quinta-feira, 21 de maio de 2015

214.- Razão. A velha senhora Razão procura nova parceria.


 

Você conheceu os feitos

da Dona Razão?

 

A evolução,

até onde chegamos,

devemos a ela.

 

E daqui para frente?

 

Será que a velha senhora

já deu tudo o que tinha para dar?

 

Além da razão,

para dar continuidade

ao processo evolutivo,

será que teremos necessidade

de outra ferramenta?

 

Ou será que as nossas capacidades racionais

já nos deram todas as dicas que tinham,

e agora devemos buscar mais,

além dela, talvez a intuição?

 

Se a velha senhora Razão

já atingiu o seu limite,

qual outra capacidade

abrirá novas estradas

ou novos caminhos?

 

Será a intuição?

 

O que é intuição? No dicionário de Filosofia* intuição é uma relação direta, sem intermediários com um objeto qualquer. É uma forma de conhecimento superior e privilegiado. *Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano, Editora Martins Fontes – São Paulo – 2007.

 

Se a razão

não proporciona a paz

e segurança plena,

com todas as respostas

claras e plenamente compreendidas,

poderíamos arriscar e sugerir,

perguntando se a razão

já atingiu o seu apogeu?

 

 

Ou existem ainda campos,

onde a razão fica sem autoridade

ou sente-se impotente para se expor?

 

A invenção dos carros e aviões nos ajudou a andar e voar sentados, mesmo assim não dispensamos o uso das pernas, da mesma forma, não podemos dispensar o uso da razão, mesmo que tentemos entrar em outra dimensão onde o uso da razão estará atuando como auxiliar.

 

A senhora razão

jamais se aposentará.

 

Desde que o Adão e a Eva

comeram o fruto da árvore do conhecimento,

enquanto houver estoque de conhecimento,

estará ativa.

 

Ainda há espaço para duvidar e questionar, procurar e aceitar alternativas necessárias para a plena realização da unidade que somos.

 

O que a velha senhora razão já nos deu foi suficiente e tanto serve e serviu que continua e continuará servindo.

 

          Nota do Autor: 

Daremos uma de teimosos e continuaremos refletindo sobre o uso e desuso da razão.

Não estamos colocando nova tese.

Apenas estamos com a intenção de colocar luzes neste assunto para avaliarmos alternativas que poderão ajudar nesta visão em busca de novos horizontes.

Sabemos que a razão ou a racionalidade cria preconceitos, cristaliza posições, teima, bate o pé com maneirismos ou deixa-se viciar pelo rotineiro. Convêm avaliar todas estas características do ser humano e perguntar se a Senhora Razão não corre o risco de caducar.

 

Esgotados os recursos naturais,

 novas ferramentas teremos de construir.

 

Que ferramenta

vai nos levar para lá do bem longe,

do bem diferente, do “ainda ninguém viu

nem consegue imaginar”?

 

A razão até aqui já nos serviu.

 

Ela mesma

está à procura de nova parceria.

 

Não dá para dispensá-la.

 

Se dispensá-la, lá na frente ficaríamos sem as bases e fundamentos para a construção de novas teorias e novas estradas.

Mesmo velha, a senhora razão é a sabedoria que permanece, desempenhando a função de panela de pressão, que esquenta, ferve, cozinha e amolece os alimentos do conhecimento.

A razão, mesmo velha, agindo como professora nova, incentiva, exige perguntas novas e respostas mais novas ainda.

E exige respostas certas. 

A senhora razão quer buscar a verdade, único objeto que a satisfaz e a mantém jovial.

Para as novas estradas ou novos caminhos que serão necessários descobrir e seguir, nova ferramenta terá de ser acoplada na cápsula racional.

 

Até as fronteiras,

a racionalidade

facilmente nos leva.

 

Só até as fronteiras.

 

Até as fronteiras

não vemos nada de novo.

 

Ela já nos avisou de tudo.

 

Mas ainda há um obstáculo

no caminho: resistências.

 

A razão resiste às mudanças,

e teima em não deixar aventurar-se.

 

Os conceitos enraizados podem cristalizar-se e opor resistências ao novo, ao inimaginável.

Convém analisar as fontes das nossas resistências a tudo aquilo que é diferente do que estamos acostumados.

Estaremos nos ocupando, daqui para frente, em achar alguma abertura, uma fresta, alguma porta nova, diferente, sem chave, que se abre com forças íntimas que sabemos possuir.

 

Não esquecemos a intuição.

 

Sugerimos a pesquisa e o aprofundamento nesta qualidade que será natural lá na frente.

Percebemos como é difícil aceitar a existência de nova estrada, ou de nova ferramenta, ou de novo ou renovado modo de olhar e agir.

Esta nova atitude desacomoda tudo o que estava estabelecido como seguro e firme, rotineiro e domesticado.

Ocorre ou está ocorrendo um movimento interno, um terremoto ou revolução, de certa forma violentando e desmoronando um estilo de vida “normal”, estabelecido há milhares de anos.

E agora? –

Você já pensou nisso?

Fazer um casamento novo com a velha senhora Razão?

 

Temos que achar

um companheiro para ela.

 

Quando acontece uma catástrofe na natureza, outra paisagem aparece.

No começo, ‘anormal’, depois, com o trabalho da reconstrução, aparece de novo, a ordem, a beleza e a arte.

É possível, de velhas construções desmoronadas e destruídas, reconstruir de novo, projetos com abertura para o infinito e eterno.

 

Para além das fronteiras

deve estar algo que não tem fronteiras.

 

Se aqui já é grande, imagine lá, algo tão grande, sem fronteiras.

 

Já ouvimos falar do infinito.

 

Provocação.

 

Atração e novo desafio.

 

Uma nova etapa

da caminhada dos humanos?

 

As estrelas tão longe,

piscam para nós.

 

Tão longe e tão visíveis.

 

Por que estrelas,

estais tão longe,

desafiando-nos

a percorrer distâncias

que nossas pernas

não possuem potências

para percorrer?

 

Resistiremos a tal fascínio?

 

A quem poderiam comparar

estas pessoas

que orientam

suas antenas

para fora

da nossa casa natural?

 

Pessoas normais ou loucas?

 

Em qual dos dois personagens

devemos prestar atenção e dar ouvidos?

 

Aos normais e satisfeitos

ou aos ousados,

insatisfeitos e atrevidos?

 

No contexto que estamos conversando, valiosa é a mensagem do escritor espanhol Miguel de Cervantes*, no seu livro Homem de La Mancha.

 

Esta é a minha ambição:

seguir a estrela.

Não importam os fracassos.

 

Não importa a longa distância.

 

Lutar pelo que é justo,

sem hesitar nem duvidar.

 

Estar disposto a descer ao inferno

por uma causa divina.

 

Sonhar o sonho impossível.

 

Lutar contra o inimigo invencível.

 

Suportar a tristeza insuportável.

 

Chegar aonde os heróis não chegam.

 

Corrigir os erros irreparáveis.

 

Amar além do amor puro e casto.

 

Lutar com os braços esgotados.

 

Alcançar a estrela inatingível.

*Miguel de Cervantes Saavedra 29/09/1547-22/04/1616. Foi escritor, romancista e poeta espanhol. Nasceu em Alcalá de Henares e faleceu em Madri/Espanha. É o autor do Livro: Dom Quixote de La Mancha

 

Lá fora moram as estrelas.

 

Há mais espaço lá por cima.

 

Para junto das estrelas,

ou para além das estrelas,

já sonhamos um dia viajar.

 

Não é bom pensar

em passear por lá?

 

Já sabemos

que tudo o que é finito

não nos contenta.

 

A estrada dos limites

não esgotou as capacidades dos humanos.

 

Sobrou, vazou e não contentou.

 

Novas estradas serão construídas,

para fora dos limites.

 

 
Eneas Paulo Budel Bogucheski   
eneaspb@gmail.com        
Atualizado em 01/06/2016
 
 

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