemas, dificuldades,

tristezas, insucessos,

esperanças, sucessos e alegrias.



Então, quando vai começar?



Aproveite agora,


entrando por um novo caminho,

verdadeiro, duradouro,

com novas amizades,

buscando novos horizontes,

abertos, promissores,

alimentadores da alma insaciável,

que nos habita. 



Quando é que você vai começar

a fazer experiências de plenitude?



As experiências,

as escolhas, 

que o mundo te deu

já te mostraram

a incapacidade

de te sentir mais satisfeito

com o padrão da sua vida.



A alma se alimenta

daquilo que nos encanta,

dos mistérios,

percebidos nos momentos de silêncio

e nos níveis de profundidade.



Essa busca, diferente,

é mais uma atitude de escuta,

de atenção,

de atender sussurros do coração

do que curiosidade da mente.



Vamos,

levante-se.



Olhe para cima,

para a vastidão,

abra teus braços,

abrace a imensidão.



Receba as boas energias

que circulam entre os buscadores,

e numa atitude de confiança e gratidão,

experimente

a satisfação 

de alimentar a sua alma.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 14/01/2020

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