A literatura sobre o céu
não é tão procurada e disputada
quanto o tema da Inteligência Artificial.
Não entendo a resistência de tanta gente
que não se aproxima de livros,
textos, palestras e conversas
que se referem ao céu.
Me atrevo,
me aventuro nesta trilha
tão pouco explorada,
justificando que o céu
é o nosso futuro.
O céu, muito falado,
pouco conhecido,
visto de longe, ou de perto,
depende de sentir mais do que ver,
depende mais do acreditar e buscar
do que o de saber que pode até existir,
mas não se interessar por ele.
O céu, se visto,
palavras não conseguem dizer.
Se sentido, há sentido falar do céu.
Se ignorado, perdemos.
Se aceito, vive e existe.
Você olhou para cima hoje?
Se sim, você viu
um pedaço do céu.
No céu voam pássaros,
aviões e nuvens.
Dentro dos aviões, pessoas.
Umas abertas,
outras fechadas.
E nós aqui, no chão,
sem voar, olhamos para o céu
invisível,
se tornar visível, numa
pequena parte,
suficientemente belo, gigante,
extenso,
atraente, obra de arte, vestígios
do Artista,
Criador dos céus e da Terra.
No céu visível,
passeiam pássaros,
aviões e nuvens, espaço livre,
mensagens decifradas,
admiradas por tanto esplendor,
reflexos do Criador.
O céu pode estar lá longe,
ou aqui, bem pertinho,
que até dá para senti-lo.
A
partir do meio-dia
as
grossas nuvens foram embora
e
deixaram a luz do sol
tocar
o chão da terra,
os
telhados, a natureza toda,
e
minha sensibilidade.
Felizmente
eu estava fora,
de
casa, e de mim mesmo,
aberto,
sensível e vivo.
Olhei
para cima
e
vi o céu, visível.
Então
vi nuvens brancas finíssimas,
pinceladas,
quase transparentes,
rabiscadas
num fundo azul celeste.
Esparramadas,
lá, ali e acolá,
em
formas desalinhadas,
artisticamente
colocadas
por
pincéis e mãos
de
artista competente.
Que
espetáculo, gratuito,
sugerindo
à minha mente,
ao
meu espírito,
parar,
sentar-me e degustar,
escutar
o bater acelerado
do
coração.
De
vez em quando
um
avião atravessava
a
imensidão azulada.
Quem
me dera estar lá,
dentro
da aeronave,
na
janela, curtindo tudo do céu.
Dentro
dos aviões,
pessoas,
fechadas,
não
se interessam pelo céu.
Pertinho
do céu,
mas,
com as janelas fechadas
em
seus múltiplos interesses,
em
seus objetivos e buscas
pelas
coisas do chão.
Não
abrem as janelas.
Não
conseguem ver nada
além
da multiplicidade de coisas
que
levam dentro de si.
O
que buscam?
Onde
vão buscar, tão longe,
se
tão perto está o céu.
Se,
aqui de baixo,
vejo-as
dentro dos aviões
buscando
o céu,
cruzando
mares e fronteiras
e
não encontrando em nenhum lugar
o
que procuram e que os deixe contentes.
Quando
estão na terra,
esquecem
de olhar para o céu,
e
por isso, não sabem bem
o
que procurar.
Nada
aqui na Terra contenta
quem
não procurar respostas lá no céu.
Nenhum
lugar, nenhuma paisagem,
nenhum
encontro vai satisfazer
quem
não procura, lá no fundo de si,
o
Criador do desejo do céu.
Aquele
que me criou, te criou,
colocou
dentro de cada um de nós,
o
desejo do céu, da Casa Paterna e Materna.
E eu aqui, no chão, sem
voar,
vejo o céu invisível se
tornar visível
numa pequena parte, suficientemente
belo,
atraente, obra de
arte, vestígios do Artista.
No céu visível,
passeiam pássaros, aviões
e nuvens,
criaturas e mensagens
decifradas,
admiradas por tanto
esplendor,
reflexos do Criador.
Olhei para o céu e
vi,
e li, e senti, a
proximidade que há,
entre mim e Ti.
O
céu não está tão longe.
Acho
que somos nós que não sabemos ver
quem
está no céu, dentro de mim.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em 14/05/2017
Publicado no Blog Heipo World
e no FACEBOOK em 14MAIO2017
Atualizado em 11/10/2020.
Atualizado em 01/03/2024.
Leia outros textos:

Nenhum comentário:
Postar um comentário