Quando nos encontrarmos,
gostaria de te apresentar
não o eu visível,
que você já conhece
mas o eu invisível,
que desconheço.
Até mesmo você
não se conhece
a ponto de dizer,
com toda segurança
e autoridade:
“Eu sou.
“Eu sei quem sou”.
Quando gosto de mim mesmo,
do que conheço de mim,
e o que ignoro,
que também gosto,
meu eu,
então se manifesta
mais livremente,
para você.
Já sou meio feliz
por conseguir
que os outros conheçam,
a parte de mim,
que eu mesmo
não conheço.
Por favor,
leia-me,
conheça-me
e fale para mim,
do meu eu querido,
ainda desconhecido.
Quando você olha
para uma maçã,
ela é uma maçã
por dentro e por
fora.
Quando você olha
para qualquer pessoa,
ela é uma por fora,
e outra, por dentro.
Aquela que aparece,
a externa
vestida,
penteada,
emitimos um conceito,
e esgotamos toda a
riqueza
de seus sentimentos,
dos seus sonhos,
ideais e amores.
Secamos,
esvaziamos as pessoas,
de todos os seus
recursos
e possibilidades,
em nossa mente,
quando a avaliamos
apenas por fora.
Aquela parte da
pessoa
que não aparece,
por ser invisível,
guarda e carrega
em seu íntimo,
mais riquezas
que
imaginamos.
A pessoa íntima,
para nossos
conceitos,
permanece um
mistério,
por ser na sua maior
parte,
desconhecida e inesgotável.
Cada ser humano
carrega uma parte
que também é minha.
Cada ser humano
tem alguma coisa boa,
em si, que nos atrai,
e que possui a
capacidade
de nos aperfeiçoar e
completar.
Essa capacidade boa,
é uma energia chamada
amor,
integrativa,
uma força comum,
que tem o poder de unificar
e complementar-nos.
A maçã,
está lá fora.
Você a conhece
totalmente,
por dentro e por fora,
a cor da casca
e o sabor.
As pessoas,
todas lá fora,
são conceituadas
por aquilo que
mostram,
demonstram e
apresentam,
externa e visivelmente.
Elaboramos,
internamente,
conceitos,
sobre as palavras,
as atitudes,
os escritos
e a história das
pessoas.
E sempre achamos
que nossos conceitos
são perfeitos,
completos.
Grande engano.
Todos os conceitos,
que fazemos sobre as
pessoas,
são antes,
preconceitos,
conceitos
incompletos,
imperfeitos.
São conceitos ou
opiniões
ou achismos, emitidos
antes da convivência
ou do conhecimento
desta ou daquela
pessoa.
Para as coisas,
as definições,
cabem plenamente,
e matematicamente.
Para as pessoas,
todas diferentes
umas das outras,
não cabem conceitos,
definições e
certezas.
Todos somos desiguais,
na parte externa
e todos somos, nas
raízes,
profundamente
diferentes.
E é justamente a
diferença
entre cada pessoa,
cada homem ou mulher,
criança ou idoso,
que contém os valores
a serem respeitados,
admirados e até,
cultuados.
É maravilhoso
o potencial
diferencial,
de cada criatura,
ou de cada elemento
da natureza.
Na múltipla variedade
de criaturas na natureza,
não existem árvores iguais,
rios iguais, montanhas
iguais.
Na face da terra,
as pessoas,
até os gêmeos,
são diferentes.
por fora.
As diferenças,
por dentro,
são infinitamente
impenetráveis,
indefiníveis,
desconhecidas,
conceitualmente.
Cada ser humano
é um universo,
desconhecido,
admirável,
quando parcialmente
aberto, lido,
interpretado
e reconhecido.
Eu mesmo,
o próprio autor,
ao falar de si,
falará mais das
emoções,
do momento,
do que
está sentindo
e vivendo.
Não conseguirá dizer
tudo de si,
pois que para si
mesmo, também é,
em parte,
desconhecido e misterioso.
E é boa essa
companhia,
este ser
desconhecido,
que em parte, sou,
para mim.
Esse eu desconhecido,
que me acompanha
sempre,
e que em parte não
conheço,
não me enfadonha,
não me cansa,
não me enche,
nunca.
A biografia
de cada ser humano é
única,
um livro de história
ou um romance,
com lutas, perdas,
cicatrizes,
revesses e vitórias.
As fotografias,
coloridas,
ou em preto e branco,
semblante sofrido ou
sorridente,
marcaram muita gente,
com as lembranças
escritas
nas páginas
das
memórias vividas.
É a diversidade,
dentro da unidade,
que faz com que tudo
e todos
sejam respeitados, admirados,
valorizados e
cultuados,
como criações
inigualáveis,
obras de arte,
em vias de acabamento,
do pai Criador.
As diferenças
que encontramos
na natureza e entre
as pessoas,
são bens preciosos,
criados,
para fins de
admiração,
e de elogios,
unificação,
não de críticas
e desuniões.
Clarice Lispector,
numa das suas poesias
escreveu:
"Sou infinitamente
maior
do que eu mesma,
então, não me alcanço".”.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 02/09/2020

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