Você conheceu os feitos
da Dona Razão?
A evolução,
até onde chegamos,
devemos a ela.
E daqui para frente?
Será que a velha senhora
já deu tudo o que tinha para dar?
Além da razão,
para dar continuidade
ao processo evolutivo,
será que teremos necessidade
de outra ferramenta?
Ou será que as nossas capacidades racionais
já nos deram todas as dicas que tinham,
e agora devemos buscar mais,
além dela, talvez a intuição?
Se a velha senhora Razão
já atingiu o seu limite,
qual outra capacidade
abrirá novas estradas
ou novos caminhos?
Será a intuição?
O que é intuição?
No dicionário de Filosofia* intuição
é uma relação direta, sem intermediários com um objeto qualquer. É uma forma de
conhecimento superior e privilegiado. *Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano,
Editora Martins Fontes – São Paulo – 2007.
Se a razão
não proporciona a paz
e segurança plena,
com todas as respostas
claras e plenamente compreendidas,
poderíamos arriscar e sugerir,
perguntando se a razão
já atingiu o seu apogeu?
Ou existem ainda campos,
onde a razão fica sem autoridade
ou sente-se impotente para se expor?
A invenção dos
carros e aviões nos ajudou a andar e voar sentados, mesmo assim não dispensamos
o uso das pernas, da mesma forma, não podemos dispensar o uso da razão, mesmo
que tentemos entrar em outra dimensão onde o uso da razão estará atuando como
auxiliar.
A senhora razão
jamais se aposentará.
Desde que o Adão e a Eva
comeram o fruto da árvore do conhecimento,
enquanto houver estoque de conhecimento,
estará ativa.
Ainda há espaço
para duvidar e questionar, procurar e aceitar alternativas necessárias para a
plena realização da unidade que somos.
O que a velha
senhora razão já nos deu foi suficiente e tanto serve e serviu que continua e
continuará servindo.
Nota do Autor:
Daremos uma de
teimosos e continuaremos refletindo sobre o uso e desuso da razão.
Não estamos
colocando nova tese.
Apenas estamos
com a intenção de colocar luzes neste assunto para avaliarmos alternativas que
poderão ajudar nesta visão em busca de novos horizontes.
Sabemos que a
razão ou a racionalidade cria preconceitos, cristaliza posições, teima, bate o
pé com maneirismos ou deixa-se viciar pelo rotineiro. Convêm avaliar todas
estas características do ser humano e perguntar se a Senhora Razão não corre o
risco de caducar.
Esgotados os recursos naturais,
novas ferramentas teremos de construir.
Que ferramenta
vai nos levar para lá do bem longe,
do bem diferente, do “ainda ninguém viu
nem consegue imaginar”?
A razão até aqui já nos serviu.
Ela mesma
está à procura de nova parceria.
Não dá para dispensá-la.
Se dispensá-la, lá
na frente ficaríamos sem as bases e fundamentos para a construção de novas
teorias e novas estradas.
Mesmo velha, a
senhora razão é a sabedoria que permanece, desempenhando a função de panela de
pressão, que esquenta, ferve, cozinha e amolece os alimentos do conhecimento.
A razão, mesmo
velha, agindo como professora nova, incentiva, exige perguntas novas e
respostas mais novas ainda.
E exige respostas
certas.
A senhora razão
quer buscar a verdade, único objeto que a satisfaz e a mantém jovial.
Para as novas
estradas ou novos caminhos que serão necessários descobrir e seguir, nova
ferramenta terá de ser acoplada na cápsula racional.
Até as fronteiras,
a racionalidade
facilmente nos leva.
Só até as fronteiras.
Até as fronteiras
não vemos nada de novo.
Ela já nos avisou de tudo.
Mas ainda há um obstáculo
no caminho: resistências.
A razão resiste às mudanças,
e teima em não deixar aventurar-se.
Os conceitos
enraizados podem cristalizar-se e opor resistências ao novo, ao inimaginável.
Convém analisar as
fontes das nossas resistências a tudo aquilo que é diferente do que estamos
acostumados.
Estaremos nos
ocupando, daqui para frente, em achar alguma abertura, uma fresta, alguma porta
nova, diferente, sem chave, que se abre com forças íntimas que sabemos possuir.
Não esquecemos a
intuição.
Sugerimos a
pesquisa e o aprofundamento nesta qualidade que será natural lá na frente.
Percebemos como é
difícil aceitar a existência de nova estrada, ou de nova ferramenta, ou de novo
ou renovado modo de olhar e agir.
Esta nova atitude
desacomoda tudo o que estava estabelecido como seguro e firme, rotineiro e
domesticado.
Ocorre ou está
ocorrendo um movimento interno, um terremoto ou revolução, de certa forma
violentando e desmoronando um estilo de vida “normal”, estabelecido há milhares
de anos.
E agora? –
Você já pensou nisso?
Fazer um casamento novo com a velha senhora Razão?
Temos que achar
um companheiro para ela.
Quando acontece
uma catástrofe na natureza, outra paisagem aparece.
No começo,
‘anormal’, depois, com o trabalho da reconstrução, aparece de novo, a ordem, a
beleza e a arte.
É possível, de
velhas construções desmoronadas e destruídas, reconstruir de novo, projetos com
abertura para o infinito e eterno.
Para além das fronteiras
deve estar algo que não tem fronteiras.
Se aqui já é grande, imagine lá, algo tão grande, sem fronteiras.
Já ouvimos falar do infinito.
Provocação.
Atração e novo desafio.
Uma nova etapa
da caminhada dos humanos?
As estrelas tão longe,
piscam para nós.
Tão longe e tão visíveis.
Por que estrelas,
estais tão longe,
desafiando-nos
a percorrer distâncias
que nossas pernas
não possuem potências
para percorrer?
Resistiremos a tal fascínio?
A quem poderiam comparar
estas pessoas
que orientam
suas antenas
para fora
da nossa casa natural?
Pessoas normais ou loucas?
Em qual dos dois personagens
devemos prestar atenção e dar ouvidos?
Aos normais e satisfeitos
ou aos ousados,
insatisfeitos e atrevidos?
No contexto que
estamos conversando, valiosa é a mensagem do escritor espanhol Miguel de
Cervantes*, no seu livro Homem de La Mancha.
Esta é a minha ambição:
seguir a estrela.
Não importam os fracassos.
Não importa a longa distância
Lutar pelo que é justo,
sem hesitar nem duvidar.
Estar disposto a descer ao inferno
por uma causa divina.
Sonhar o sonho impossível.
Lutar contra o inimigo invencível.
Suportar a tristeza insuportável.
Chegar aonde os heróis não chegam.
Corrigir os erros irreparáveis.
Amar além do amor puro e casto.
Lutar com os braços esgotados.
Alcançar a estrela inatingível.
*Miguel de Cervantes Saavedra 29/09/1547-22/04/1616. Foi escritor,
romancista e poeta espanhol. Nasceu em Alcalá de Henares e faleceu em
Madri/Espanha. É o autor do
Livro: Dom Quixote de La Mancha
Lá fora moram as estrelas.
Há mais espaço lá por cima.
Para junto das estrelas,
ou para além das estrelas,
já sonhamos um dia viajar.
Não é bom pensar
em passear por lá?
Já sabemos
que tudo o que é finito
não nos contenta.
A estrada dos limites
não esgotou as capacidades dos humanos.
Sobrou, vazou e não contentou.
Novas estradas serão construídas,
para fora dos limites.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 01/06/2016
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