quinta-feira, 21 de maio de 2015

215.- Eternidade. Fomos feitos para sermos eternos. Aqui não é mais nosso lugar nem nunca foi.




Ousaremos entrar
nas trilhas do imenso,
do infinito,
do eterno,
das estrelas,
do espaço sem fim,
como a próxima etapa
do caminhar humano.

Será esta a próxima estação,
na qual desembarcaremos?

Será este patamar,
a ser por nós buscado,
como Pátria definitiva,
para os próximos ‘tempos’?

Caso estejamos enganados,
e optarmos pelo menos,
por aqui ficaremos.

Se optarmos pelo mais,
mais perto das estrelas chegaremos.

O Criador das estrelas nos espera,
acena, chamando.

Se Ele fez estrelas,
foi para nós,
seus filhos e herdeiros.

Os caminhos que por aqui andamos,
não nos contentaram,
porque pistas
de algo maior e definitivo,
fomos encontrando.

E a morte vem dizer
que por aqui tudo acabou.

Acabou sim, mas só até no limite
onde poderíamos chegar.

Se morremos para este mundo,
significa que não é aqui
o definitivo lugar.

Nos caminhos que andamos
fomos usando um oxigênio
que nos preparavam para um lugar
que dispensará este elemento.

Aqui não é mais o nosso lugar,
nem nunca foi.

Esgotaram-se
nossas expectativas horizontais.

A água é o símbolo da horizontalidade.

Cai no chão, corre e penetra na terra.

Enche-se de ambição
e se apega na matéria.

Uma certeza da vida ficou:
a história da evolução
continua para cima.

O fogo é o símbolo da verticalidade:
quer voar para cima.
deseja queimar, limpar, purificar,
preparar a alma para voar, elevar-se.

Não é da logica racional,
aceitarmos a ideia,
de um fim já alcançado.

Deve haver outra lógica.

Há uma insatisfação
a ser satisfeita.

Há uma continuação
na história e da história.

Não colocaremos aqui
o ponto final.

A lógica da história
é um final feliz.

Não me iludam,
com argumentos diferentes.

Não somos daqui.

Se fossemos,
esperanças não brotariam,
esperanças não cultivaríamos.

Carregamos nas entranhas
uma carga de ansiedade
cujos objetos de contentamento
não se encontram aqui.

Se estivessem,
estaríamos plenificados.

Essa falta é mais parecida
com a esperança.

Não permitam
que a cegueira da depressão
interrompa um projeto de superação.

Num lugar além,
tem Alguém atraindo,
chamando e esperando.

Tem algo mais.

Tem sim.

Tem que ter.

Quero acreditar
nas palavras do escritor
Frei Carlos Mesters*

Talvez o paraíso terrestre
não tenha sido um fato acontecido
no passado. Talvez seja uma profecia
a ser realizada”. 

Frei Carlos Mesters. É
religioso e sacerdote
da Ordem dos Religiosos Carmelitas, 
holandês, radicado no Brasil.

Autor de diversos livros entre eles
“Deus, onde Estás?”, “Paraíso Terrestre: 
Saudade ou Esperança”.

Quase que por aqui ficamos.

O medo e a segurança
tentaram sufocar
os sonhos e as esperanças.

Da fragilidade,
qual semente de mostarda,
quase sufocada,
e da razão quase esgotada,
nasceu a intuição e a esperança.

No palco da existência,
fecha-se o pano da vida que morre.

Abrem-se os panos do palco
e dá-se continuidade ao espetáculo,
num segundo e definitivo ato,
no espaço infinito, no céu.


Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com  -  41 98854 5166

Atualizado em 02/11/2016
Atualizado em 14/04/2026


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