quarta-feira, 25 de maio de 2016

293.- Coração. As razões do coração.



A característica da razão
ou da racionalidade
é a imparcialidade.

A razão apreende, analisa,
tece comentários, efetua raciocínios,
sem a interferência dos sentimentos.

A razão é destituída de emoções.

A razão, o raciocínio pode sim,
despertar as emoções.

Quando isso acontece,
soma-se inteligência racional
com inteligência emocional.

Aí, as operações humanas
são mais completas.

Por exemplo,
sei que preciso adquirir conhecimentos
para passar num concurso.

Preciso acrescentar motivações
para que as horas empenhadas no estudo
sejam proveitosas.

Tenho então que motivar,
criar emoções fortes,
visualizando-me vencedor,
superando cansaços, preguiça,
desanimo e desistências.

            O que é que está por trás das emoções,
            das motivações? – Está o coração.

Quero deixar bem claro
que a pessoa humana é uma só realidade.
É unidade.  

Somos personalidade.

Somos a soma
de todas as nossas capacidades.

Temos potencialidades,
energias, forças latentes.

Somos capazes
porque somos uma usina,
 fábrica de energias.

Porém, parece-me
que temos necessidade
de separar as coisas,
dar nomes,
e perceber individualidades
dentro do grande potencial
que é a pessoa humana.

     Queremos focar as emoções
     e o coração,
     como a fonte de energias
     capaz de convencer-nos
     e orientar-nos
     em vista de bens a conquistar.

Estaremos fazendo poesia,
palavras e frases leves,
afinadas com nossos gostos,
próximas daquilo que mais gostamos,
que é afetuosidade,  carinho,  
simpatia e ternura.

Gostamos do romance,
das declarações de amor,
dos gestos de aceitação,
dos elogios e reconhecimentos.

     Experimentemos ver
     e sentir com o coração.

Criemos em nós,
o clima das expectativas boas.

Abramos nosso coração
à receptividade.

Desarmemos
o senso crítico racional.

Afastemos
os olhares de julgamento.

Apertemos o botão
que ativa o acolhimento.

Onde está a chave
que liga o Entusiasmo?
Ache-a.

E o encantamento, como ativar?
– Basta desativar a racionalidade
que só se manifesta para analisar.

Encantar-se
é o mesmo que enamorar-se.

Cada um de nós
é Rei ou Rainha do Universo,
se observar cuidadosamente,
usando, agora sim,
a capacidade racional
para perceber tudo
o que contém a natureza.

Primeiro, observe o teu mundo,
o teu universo interior,
observando-se a si mesmo
e percebendo todas as capacidades
que tens para olhar, escutar, absorver, 
apreender, acolher.

Tudo o que é bom e bonito
pode entrar através dos olhos,
ouvidos, atenção, recepção,
intelecto, cérebro.

E, cuidado,
o que não é bom
também pode entrar,
se você selecionar e deixar entrar.

Em segundo lugar,
observe o mundão fora de você,
toda a natureza,
tudo o que existe de bom,
de bonito, de útil.

Desde a natureza florestal,
fauna, flora, peixes, pássaros,
animais, pessoas humanas, profissões ...

Tudo o que existe,
existe em função da sua vida.

Você recebe
constantes homenagens da natureza.

Perceba-se
e sinta como a natureza te trata.

Continuamente você recebe
declarações de amor de tudo o que existe.

Desde o nascer até o por-do-sol,
tudo e todos te fazem declarações
de que és importante
no grande palco da vida.

As nuvens te assistem,
te fazem sombra.

O vento te visita,
te acaricia a pele.

Á água te sacia
a sede e te refresca ... e te lava.

Os pássaros cantam para você.

Todo mundo te dá passagem.


Alguns param
e ficam te olhando,
contemplando.


Outros, até batem palmas.
Aplaudem teu ser e agir.

Fique observando, 
em silêncio.

Crie o clima.

Fique na expectativa.

E comece a receber.

Espante-se!

Admire.

Tome consciência.

 
Coloque-se na atitude
de quem está olhando
para uma maravilha,
algo raro,
como se estivesse vendo
pela primeira vez ...
assim como um cego
que acaba de receber de volta
sua visão.

Pule, grite, dance, 
volte a ser criança.

Recomece a curiosar
sobre a vida
que se esconde 
atrás das aparências.

Pare.

Pare de usar apenas
sua racionalidade.

Deixe o teu cérebro
descansar um pouco.

Diga ao teu cérebro
que você quer deixar de ser adulto
por alguns minutos.

Recupere sua infância
e aja como criança,
por alguns minutos por dia.

Deixe a sua maturidade de adulto
de folga por alguns minutos,
ou alguma horas.

Que o teu coração
dê autoridade
para, de novo,
voltar a ser criança,
deixar teu coração ser alegre,
risonho, solto, inocente e moroto.

Volte a olhar para cima,
lá onde não há limites, nem barreiras,
nem tampouco regras impondo estresses.

Suba nos galhos das árvores
da tua imaginação.

Deixe chover
em cima dos teus pensamentos,
e que molhe e amoleça seus padrões de adulto.

Solte tuas amarras, tuas cordas
e abras as algemas.

Liberte-se das tensões
que a razão te impõe.

Deixe teu coração
bater depressa e descompassadamente.

Observe-se e dê risadas
das tuas burrices de adulto.

Veja como é bom ser cordial,
dirigido mais pelo coração
do que pelas tuas razões
sérias e tensas.

Tente ficar parado,
olhando, observando
tanto quanto te for possível,
para uma flor, para uma árvore
ou para uma pessoa idosa, seja quem for.

Brinque com uma criança,
no mesmo nível dela,
e sinta-se como ela,
rei ou rainha
do mundo.

Brinque com um cachorrinho ou gatinho,
ou apenas observe-os e deixe o teu coração
sentir o que é empatia, simpatia e amor.

Pense, com a ajuda do coração, 
nas maravilhas da técnica, dos carros, 
da transmissão
das imagens e dos sons.  

Quanta maravilha nos homens, nas mulheres, 
nossos irmãos e irmãs, companheiros,
amigos e sócios da Natureza toda.

Que estupenda harmonia e integração
entre todas as profissões: 
uma depende da outra; 
e se completam, e auxiliam-nos,
melhorando e facilitando
nossa qualidade de vida.  

Ninguém é auto suficiente.

Cada um de nós colabora
para que este grande universo
torne-se uma grande orquestra
em que cada um toca um instrumento.

Mas aí de nós, se as crianças
não ocuparem seus lugares.

Nem que, aos nossos olhos,
desafinem,
mas que se façam presentes.

Aí de nós todos, se os homens e as mulheres
se esquecerem de como é bom ser
como as crianças.

Bem aventurados os puros de coração
porque possuirão a terra.

E os céus
já pertence a quem se parece
com as crianças.

As crianças são crianças
porque ainda não desenvolveram bem
as capacidades racionais.

A simplicidade e a inocência
fazem o coração ditar as normas
da sua conduta, atraente
e benfazeja.
 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com  41 98854 5166 

Atualizado em 25/05/2016.

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