o
tema da alma.
É
um segredo,
um
mistério
que
habita em mim.
Estou
sempre antenado,
focado
na sua presença.
Sou apaixonado
quando te procuro
e aos poucos te acho,
te encontro,
pelos rastros,
pelas pegadas
que deixa na areia,
antes que as ondas do
mar
venham apagar-te,
antes que o vento te
leve,
antes que as suas
lembranças
sejam apagadas ou
trocadas
por outras mais
sensíveis.
Tudo,
tudo aqui por baixo,
é natural.
Só há uma coisa
sobrenatural,
minha intimidade,
minha interioridade,
a profundidade
insondável
e misteriosa,
a alma
que mora em mim.
Moras em mim
e não te conheço
suficiente.
Mas não és estranha.
Sinto sua
proximidade,
aqui dentro, em algum
lugar
espaçoso, indefinível,
que me mantém aberto.
Por quê te escondes,
e não mostras teu
rosto?
Fazes parte
da minha
interioridade.
Não apareces
porque és humilde e
servidora,
conselheira,
criatura do Criador,
emprestada,
para ajudar-me
na administração
da minha vida.
Como cabes dentro de
mim,
tu que és eterna e
imortal,
e eu passageiro e
mortal?
– Ah! Já sei.
É você que me
incentiva
a ultrapassar-me,
a não aceitar
limites,
a olhar e desejar o
céu.
Só pode ser você
pois que as coisas
por aqui
não exercem tanta
atração
como o infinito, lá
de fora.
Como faço
para não contar o
tempo,
para não deixar o
tempo
gastar meu corpo?
Você que está dentro
de mim
nem liga para o
tempo.
Eu que estou aqui
fora,
sinto o tempo lixar,
e enrugar minha pele,
pesar meus ossos,
cansar a pálpebra
dos meus olhos.
Como pode conviver
comigo?
Sou terráqueo
e você não é do tempo
nem da terra.
Que queres de mim?
Não queres o meu
sossego.
Desperta-me sede e
expectativas.
Sei que não és
visível,
sei que trabalha
de modo invisível,
por trás das cortinas
do palco.
Fazes o trabalho dos
bastidores.
Ninguém te vê,
mas todos enxergam
suas ações, sua maneira de ser,
pela nossa maneira de viver.
No palco da vida,
assumes a direção dos nossos atos,
não nos deixa esquecer o texto
do nosso destino
religioso.
Insiste
em que representemos
personagens divinos,
mais do que simplesmente humanos.
Então nos surpreendemos,
dilatados,
ampliados nosso potencial,
sentimos com mais consciência,
olhamos mais longe,
maior clareza,
a profundidade
de nós mesmos.
Sinto, alma minha
que funcionas como abertura.
Tu me abres as portas
para deixar entrar em minha vida,
o Deus que me criou.
Se não aceito a realidade
Do Deus Pai Criador, em minha vida
não tenho alma, não tenho sentimento,
não tenho inspiração, não tenho sentido,
não tenho abertura,
lugar por onde permito
a entrada daquele que é Origem
e o Fim da vida.
E você, alma minha,
quer facilitar este processo.
É agora, o momento
de me perguntar
se tenho alma,
se tenho deixado minha alma
facilitar este processo.
Tenho liberdade
e o poder de recusar
que Deus seja o Deus da minha vida.
A ganância,
ambições, egoísmo,
desejos por coisas externas,
deixam a alma sufocada,
amordaçada nos porões,
do nosso inconsciente.
Eis a razão
das nossas insatisfações vitais.
A preciosidade da nossa vida
mora dentro de nós,
e se chama alma,
e ela quer manifestar-se,
providenciar alimentos,
nutrientes substanciosos
para nossa fome
de eternidade.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 16/09/2017
Publicado
no Blog Heipo World
e
no FACe em 16/09/2017.
Atualizado em 07/01/2024.

Nenhum comentário:
Postar um comentário