Como é gostoso
viver no ambiente familiar. Pai, mãe, sogra, sogro, filhos e filhas, e netos,
todos juntos respirando o ar puro da confiança, da liberdade de expressões, sem
censuras, sem bloqueios, sem capacetes protetores de respiração.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
Atualizado em 31/05/2016.
Neste ambiente
há a necessária atmosfera do ar puro; não é necessário colocar máscaras nem
tubos de oxigênio.
Até parece
mesmo que a vida dentro do ambiente familiar é o mais natural e o mais
benfazejo que existe neste nosso imenso universo.
Assistindo
filmes de ficção, viagens interplanetárias, percebemos que são necessários
equipamentos extras, sofisticados, para que a sobrevivência aconteça.
Assistindo
filmes reais que estão acontecendo aqui na terra, percebemos que é necessário
colocar alguns equipamentos de proteção para sairmos às ruas.
Corremos o
perigo de sermos assaltados, atropelados, sequestrados. Não temos mais a paz
que temos dentro da nossa casa, já equipada com cercas elétricas e câmaras.
Não olhamos mais
para as obras de arte. Ficamos mais antenados com comportamentos suspeitos de
quem caminha ao nosso lado ou vem vindo em nossa direção.
Puxa vida, a
que ponto chegamos!
Cadê a
segurança? Cadê a paz? Cadê a liberdade.
E isto tudo
nos torna pessoas armadas, desconfiadas, em constante atitude de defesa.
Se a vaca foi
para o brejo, o nosso humanismo está indo para onde? Ainda há tempo para
segurar ou inverter esta tendência.
A insegurança
está sendo semeada nos meios de comunicação social. A violência se transformou
em mercadoria que aumenta o nível de audiência nas empresas jornalísticas e
televisivas.
O que há por
trás disso tudo? – Se o mundo fosse pacífico, bondoso, haveria menos problemas.
Haveria paz e partilha. Não haveria fome. Não haveria violência, roubos
assaltos ... pois estaria à disposição de todos aquilo que falta para os
assaltantes.
É interessante
notar que de cada dez notícias, nove delas referem-se a violência ou corrupção.
Se houver uma boa notícia, digna de ser escutada e comentada, é pouco.
E então? Que
atitudes devemos nós tomar? – Desligar a televisão no horário dos jornais?
Se almoçarmos e
assistirmos ao jornal no mesmo instante, não haverá digestão, pois a tensão
permanecerá dentro de nós, dificultando o processamento dos alimentos. O
metabolismo ficará confuso e não fará eficazmente o seu trabalho normal.
Convém analisarmos
o que comemos e o que assistimos. Tudo o que entra dentro de nós, que não seja
benéfico, produz efeitos doentios, tanto no cabeça como na barriga.
Convém
analisar o que levamos para casa, para dentro do nosso lar, para dentro da
nossa cabeça e para dentro da nossa barriga.
A cultura da
violência gera em nós conflitos, tensões, angustias e desequilíbrios que nos
transformam em consumidores.
A cultura da
paz gera em nós os ideais da convivência pacífica, como aquela que existe
dentro da nossa casa, onde partilhamos tudo o que temos e o que somos.
Talvez a
cultura que esteja faltando é a de adquirir conhecimentos para transformar a
nossa casa num lar. Daí, pela evolução ou promoção, transformar o lar num ninho
ou num aconchego.
Um pequeno
espaço resta, dentro do planeta terra, para vivenciarmos ainda os ideais da
família.
Vejamos alguns
elementos importantes para que a vida familiar seja um ideal a ser buscado.
1 – Somos seres humanos, frágeis. Todos estamos
sujeitos a cometer erros. Quem não comete erros não precisa de ajuda de
ninguém. Quem comete erros humanos precisa de quem acolha-os e perdoe-os,
colocando com esta atitude, no outro, sentimentos de amor e gratidão,
reforçando o que de bom ainda existe nas pessoas mais fracas.
2 – Levando em conta o peso do sofrimento humano,
com tudo aquilo que te fez ou te faz sofrer, pense também no fato em si. O Eu
superior é humilde, não julga, acolhe, compreende, auxilia e perdoa. Quem age
assim, conhece-se a si mesmo e conhece as outras pessoas. Há o perigo do eu
inferior se manifestar e justificar razões egocêntricas, não levando em conta a
fraqueza dos outros.
3 – Há que considerar a situação moral, psicológica
de quem comete erros, avaliando antecedentes, históricos familiares. Avalie
como a pessoa que te fez sofrer, está se sentindo.
4 – Perdoar as outras pessoas é atitude de quem é
maior, mais forte psicológica e espiritualmente. Perdoar é atitude de pai, de mãe.
É uma atitude mais que humana: é já uma atitude divina.
5 – Não é bom viver só. Duas pessoas que decidem
construir uma vida exigirão mudanças radicais para ambas. Dois egos deverão
sacrificar-se para construir uma vida, sem o predomínio do ego. Duas pessoas
devem deixar de viver suas próprias vida para construir UMA única vida a dois
ou a três. Existe o EU superior, a Consciência desperta ou a ser despertada.
6 – Não se deixe levar pela opinião das outras
pessoas que já vivem num mundo desestruturado, falido, quebrado, dividido ou
que estão nesta situação e torcem para que os outros também vivam como elas.
Quem não vive numa família estruturada não tem autoridade para dar conselhos a
quem está passando por crises familiares. Conselhos e orientações devem ser
procuradas nas pessoas que vivem em família com estrutura moral, psicológica e
espiritual.
7 – Não gostaria de ver o número de desuniões
aumentando as estatísticas. Gostaria isto sim, de ver atitudes maduras de quem
dá uma segunda chance e talvez a um recomeço robusto, recriado com metas e
objetivos comuns, com conta conjunta, com a partilha a dois, das alegrias e
tristezas, dos fracassos e sucessos.
8 – Sempre existe uma terceira pessoa, que curtirá
imensamente a vitória do retorno, do recomeço da vida projetada para dar certo.
9 - Poderá existir uma família toda, que sofrerá
pelo resto da vida, a consequência de mais uma família falida. Mais uma história
que não deu certo. E aqui, as consequências irão longe, desfiando a blusa que
estava quase perfeita.
10 – A cultura do mundo da mídia não é formadora,
não é educadora, não é exemplo a ser seguido. O que assistimos em filmes e
novelas tornam as desuniões comuns, descartáveis, rotineiras, resultado da
superficialidade com que os compromissos são feitos. Nas novelas quase não
aparecem famílias inteiras, pessoas honestas, pacificadoras, defensora dos
princípios da fidelidade, da tolerância, do perdão, da compreensão da dignidade
da pessoa e do matrimônio.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
Atualizado em 31/05/2016.
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