segunda-feira, 8 de maio de 2017

394.- Poesia. A poesia renasce das cinzas das profecias.



Por que é importante a poesia?

 

- Porque a poesia é também uma arte.

 

- Porque a poesia, sendo um ramal da arte,

desperta o sentimento, ativa a consciência.

 

- Porque a poesia

é uma pedagogia de ensinamentos,

e provocam avaliações sobre a nossa consciência.

 

Se existe sentimento nas pessoas,

elas estão vivas.

 

Nosso mundo de hoje é mais racional

do que sentimental, mais crítico

do que compreensivo.

 

Se a razão disseca as coisas,

tirando-lhe todo encanto e mistério,

a poesia, devolve-nos o entusiasmo

ou a nostalgia.

 

A poesia

nasceu após a morte

das profecias.

 

As profecias são imortais,

não deveriam morrer.

 

Agora, é a poesia

que procura de novo,

o mistério dentro das coisas,

procura algo novo

dentro do ultrapassado,

do gasto e desbotado.

 

A poesia

sempre encontra alguma coisa boa,

bela, verdadeira, que nos agrada,

porque revela nossa origem,

na Bondade.

 

A poesia não é só criação da mente;

é do coração, da alma, é das profundezas,

é das origens do Grande Poeta

e Cientista Criador.

 

Todas as coisas

são absorvidas pela alma,

cantadas em sua dignidade,

descobertas no Deus Criador

e amadas apaixonadamente

em sua grandeza”.

São João da Cruz,

Noite Escura, Editora Vozes,

6ª. Edição, página 12.

 

Não é o nada ou o vazio

que a poesia procura,

mas a densidade das coisas,

percebidas em sua profunda ligação

com o mistério, sempre maior”.

São João da Cruz, Noite Escura,

Editora Vozes, 6ª. Edição, página 12.

 

“O poeta, às vezes como profeta,

através do púlpito da poesia

revela onde se encontra a arte

que transfigura as coisas,

abre os olhos dos leitores

e dos admiradores,

para o outro mundo

que habita o mundo,

favorecendo a percepção

da verdadeira beleza”.

São João da Cruz,

Noite Escura,

Editora Vozes,

6ª. Edição, página 13.

 

O poeta tenta

através da linguagem

reproduzir ou traduzir

ou substituir os conceitos,

as palavras ou as coisas,

enxertando sentimentos

que traduzam experiências

inexplicáveis.

 

O poeta faz o esforço

para trazer uma linguagem simbólica,

que mais esconde do que revela,

pois que é a verdade

que procura desenterrar

e colocar à mesa.

 

E só a verdade nos contenta

porque ela é o alimento que permanece,

é o alimento da eternidade.

 

A mentira, a superficialidade,

cedo provoca-nos enjoo.

 

O mistério permanece escondido,

sustentando as colunas da fragilidade.

 

A verdade revela-se aos poucos,

para não cegar.

 

A verdade nos é dada

a conta gotas

para nos dar tempo

para a sua assimilação.

 

Só quem consegue conviver

com o poeta ou com o místico,

conseguirá perceber

o que por fora aparece.

 

Mas o que por dentro borbulha,

não percebemos.

 

Parece que algo precisa continuar

existindo, escondido, veladamente,

mesmo sabendo que existe uma fórmula,

que traduza em luzes o que é escuro,

ainda não percebido, ainda não interpretado,

ainda não aceito como Verdade.

 

Se a palavra dita ou escrita

não consegue dizer tudo,

algo ainda não foi traduzido.

 

Ou já veio à tona,

mas não foi percebido,

não foi interpretado

como Verdade Absoluta.

 

Continuamos a vida,

borbulhando expectativas.

 

Se todas as palavras juntas

procuram comunicar

o que o gemido do poeta quer dizer,

e não conseguem,

algo ainda não foi trazido a público.

 

Está lá, exprimido,

apertado, guardado,

querendo vir à tona.

 

Será o poeta ou o místico,

que há de dar-lhe liberdade?

 

A maneira tradicional, natural,

de nos comunicarmos,

não exerce mais nenhuma atração.

 

Não há mais arte na escrita,

nas conversas, nos discursos,

nas homilias, nas promessas.

 

Tudo se banalizou.

 

Tudo foi decifrado pela mente,

transformado em palavras desarmonizadas,

separadas do Verbo e do Substantivo Eterno,

desenraizadas do Criador.

 

Que a poesia profética nos acorde.

 

Só o que é produto do Perfeito,

e da Perfeição, se aproxima

daquilo que conhecemos como arte

e continua exercendo atração.

 

A poesia, assim como a Profecia,

são formas diferentes

de atrair a atenção dos humanos

que perderam a ligação com sua origem.

 

Onde anda nossa originalidade?

 

Já não sabemos mais ser autênticos.

 

Perdemos sim, nossa originalidade,

nossa ligação com nossa origem,

com o nosso Pai Criador.

 

Se a profecia já não nos toca,

talvez a poesia nos relembre

que não estamos mais ligados

com a divindade.

 

A literatura

disponível no mercado

esvaziou ou banalizou

o conteúdo das religiões.

 

Então, a poesia é mais uma esperança,

uma forma de comunicação

que revela que ainda temos sentimentos,

que ainda temos algo de humanos,

um tiquinho de divino que nos sobrou.

 

Este texto teve a inspiração

e a fonte das citações

retiradas do livro “Noite Escura”,

do São João da Cruz,

Editora Vozes, 6ª. Edição.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 08/05/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACEBOOK em 08/05/2017.

Atualizada em 02/03/2024.





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