Muita gente vive nesta vida
de uma forma natural,
sem perceber que usa muitos recursos
de ordem sobrenatural.
Quando se põe a consciência
a tomar conta e observa-se a si mesmo,
percebe-se faculdades superiores
que nos distinguem daqueles
que vivem desligados ou ignorando
suas capacidades espirituais.
Cada um se conhece capacitado
com qualidades humanas,
como a inteligência, a força de vontade,
a liberdade, e a liberdade de escolher valores
que nos promovem para níveis evolutivos fraternos.
Eu sou um mundo, um universo, um ser.
Eu só sei quem sou diante de outras pessoas.
Não vivemos sozinhos. Vivemos em comunidade.
As capacidades humanas, horizontais,
nos preparam para a vida familiar e profissional,
para a convivência na sociedade,
onde nossas atividades
nos levam a buscar segurança e atendimento
às nossas necessidades básicas.
Como gente, animais racionais, evoluindo,
chegamos a ser pessoas.
Quando se alcança o nível de pessoa,
a consciência e a responsabilidade
alcançaram um nível de evolução
razoável, não ainda, aquela, ideal.
Aqui ainda estamos na esfera natural, humana.
Mas, nossa vida não é só natural, humana.
Se fosse não
teríamos espírito.
Não teríamos
alma.
Não teríamos
esperanças.
Estaríamos num mundo fechado,
limitado por convenções, cultura,
regras e leis de convivência social,
bipartida, dividida e carregada de conflitos.
E seríamos apenas como os animais racionais,
lógicos, instintivos, defendendo-nos e atacando.
Quando alcançamos um nível de evolução
mais próximo de uma espiritualidade evoluída,
haverá preocupações por ideais cada vez mais claros
em busca da aplicação dos princípios morais e espirituais
de convivência e obediência à lei da justiça e do amor.
Nos níveis mais evoluídos de convivência,
busca-se consciente e estrategicamente,
a educação refinada da sensibilidade afetiva,
o comportamento cavalheiresco,
o cuidado, o discernimento
e a sabedoria.
Um pouco mais adiante,
ativa-se as capacidades espirituais
da fé, da esperança
onde se ampliam e aperfeiçoam
as capacidades humanas,
elevando-nos e dignificando-nos
como criaturas, filhos e filhas,
criados à imagem e semelhança
com nosso Deus Pai Criador,
bondoso, misericordioso para com todos.
As capacidades ou dons espirituais
elevam-nos para uma dimensão maior,
de sacralidade, de respeito, de admiração,
de ajuda mútua, em vista de uma visão maior,
onde buscamos a fraternidade,
a vida pacífica e harmoniosa,
hospitaleira, de serviço,
descobrindo que,
sentir-se útil para as outras pessoas
é fator de realização e completude.
Isso tudo em obediência
a uma orientação divina
baseada no amor gratuito:
amar o Deus Pai Criador
acima de todas as coisas
e amar o próximo como a si mesmo.
Espiritualmente, somos pessoas capazes de evoluir,
de abrir-nos para dimensões maiores,
desafiadoras, inquietantes, além dos limites culturais,
políticos e religiosos da nossa vida
humana.
O mundo espiritual
é de outra dimensão,
maior, aberta, ilimitada.
É o espírito
que nos revela as aberturas,
as possibilidades,
o olhar para as estrelas
e a perguntar-nos, quem somos,
de onde viemos e para onde iremos.
Aqui há um questionar-se sobre Deus,
e vemos que não há como imaginar
ou viver esta pobre vida terrena
sem que haja a possiblidade
de inserir Deus em nossa História,
envolver-nos em seu projeto redentor,
para realizar a sua vontade,
tanto no Céu como na Terra.
Os dons espirituais
existem para fortalecer
a nossa frágil natureza humana,
em vias de um autêntico viver divino.
As capacidades para vivermos
como ‘deusinhos’
já está à nossa disposição
ao usarmos os dons
e qualidades espirituais.
Onde está a fonte,
onde beberemos a água pura
que nos fortalece para viver a vida,
com dons espirituais?
– Nos Evangelho e nas Cartas Apostólicas.
Nessa fonte estão contidas as boas-novas,
as boas notícias, as informações e orientações
para nos equiparmos com poderes superiores
para ultrapassarmos a vida humana
em direção aos valores espirituais
que nos capacitarão
a sermos herdeiros do Reino do Céu.
Qual a principal ferramenta?
– É a fé.
E a fé é compartilhada.
Cada um é força e sustento para os outros.
A fé é vivenciada em grupos,
em comunidade, em fraternidade.
Não tem como caminhar
neste novo caminho sem fé.
A fé é a única ferramenta disponível
para acreditar nas promessas
feitas pelo Jesus Cristo.
Jesus, o filho do Deus Eterno
nos trouxe boas notícias,
trouxe aberturas, a possibilidade
de vivermos eternamente,
ressuscitados, após nossa morte física
nesta Terra.
Convém participarmos
de alguma comunidade,
alguma fraternidade,
algum grupo de estudos e partilha
para intercambiarmos experiências espirituais,
e evoluirmos praticando dons sobrenaturais.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Eneas Paulo Budel Bogucheski
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