-
Porque a poesia é também uma arte.
-
Porque a poesia, sendo um ramal da arte,
desperta
o sentimento, ativa a consciência.
-
Porque a poesia
é
uma pedagogia de ensinamentos,
e
provocam avaliações sobre a nossa consciência.
Se
existe sentimento nas pessoas,
elas
estão vivas.
Nosso
mundo de hoje é mais racional
do
que sentimental, mais crítico
do
que compreensivo.
Se
a razão disseca as coisas,
tirando-lhe
todo encanto e mistério,
a
poesia, devolve-nos o entusiasmo
ou
a nostalgia.
A
poesia
nasceu
após a morte
das
profecias.
As
profecias são imortais,
não
deveriam morrer.
Agora,
é a poesia
que
procura de novo,
o
mistério dentro das coisas,
procura
algo novo
dentro
do ultrapassado,
do
gasto e desbotado.
A
poesia
sempre
encontra alguma coisa boa,
bela,
verdadeira, que nos agrada,
porque
revela nossa origem,
na
Bondade.
A
poesia não é só criação da mente;
é
do coração, da alma, é das profundezas,
é
das origens do Grande Poeta
e
Cientista Criador.
“Todas as coisas
são absorvidas pela
alma,
cantadas em sua
dignidade,
descobertas no Deus
Criador
e amadas
apaixonadamente
em sua grandeza”.
São
João da Cruz,
Noite
Escura, Editora Vozes,
6ª.
Edição, página 12.
“Não é o nada ou o vazio
que a poesia procura,
mas a densidade das
coisas,
percebidas em sua
profunda ligação
com o mistério,
sempre maior”.
São
João da Cruz, Noite Escura,
Editora
Vozes, 6ª. Edição, página 12.
“O poeta, às vezes
como profeta,
através do púlpito da
poesia
revela onde se
encontra a arte
que transfigura as
coisas,
abre os olhos dos leitores
e dos admiradores,
para o outro mundo
que habita o mundo,
favorecendo a
percepção
da verdadeira beleza”.
São
João da Cruz,
Noite
Escura,
Editora
Vozes,
6ª.
Edição, página 13.
O
poeta tenta
através
da linguagem
reproduzir
ou traduzir
ou
substituir os conceitos,
as
palavras ou as coisas,
enxertando
sentimentos
que
traduzam experiências
inexplicáveis.
O
poeta faz o esforço
para
trazer uma linguagem simbólica,
que
mais esconde do que revela,
pois
que é a verdade
que
procura desenterrar
e
colocar à mesa.
E
só a verdade nos contenta
porque
ela é o alimento que permanece,
é
o alimento da eternidade.
A
mentira, a superficialidade,
cedo
provoca-nos enjoo.
O
mistério permanece escondido,
sustentando
as colunas da fragilidade.
A
verdade revela-se aos poucos,
para
não cegar.
A
verdade nos é dada
a
conta gotas
para
nos dar tempo
para
a sua assimilação.
Só
quem consegue conviver
com
o poeta ou com o místico,
conseguirá
perceber
o
que por fora aparece.
Mas
o que por dentro borbulha,
não
percebemos.
Parece
que algo precisa continuar
existindo,
escondido, veladamente,
mesmo
sabendo que existe uma fórmula,
que
traduza em luzes o que é escuro,
ainda
não percebido, ainda não interpretado,
ainda
não aceito como Verdade.
Se
a palavra dita ou escrita
não
consegue dizer tudo,
algo
ainda não foi traduzido.
Ou
já veio à tona,
mas
não foi percebido,
não
foi interpretado
como
Verdade Absoluta.
Continuamos
a vida,
borbulhando
expectativas.
Se
todas as palavras juntas
procuram
comunicar
o
que o gemido do poeta quer dizer,
e
não conseguem,
algo
ainda não foi trazido a público.
Está
lá, exprimido,
apertado,
guardado,
querendo
vir à tona.
Será
o poeta ou o místico,
que
há de dar-lhe liberdade?
A
maneira tradicional, natural,
de
nos comunicarmos,
não
exerce mais nenhuma atração.
Não
há mais arte na escrita,
nas
conversas, nos discursos,
nas
homilias, nas promessas.
Tudo
se banalizou.
Tudo
foi decifrado pela mente,
transformado
em palavras desarmonizadas,
separadas
do Verbo e do Substantivo Eterno,
desenraizadas
do Criador.
Que
a poesia profética nos acorde.
Só
o que é produto do Perfeito,
e
da Perfeição, se aproxima
daquilo
que conhecemos como arte
e
continua exercendo atração.
A
poesia, assim como a Profecia,
são
formas diferentes
de
atrair a atenção dos humanos
que
perderam a ligação com sua origem.
Onde
anda nossa originalidade?
Já
não sabemos mais ser autênticos.
Perdemos
sim, nossa originalidade,
nossa
ligação com nossa origem,
com
o nosso Pai Criador.
Se
a profecia já não nos toca,
talvez
a poesia nos relembre
que
não estamos mais ligados
com
a divindade.
A
literatura
disponível
no mercado
esvaziou
ou banalizou
o
conteúdo das religiões.
Então,
a poesia é mais uma esperança,
uma
forma de comunicação
que
revela que ainda temos sentimentos,
que
ainda temos algo de humanos,
um
tiquinho de divino que nos sobrou.
Este
texto teve a inspiração
e
a fonte das citações
retiradas
do livro “Noite Escura”,
do
São João da Cruz,
Editora
Vozes, 6ª. Edição.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em 08/05/2017
Publicado no Blog Heipo World
e no FACEBOOK em 08/05/2017.
Atualizada em 02/03/2024.

Nenhum comentário:
Postar um comentário