terça-feira, 5 de maio de 2015

209.- Família. Estrutura familiar. O perdão e a ajuda mútua.

              Como é gostoso viver no ambiente familiar. Pai, mãe, sogra, sogro, filhos e filhas, e netos, todos juntos respirando o ar puro da confiança, da liberdade de expressões, sem censuras, sem bloqueios, sem capacetes protetores de respiração.  

 

       Neste ambiente há a necessária atmosfera do ar puro; não é necessário colocar máscaras nem tubos de oxigênio.

 

       Até parece mesmo que a vida dentro do ambiente familiar é o mais natural e o mais benfazejo que existe neste nosso imenso universo.

 

       Assistindo filmes de ficção, viagens interplanetárias, percebemos que são necessários equipamentos extras, sofisticados, para que a sobrevivência aconteça.

 

       Assistindo filmes reais que estão acontecendo aqui na terra, percebemos que é necessário colocar alguns equipamentos de proteção para sairmos às ruas.

 

       Corremos o perigo de sermos assaltados, atropelados, sequestrados. Não temos mais a paz que temos dentro da nossa casa, já equipada com cercas elétricas e câmaras.

 

       Não olhamos mais para as obras de arte. Ficamos mais antenados com comportamentos suspeitos de quem caminha ao nosso lado ou vem vindo em nossa direção.  

 

       Puxa vida, a que ponto chegamos!

 

       Cadê a segurança? Cadê a paz? Cadê a liberdade.

 

       E isto tudo nos torna pessoas armadas, desconfiadas, em constante atitude de defesa.

 

       Se a vaca foi para o brejo, o nosso humanismo está indo para onde? Ainda há tempo para segurar ou inverter esta tendência. 

 

       A insegurança está sendo semeada nos meios de comunicação social. A violência se transformou em mercadoria que aumenta o nível de audiência nas empresas jornalísticas e televisivas.

 

       O que há por trás disso tudo? – Se o mundo fosse pacífico, bondoso, haveria menos problemas. Haveria paz e partilha. Não haveria fome. Não haveria violência, roubos assaltos ... pois estaria à disposição de todos aquilo que falta para os assaltantes.

 

       É interessante notar que de cada dez notícias, nove delas referem-se a violência ou corrupção. Se houver uma boa notícia, digna de ser escutada e comentada, é pouco.

 

       E então? Que atitudes devemos nós tomar? – Desligar a televisão no horário dos jornais?

 

Se almoçarmos e assistirmos ao jornal no mesmo instante, não haverá digestão, pois a tensão permanecerá dentro de nós, dificultando o processamento dos alimentos. O metabolismo ficará confuso e não fará eficazmente o seu trabalho normal.

 

       Convém analisarmos o que comemos e o que assistimos. Tudo o que entra dentro de nós, que não seja benéfico, produz efeitos doentios, tanto no cabeça como na barriga.

 

       Convém analisar o que levamos para casa, para dentro do nosso lar, para dentro da nossa cabeça e para dentro da nossa barriga.

 

       A cultura da violência gera em nós conflitos, tensões, angustias e desequilíbrios que nos transformam em consumidores.

 

       A cultura da paz gera em nós os ideais da convivência pacífica, como aquela que existe dentro da nossa casa, onde partilhamos tudo o que temos e o que somos.

 

       Talvez a cultura que esteja faltando é a de adquirir conhecimentos para transformar a nossa casa num lar. Daí, pela evolução ou promoção, transformar o lar num ninho ou num aconchego.   

 

       Um pequeno espaço resta, dentro do planeta terra, para vivenciarmos ainda os ideais da família.

 

       Vejamos alguns elementos importantes para que a vida familiar seja um ideal a ser buscado.

1 – Somos seres humanos, frágeis. Todos estamos sujeitos a cometer erros. Quem não comete erros não precisa de ajuda de ninguém. Quem comete erros humanos precisa de quem acolha-os e perdoe-os, colocando com esta atitude, no outro, sentimentos de amor e gratidão, reforçando o que de bom ainda existe nas pessoas mais fracas.

 

2 – Levando em conta o peso do sofrimento humano, com tudo aquilo que te fez ou te faz sofrer, pense também no fato em si. O Eu superior é humilde, não julga, acolhe, compreende, auxilia e perdoa. Quem age assim, conhece-se a si mesmo e conhece as outras pessoas. Há o perigo do eu inferior se manifestar e justificar razões egocêntricas, não levando em conta a fraqueza dos outros.

 

3 – Há que considerar a situação moral, psicológica de quem comete erros, avaliando antecedentes, históricos familiares. Avalie como a pessoa que te fez sofrer, está se sentindo.

 

4 – Perdoar as outras pessoas é atitude de quem é maior, mais forte psicológica e espiritualmente. Perdoar é atitude de pai, de mãe. É uma atitude mais que humana: é já uma atitude divina.

 

5 – Não é bom viver só. Duas pessoas que decidem construir uma vida exigirão mudanças radicais para ambas. Dois egos deverão sacrificar-se para construir uma vida, sem o predomínio do ego. Duas pessoas devem deixar de viver suas próprias vida para construir UMA única vida a dois ou a três. Existe o EU superior, a Consciência desperta ou a ser despertada.

 

6 – Não se deixe levar pela opinião das outras pessoas que já vivem num mundo desestruturado, falido, quebrado, dividido ou que estão nesta situação e torcem para que os outros também vivam como elas. Quem não vive numa família estruturada não tem autoridade para dar conselhos a quem está passando por crises familiares. Conselhos e orientações devem ser procuradas nas pessoas que vivem em família com estrutura moral, psicológica e espiritual.

 

7 – Não gostaria de ver o número de desuniões aumentando as estatísticas. Gostaria isto sim, de ver atitudes maduras de quem dá uma segunda chance e talvez a um recomeço robusto, recriado com metas e objetivos comuns, com conta conjunta, com a partilha a dois, das alegrias e tristezas, dos fracassos e sucessos.

 

8 – Sempre existe uma terceira pessoa, que curtirá imensamente a vitória do retorno, do recomeço da vida projetada para dar certo.

 

9 - Poderá existir uma família toda, que sofrerá pelo resto da vida, a consequência de mais uma família falida. Mais uma história que não deu certo. E aqui, as consequências irão longe, desfiando a blusa que estava quase perfeita.

 

10 – A cultura do mundo da mídia não é formadora, não é educadora, não é exemplo a ser seguido. O que assistimos em filmes e novelas tornam as desuniões comuns, descartáveis, rotineiras, resultado da superficialidade com que os compromissos são feitos. Nas novelas quase não aparecem famílias inteiras, pessoas honestas, pacificadoras, defensora dos princípios da fidelidade, da tolerância, do perdão, da compreensão da dignidade da pessoa e do matrimônio.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Atualizado em 31/05/2016. 
 

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