Ousaremos entrar
nas trilhas do imenso,
do infinito,
do eterno,
das estrelas,
do espaço sem fim,
como a próxima etapa
do caminhar humano.
Será esta a próxima
estação,
na qual
desembarcaremos?
Será este patamar,
a ser por nós
buscado,
como Pátria
definitiva,
para os próximos
‘tempos’?
Caso estejamos
enganados,
e optarmos pelo
menos,
por aqui ficaremos.
Se optarmos pelo mais,
mais perto das
estrelas chegaremos.
O Criador das
estrelas nos espera,
acena, chamando.
Se Ele fez estrelas,
foi para nós,
seus filhos e
herdeiros.
Os caminhos que por
aqui andamos,
não nos contentaram,
porque pistas
de algo maior e
definitivo,
fomos encontrando.
E a morte vem dizer
que por aqui tudo
acabou.
Acabou sim, mas só
até no limite
onde poderíamos
chegar.
Se morremos para este
mundo,
significa que não é
aqui
o definitivo lugar.
Nos caminhos que
andamos
fomos usando um
oxigênio
que nos preparavam
para um lugar
que dispensará este
elemento.
Aqui não é mais o
nosso lugar,
nem nunca foi.
Esgotaram-se
nossas expectativas
horizontais.
A água é o símbolo da
horizontalidade.
Cai no chão, corre e
penetra na terra.
Enche-se de ambição
e se apega na
matéria.
Uma certeza da vida
ficou:
a história da evolução
continua para cima.
O fogo é o símbolo da
verticalidade:
quer voar para cima.
deseja queimar,
limpar, purificar,
preparar a alma para
voar, elevar-se.
Não é da logica
racional,
aceitarmos a ideia,
de um fim já
alcançado.
Deve haver outra lógica.
Há uma insatisfação
a ser satisfeita.
Há uma continuação
na história e da história.
Não colocaremos aqui
o ponto final.
A lógica da história
é um final feliz.
Não me iludam,
com argumentos
diferentes.
Não somos daqui.
Se fossemos,
esperanças não
brotariam,
esperanças não
cultivaríamos.
Carregamos nas
entranhas
uma carga de ansiedade
cujos objetos de
contentamento
não se encontram aqui.
Se estivessem,
estaríamos
plenificados.
Essa falta é mais parecida
com a esperança.
Não permitam
que a cegueira da
depressão
interrompa um projeto
de superação.
Num lugar além,
tem Alguém atraindo,
chamando e esperando.
Tem algo mais.
Tem sim.
Tem que ter.
Quero acreditar
nas palavras do
escritor
Frei Carlos Mesters*
“Talvez o paraíso
terrestre
não tenha sido um
fato acontecido
no passado. Talvez
seja uma profecia
a ser realizada”.
Frei Carlos
Mesters. É
religioso e sacerdote
da Ordem dos
Religiosos Carmelitas,
holandês, radicado no Brasil.
Autor de diversos
livros entre eles
“Deus, onde Estás?”,
“Paraíso Terrestre:
Saudade ou Esperança”.
Quase que por aqui
ficamos.
O medo e a segurança
tentaram sufocar
os sonhos e as
esperanças.
Da fragilidade,
qual semente de
mostarda,
quase sufocada,
e da razão quase
esgotada,
nasceu a intuição e a
esperança.
No palco da
existência,
fecha-se o pano da
vida que morre.
Abrem-se os panos do
palco
e dá-se continuidade
ao espetáculo,
num segundo e
definitivo ato,
no espaço infinito,
no céu.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com - 41 98854 5166
Atualizado em 02/11/2016
Atualizado em 14/04/2026
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