Antigamente ouvíamos a frase:
“Toda nudez será
castigada”
Hoje queremos
valorizar
a nudez tirando as vestes
que a deformaram,
dizendo “A nudez é
gratificada”.
Chegando bem perto, quase tocando,
deixando cair
levemente o olhar
sobre a nudez, desejamos mostrar
toda a originalidade, a beleza
da criatura nua.
Não é o cabelo,
não é a roupa
ou a maquiagem,
é a nudez que revela
o gênero humano.
A roupa,
as vestes escondem,
enganam e até mentem
quando olhamos para
uma pessoa
e formulamos
conceitos
ou preconceitos sobre
ela.
A cultura,
a aprendizagem,
o que ouvimos dizer,
as fofocas,
as notícias
veiculadas
nos meios de
comunicação
desenham as pessoas
bem coloridas,
com as melhores
roupas,
maquiagem caprichada,
penteados
remunerados.
E as pessoas revelam,
através da aparência,
muito mais
do que não são
do que o que são.
E nos acostumamos
a olhar para as
pessoas,
já com conceitos
completos,
porém, com o olhar
e as impressões
incompletas.
A pessoa nua, se
expõe,
mas não tem nada
para esconder.
A pessoa bem-vestida,
quer aparecer por
fora,
para esconder tudo
o que não é, por
dentro.
A pessoa vestida
se acha, se enfeita,
para esconder o que
é.
Nessa atitude
revela-se fraca,
desconhecida de si
mesma,
insegura, medrosa,
sem apoio,
sem domínio de si,
sem maturidade
personal.
O que é que está
por detrás
das nossas roupagens?
- Está
a vontade inconsciente
de fornecer elementos
para que os outros
nos interpretem
dentro de determinada
classe social,
dentro de determinado
padrão de vida, determinado conceito
de integridade e
perfeição.
- Está
o ego imaturo,
analfabeto, iludido,
fragilizado,
demonstrando
que necessita de
máscaras
para esconder
a ignorância sobre si
mesmo.
Mas o que é que
queremos esconder?
Esconder de quem,
se somos todos
iguais,
se tivemos a mesma
origem
e teremos o mesmo
fim?
O que é que nos leva
a aceitar, de nós
mesmos,
tal atitude de
infantilidade,
de incoerência, de
mentira
que queremos aplicar
em nós mesmos
e nos outros?
Ninguém,
ou quase ninguém
consegue revelar
a autêntica verdade
sobre si mesmo.
Ninguém revela
o negativo
da nossa própria fotografia
para os outros.
Aquilo que aparece
em preto e branco,
deixamos escondido
por sobre nossas
máscaras,
fingimentos e
incoerências.
E, por mais que nos
esforcemos,
nosso ego, nosso
orgulho,
não deixa que nos
revelemos
quem de fato somos.
Não revelamos
porque desconhecemos
a nós mesmos.
Não revelamos
porque não sabemos
como fazer para
revelar.
Se alguém te
pergunta:
‘quem és tu’,
você não saberá
responder,
pois não te conheces
nos níveis mais
profundos.
Quando você não
consegue
levar um diálogo
sério com alguém,
para regiões
de maior
profundidade,
assim como revelar as
origens,
causas e finalidades,
revelamos o nível
superficial
no qual vivemos.
Essa é a grande
verdade.
Somos todos
superficiais.
Vivemos todos
no nível da
superficialidade.
Damos maior valor às
roupas
do que às pessoas,
que estão escondidas,
atrás das vestes.
Estamos quase sempre
atentos
só ao que vemos e
escutamos.
Estamos quase sempre
vivendo através de
reações.
Reagimos facilmente
aos convites
externos.
E temos dificuldades
para atender
aos reclamos
internos.
Vivemos
a partir do que
acontece
fora da zona de
profundidade
onde nosso verdadeiro
eu,
o eu profundo reside.
Para deixar o nosso
eu profundo,
o verdadeiro eu
manifestar-se,
se faz necessário
fazer silêncio
dentro de si mesmo.
Conhecer-se.
Conviver-se em paz.
Permitindo-se
afrontamentos,
onde estamos errados,
onde podemos
e devemos começar
os acertos.
Quem lê muito,
está sempre com a
cabeça
cheia de pensamentos
dos outros.
Quem lê muito
tem necessidade de
refletir muito,
repensar, avaliar e
comparar o que lê,
com a verdade sobre
si mesmo,
que se estampa em seu
consciente,
enquanto lê.
Não se deve ler
como quem bebe ou
ingere líquidos.
Deve-se ler
como quem come
alimentos duros,
que exigem mordidas e
mastigadas.
Acontece
frequentemente
um
sentimento de saturação
de
tudo o que vejo e escuto,
forçando-me
a fechar os livros,
tampar
os ouvidos e fechar os olhos
para
o mundo exterior.
Sinto-me
como alguém
que
está perdendo
o
contato com a vida,
comigo
mesmo.
Preciso
parar,
tirar
as roupas emprestadas
pela
mídia, pelos escritores, faladores,
produtores
de máscaras.
Tenho
de pisar nos freios, parar,
descer,
sair do mundo, do palco.
E
então
abro
de novo meus olhos
e
ponho-me a caminhar,
simplesmente,
observando a vida,
a
natureza, os animais, pássaros e pessoas.
De
novo,
eu,
nu e as demais pessoas,
também
nuas.
Deixo
os livros mortos
e
entranho-me
dentro
do livro dos vivos,
e
aí sim me sinto vibrante,
participando
do livro vivo,
e
da vida nua.
Tire
a roupa da cultura do mundo
e
mostraremos em nossa nudez,
a
essência humana e divina.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 26/09/2017
Publicado no Blog Heipo World
e no FACE em 26/09/2017
Atualizado em 07/02/2024.

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