Somos pessoas mais divinas
do que humanas,
mas não sabemos
viver como divinos,
porque somos humanos,
teimosos.
Preferimos viver como
órfãos
desprezando os dons
paternos.
O estudo da Teologia
e muitas passagens da
Bíblia
revelam que somos
filhos do Deus,
Criador dos Céus e da
Terra.
Quando estudamos
e nos aprofundamos
sobre essas
revelações,
a nossa visão de vida
e o consequente modo
de viver
ganham sentido,
significado
e finalidade.
Enquanto não adquirir,
cultivar e vivenciar
essa visão teológica ou
religiosa,
referente à nossa vida
e história
aqui na Terra,
tudo permanecerá
confuso,
sem norte e sem sul,
sem sentido para a
morte,
e estaremos nas mãos
de exploradores.
O alcance das
revelações
e dos estudos
teológicas
não estão assim tão disponíveis,
tão próximos de nós,
leigos.
Vamos tentar
entender,
nossa filiação divina,
com os parágrafos
abaixo:
Precisaremos da ajuda
do Deus Espírito
Santo
que nos habita,
para expressar essa
nossa
Filiação Divina.
As nossas atitudes diante
da divindade,
do Deus nosso Pai,
requerem
atitudes de criança.
Sugerem relacionamentos
de ida, de quem é filho,
criatura,
diante do seu pai,
criador.
Supõem relacionamento
de filho, para pai.
Uma combinação de respeito,
obediência,
confiança,
amor
e reverência.
Sem essa disposição habitual,
filial,
para com o nosso Pai celestial,
não estamos demonstrando
clareza, certeza ou convicção,
deste extraordinário dom
da filiação divina,
recebido, gratuitamente,
com promessas
de vida eterna.
Esse dom do Espírito Santo
leva-nos a praticar as virtudes
da filiação divina
e da fraternidade,
entre nós, seus filhos,
exercitando a justiça,
a ajuda mútua,
o amor e o perdão,
mantendo assim,
um relacionamento
de confiante intimidade
e familiaridade
com o Deus,
nosso paizinho.
Este sentimento filial
leva-nos a conversar com Ele
como um filho conversa com seu pai
ou com sua mãe,
com naturalidade,
espontaneidade,
confiança e amor.
Esta tese se comprova
com o texto do São Paulo,
na Epístola aos Romanos:
“Recebestes o espírito de adoção filial,
pelo qual chamamos: “Papai, Papaizinho”.
Romanos 8, 15.
O Espírito Santo,
mediante o dom da filiação divina,
faz-nos, como filhos adotivos,
reconhecer o Deus como Pai.
Aprendemos na catequese,
lá na infância, que devemos
ter um certo temor diante do Deus.
Distingamos diversos tipos de temor:
a)
O temor covarde ou da covardia;
b)
O temor servil ou do castigo,
do escravo que teme o chicote;
c)
o temor filial.
É neste tipo de temor,
o temor filial,
que identificamos
o dom da filiação divina.
O amor do filho
para com o Pai
consiste na repugnância
que o filho tem de ofender
ou se afastar do Deus, seu Pai.
Não se concebe o amor
sem esse tipo de temor.
As virtudes, as qualidades dos cristãos,
afastam o filho das situações de perigo,
e ajudam-no a vencer as dificuldades
morais e espirituais.
Isso acontece
através de muitas lutas,
hesitações e deficiências,
solicitando a humildade
e o reconhecimento
da fraqueza humana.
Se Deus é Pai,
Ele não é vingativo,
castigador ou comerciante.
Pelo dom do temor do Deus Pai
é o Espírito que move o cristão,
o filho do Deus Pai,
a dizer ‘não’
às desobediências,
por amor ao seu Pai.
Procuremos
desenvolver
o dom da Filiação
Divina,
rezando ou
conversando
amigavelmente com
nosso Pai:
“Espírito Santo,
despertai, conservai
e aumentai em nós,
o dom do respeito e
familiaridade
com nosso Pai do céu.
Facilite este acesso,
pois que recebemos
no nosso Batismo,
a graça da filiação
divina.
Ajuda-nos a viver
como filhos
obedientes,
amáveis, próximos,
carinhosos.
“Diga-me Papai,
o que me mantém
afastado de vós?”
Por que oponho
resistências
ao convívio íntimo
com a vossa pessoa?
Sobra-me orgulho
ingênuo,
e falta-me humildade
autêntica.
Falta-me vivência,
a consciência,
da minha condição
filial
diante de vós.
Sois meu Pai.
Sou vosso filho.
Desconhecendo
a vossa majestade,
vossa sabedoria
e vossa bondade,
vossa santidade,
vossa misericórdia
e vosso poder,
carrego-me de uma
aparente
e enganadora ilusão
de autossuficiência.
Mas basta-me
algumas pequenas
dificuldades
e já me percebo
no devido lugar.
Nossas incompetências
em lidar com nossos
limites
nos derrubam dos
nossos pedestais.
Ah! Como me engano
facilmente.
Como me deixo
enganar.
Com que facilidade me
iludo
e me desvio para
outros caminhos,
quando me falta
o humilde
reconhecimento
de que sou só um
filho.
Mas teimo em ser
aquele filho pródigo
que quer gastar toda
a herança,
antecipadamente,
longe de vós,
sem ouvir vossos
conselhos,
sem estar sob os
vossos olhos,
sem me sentar no
vosso colo.
Grande ilusão.
Que mistério é esse,
meu Pai?
Sois vós o meu Pai.
É a vós que devo
escutar
e seguir
e é convosco
que devo conviver,
na vossa presença,
em vosso colo
afetuoso.
Por que essa
teimosia,
em não aceitar andar,
na vossa presença
e constante
companhia?
Se és meu Pai,
conheces o íntimo do
meu íntimo,
a alma da minha alma.
Se não me ajudas
Papai,
pereço.
Mas se me ajudas,
cearemos juntos,
viveremos juntos,
como Pai e filho,
como família.
Como um imã,
atraia-me a vós,
meu Pai.
Espírito Santo,
seja meu ajudante.
É de vós
que espero este
auxílio.
Espírito Santo,
despertai
em cada um de nós
a fome
e alimentai-nos
com a vossa presença,
para que exista
ternura e paixão
no nosso
relacionamento
com o Papai do Céu.
Ajuda-nos a colocar
fogo
na nossa alma
e amar-vos com toda
força,
acima de qualquer
outra coisa.
Fazei frutificar este
dom em nós,
para alimentar teus
outros filhos,
nossos irmãos.
“Diga-me e mostre-me
Papai do céu,
quais são as
armadilhas
que estão armadas
em meu caminho,
que não me deixam
aproximar-me mais de
vós.
Sei que a minha
natureza humana
é ainda imperfeita,
e vejo-me como um ser
orgulhoso e egoísta,
apático, pesado e
preguiçoso,
desinteressado pelos
teus bens”.
São estas arapucas
próprias para nossa
experiência,
ou são meios
necessários
para o
aperfeiçoamento
da nossa própria
sensibilidade,
ferramentas de
afinação
das nossas
capacidades afetivas
e espirituais?
Se me aproximo
com devoção filial,
me acolhe, me acalma,
preenche meus vazios,
e me carregas em
vossas mãos.
Meus afetos são
promovidos
e meu olhar torna-se
compreensivo,
benevolente,
carregados de compaixão.
Meus pensamentos
penetram mais
profundamente
na terra e nas lidas
da vida.
Fica mais fácil ser
irmão,
fica mais fácil ser
filho.
Fica mais fácil
servir.
Tudo é presente
vosso,
Papai.
Tudo vem das vossas
mãos.
Inclusive nós,
filhos vossos.
Amém. Aleluias.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 08/09/2020

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