terça-feira, 8 de setembro de 2020

775.- Filiação divina. Entendendo um pouco sobre a nossa filiação divina



Somos pessoas mais divinas

do que humanas,

mas não sabemos

viver como divinos,

porque somos humanos,

teimosos.

 

Preferimos viver como órfãos

desprezando os dons paternos.

 

O estudo da Teologia

e muitas passagens da Bíblia

revelam que somos filhos do Deus,

Criador dos Céus e da Terra.

 

Quando estudamos

e nos aprofundamos

sobre essas revelações,

a nossa visão de vida

e o consequente modo de viver

ganham sentido, significado

e finalidade.

 

Enquanto não adquirir,

cultivar e vivenciar

essa visão teológica ou religiosa,

referente à nossa vida e história

aqui na Terra,

tudo permanecerá confuso,

sem norte e sem sul,

sem sentido para a morte,

e estaremos nas mãos de exploradores.

 

O alcance das revelações

e dos estudos teológicas

não estão assim tão disponíveis,

tão próximos de nós, leigos.

 

Vamos tentar entender,

nossa filiação divina,  

com os parágrafos abaixo:

 

Precisaremos da ajuda

do Deus Espírito Santo

que nos habita,

para expressar essa nossa

Filiação Divina.

 

As nossas atitudes diante

da divindade,

do Deus nosso Pai,

requerem

 atitudes de criança.

 

Sugerem relacionamentos

de ida, de quem é filho,

criatura,

diante do seu pai,

criador.

 

Supõem relacionamento

de filho, para pai.

 

Uma combinação de respeito,

 obediência,

confiança,

amor

e reverência.

 

Sem essa disposição habitual,

filial,

para com o nosso Pai celestial,

não estamos demonstrando

clareza, certeza ou convicção,

deste extraordinário dom

da filiação divina,  

recebido, gratuitamente,

com promessas

de vida eterna.

 

Esse dom do Espírito Santo

leva-nos a praticar as virtudes

da filiação divina

e da fraternidade,

entre nós, seus filhos,

exercitando a justiça,

a ajuda mútua,

o amor e o perdão,

 mantendo assim,

um relacionamento

de confiante intimidade

e familiaridade

com o Deus,

nosso paizinho.

 

Este sentimento filial

leva-nos a conversar com Ele

como um filho conversa com seu pai

ou com sua mãe,

com naturalidade,

espontaneidade,

confiança e amor.

 

Esta tese se comprova

com o texto do São Paulo,

na Epístola aos Romanos:

“Recebestes o espírito de adoção filial,

pelo qual chamamos: “Papai, Papaizinho”.

Romanos 8, 15.

 

O Espírito Santo,

mediante o dom da filiação divina,

faz-nos, como filhos adotivos,

reconhecer o Deus como Pai.

 

Aprendemos na catequese,

lá na infância, que devemos

ter um certo temor diante do Deus.

 

Distingamos diversos tipos de temor:

 

a)  O temor covarde ou da covardia;

b)  O temor servil ou do castigo,

do escravo que teme o chicote;

c)   o temor filial.

 

É neste tipo de temor,

o temor filial,

que identificamos

o dom da filiação divina.

 

O amor do filho

para com o Pai

consiste na repugnância

que o filho tem de ofender

ou se afastar do Deus, seu Pai.

 

Não se concebe o amor

sem esse tipo de temor.

 

As virtudes, as qualidades dos cristãos,

afastam o filho das situações de perigo,

e ajudam-no a vencer as dificuldades

morais e espirituais.

 

Isso acontece

através de muitas lutas,

hesitações e deficiências,

solicitando a humildade

e o reconhecimento

da fraqueza humana.

 

Se Deus é Pai,

Ele não é vingativo,

castigador ou comerciante.

 

Pelo dom do temor do Deus Pai

é o Espírito que move o cristão,

o filho do Deus Pai,

a dizer ‘não’

às desobediências,

por amor ao seu Pai.

 

Procuremos desenvolver

o dom da Filiação Divina,

rezando ou conversando

amigavelmente com nosso Pai:

 

“Espírito Santo,

despertai, conservai e aumentai em nós,

o dom do respeito e familiaridade

com nosso Pai do céu.

 

Facilite este acesso,

pois que recebemos

no nosso Batismo,

a graça da filiação divina.

 

Ajuda-nos a viver

como filhos obedientes,

amáveis, próximos,

carinhosos.

 

“Diga-me Papai,

o que me mantém afastado de vós?”

 

Por que oponho resistências

ao convívio íntimo

com a vossa pessoa?

 

Sobra-me orgulho ingênuo,

e falta-me humildade autêntica.

 

Falta-me vivência,

a consciência,

da minha condição filial

diante de vós.

 

Sois meu Pai.

Sou vosso filho.

 

Desconhecendo

a vossa majestade,

vossa sabedoria

e vossa bondade,

vossa santidade,

vossa misericórdia

e vosso poder,

carrego-me de uma aparente

e enganadora ilusão

de autossuficiência.

 

Mas basta-me

algumas pequenas dificuldades

e já me percebo

no devido lugar.

 

Nossas incompetências

em lidar com nossos limites

nos derrubam dos nossos pedestais.

 

Ah! Como me engano facilmente.

 

Como me deixo enganar.

 

Com que facilidade me iludo

e me desvio para outros caminhos,

quando me falta

o humilde reconhecimento

de que sou só um filho.

 

Mas teimo em ser

aquele filho pródigo

que quer gastar toda a herança,

antecipadamente,

longe de vós,

sem ouvir vossos conselhos,

sem estar sob os vossos olhos,

sem me sentar no vosso colo.

 

Grande ilusão.

 

Que mistério é esse,

meu Pai?

 

Sois vós o meu Pai.

 

É a vós que devo escutar

e seguir

e é convosco

que devo conviver,

na vossa presença,

em vosso colo afetuoso.

 

Por que essa teimosia,

em não aceitar andar,

na vossa presença

e constante companhia?

 

Se és meu Pai,

conheces o íntimo do meu íntimo,

a alma da minha alma.

 

Se não me ajudas Papai,

pereço.

 

Mas se me ajudas,

cearemos juntos,

viveremos juntos,

como Pai e filho,

como família.

 

Como um imã,

atraia-me a vós,

meu Pai.

 

Espírito Santo,

seja meu ajudante.

É de vós

que espero este auxílio.

 

Espírito Santo,

despertai

em cada um de nós

a fome

e alimentai-nos

com a vossa presença,

para que exista ternura e paixão

no nosso relacionamento

com o Papai do Céu.

 

Ajuda-nos a colocar fogo

na nossa alma

e amar-vos com toda força,

acima de qualquer outra coisa.

 

Fazei frutificar este dom em nós,

para alimentar teus outros filhos,

nossos irmãos.

 

“Diga-me e mostre-me Papai do céu,

quais são as armadilhas

que estão armadas

em meu caminho,

que não me deixam

aproximar-me mais de vós.

 

Sei que a minha natureza humana

é ainda imperfeita,

e vejo-me como um ser orgulhoso e egoísta,

apático, pesado e preguiçoso,

desinteressado pelos teus bens”.

 

São estas arapucas

próprias para nossa experiência,

ou são meios necessários

para o aperfeiçoamento

da nossa própria sensibilidade,

ferramentas de afinação

das nossas capacidades afetivas

e espirituais?

 

Se me aproximo

com devoção filial,

me acolhe, me acalma,

preenche meus vazios,

e me carregas em vossas mãos.

 

Meus afetos são promovidos

e meu olhar torna-se compreensivo,

benevolente, carregados de compaixão.

 

Meus pensamentos

penetram mais profundamente

na terra e nas lidas da vida.

 

Fica mais fácil ser irmão,

fica mais fácil ser filho.

 

Fica mais fácil

servir.

 

Tudo é presente vosso,

Papai.

 

Tudo vem das vossas mãos.

 

Inclusive nós,

 filhos vossos.

 

Amém. Aleluias. 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 08/09/2020

eneaspb@gmail.com

 

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