domingo, 14 de maio de 2017

398.- Céu. O céu está longe se o ignoro, pertinho se o desejo.




A literatura sobre o céu 

não é tão procurada e disputada 

quanto o tema da Inteligência Artificial.

 

Não entendo a resistência de tanta gente 

que não se aproxima de livros, 

textos, palestras e conversas 

que se referem ao céu.

 

Me atrevo, 

me aventuro nesta trilha 

tão pouco explorada, 

justificando que o céu 

é o nosso futuro.

 

O céu, muito falado, 

pouco conhecido, 

visto de longe, ou de perto, 

depende de sentir mais do que ver, 

depende mais do acreditar e buscar 

do que o de saber que pode até existir, 

mas não se interessar por ele.  

 

O céu, se visto,

palavras não conseguem dizer.

 

Se sentido, há sentido falar do céu.

 

Se ignorado, perdemos.

 

Se aceito, vive e existe.

 

Você olhou para cima hoje?

 

Se sim, você viu

um pedaço do céu.

 

No céu voam pássaros,

aviões e nuvens.

 

Dentro dos aviões, pessoas.

Umas abertas,

outras fechadas.

 

E nós aqui, no chão,

sem voar, olhamos para o céu invisível,

se tornar visível, numa pequena parte,

suficientemente belo, gigante, extenso,

atraente, obra de arte, vestígios do Artista,

Criador dos céus e da Terra.

 

No céu visível,

passeiam pássaros,

aviões e nuvens, espaço livre,

mensagens decifradas,

admiradas por tanto esplendor,

reflexos do Criador.

 

O céu pode estar lá longe,

ou aqui, bem pertinho,

que até dá para senti-lo.

 

A partir do meio-dia

as grossas nuvens foram embora

e deixaram a luz do sol

tocar o chão da terra,

os telhados, a natureza toda,

e minha sensibilidade.

 

Felizmente eu estava fora,

de casa, e de mim mesmo,

aberto, sensível e vivo.

 

Olhei para cima

e vi o céu, visível.

 

Então vi nuvens brancas finíssimas,

pinceladas, quase transparentes,

rabiscadas num fundo azul celeste.

 

Esparramadas, lá, ali e acolá,

em formas desalinhadas,

artisticamente colocadas

por pincéis e mãos

de artista competente.

 

Que espetáculo, gratuito,

sugerindo à minha mente,

ao meu espírito,

parar, sentar-me e degustar,

escutar o bater acelerado

do coração. 

 

De vez em quando

um avião atravessava

a imensidão azulada.

 

Quem me dera estar lá,

dentro da aeronave,

na janela, curtindo tudo do céu. 

 

Dentro dos aviões,

pessoas, fechadas,

não se interessam pelo céu.

 

Pertinho do céu,

mas, com as janelas fechadas

em seus múltiplos interesses,

em seus objetivos e buscas

pelas coisas do chão.  

 

Não abrem as janelas.

 

Não conseguem ver nada

além da multiplicidade de coisas

que levam dentro de si.

 

O que buscam?

Onde vão buscar, tão longe,

se tão perto está o céu.

 

Se, aqui de baixo,

vejo-as dentro dos aviões

buscando o céu,

cruzando mares e fronteiras

e não encontrando em nenhum lugar

o que procuram e que os deixe contentes.

 

Quando estão na terra,

esquecem de olhar para o céu,

e por isso, não sabem bem

o que procurar.

 

Nada aqui na Terra contenta

quem não procurar respostas lá no céu.

 

Nenhum lugar, nenhuma paisagem,

nenhum encontro vai satisfazer

quem não procura, lá no fundo de si,

o Criador do desejo do céu.

 

Aquele que me criou, te criou,

colocou dentro de cada um de nós,

o desejo do céu, da Casa Paterna e Materna.

 

E eu aqui, no chão, sem voar,

vejo o céu invisível se tornar visível

numa pequena parte, suficientemente belo,

atraente, obra de arte, vestígios do Artista.

 

No céu visível,

passeiam pássaros, aviões e nuvens,

criaturas e mensagens decifradas,

admiradas por tanto esplendor,

reflexos do Criador.

 

Olhei para o céu e vi,

e li, e senti, a proximidade que há,

entre mim e Ti.

 

O céu não está tão longe.

Acho que somos nós que não sabemos ver

quem está no céu, dentro de mim.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 14/05/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACEBOOK em 14MAIO2017

Atualizado em 11/10/2020.

Atualizado em 01/03/2024.

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