sábado, 16 de setembro de 2017

430.- Alma minha, quem sou eu sem ti.


Encanta-me

o tema da alma.

 

É um segredo,

um mistério

que habita em mim.

 

Estou sempre antenado,

focado na sua presença.

 

Sou apaixonado

quando te procuro

e aos poucos te acho,

te encontro,

pelos rastros,

pelas pegadas

que deixa na areia,

antes que as ondas do mar

venham apagar-te,

antes que o vento te leve,

antes que as suas lembranças

sejam apagadas ou trocadas

por outras mais sensíveis.

 

Tudo,

tudo aqui por baixo,

é natural.

 

Só há uma coisa sobrenatural,

minha intimidade,

minha interioridade,

a profundidade insondável

e misteriosa,

a alma

que mora em mim.

 

Moras em mim

e não te conheço suficiente.

 

Mas não és estranha.

 

Sinto sua proximidade,

aqui dentro, em algum lugar

espaçoso, indefinível,

que me mantém aberto.

 

Por quê te escondes,

e não mostras teu rosto?

 

Fazes parte

da minha interioridade.

 

Não apareces

porque és humilde e servidora,

conselheira,

criatura do Criador,

emprestada,

para ajudar-me

na administração

da minha vida.

 

Como cabes dentro de mim,

tu que és eterna e imortal,

e eu passageiro e mortal?

 

– Ah! Já sei.

É você que me incentiva

a ultrapassar-me,

a não aceitar limites,

a olhar e desejar o céu.

 

Só pode ser você

pois que as coisas por aqui

não exercem tanta atração

como o infinito, lá de fora.

 

Como faço

para não contar o tempo,

para não deixar o tempo

gastar meu corpo?

 

 

Você que está dentro de mim

nem liga para o tempo.

 

Eu que estou aqui fora,

sinto o tempo lixar,

e enrugar minha pele,

pesar meus ossos,

cansar a pálpebra

dos meus olhos.

 

Como pode conviver comigo?

 

Sou terráqueo

e você não é do tempo

nem da terra.

 

Que queres de mim?

 

Não queres o meu sossego.

Desperta-me sede e expectativas.

 

Sei que não és visível,

sei que trabalha

de modo invisível,

por trás das cortinas do palco.

 

Fazes o trabalho dos bastidores.

 

Ninguém te vê,

mas todos enxergam

suas ações, sua maneira de ser,

pela nossa maneira de viver.

 

No palco da vida,

assumes a direção dos nossos atos,

não nos deixa esquecer o texto

do nosso destino

religioso.

 

Insiste

em que representemos

personagens divinos,

mais do que simplesmente humanos.

 

Então nos surpreendemos,

dilatados,

ampliados nosso potencial,

sentimos com mais consciência,

olhamos mais longe,

maior clareza,

a profundidade

de nós mesmos.

 

Sinto, alma minha

que funcionas como abertura.

Tu me abres as portas

para deixar entrar em minha vida,

o Deus que me criou.

 

Se não aceito a realidade

Do Deus Pai Criador, em minha vida

não tenho alma, não tenho sentimento,

não tenho inspiração, não tenho sentido,

não tenho abertura,

lugar por onde permito

a entrada daquele que é Origem

e o Fim da vida.

 

E você, alma minha,

quer facilitar este processo.  

 

É agora, o momento

de me perguntar

se tenho alma,

se tenho deixado minha alma

facilitar este processo.

 

Tenho liberdade

e o poder de recusar

que Deus seja o Deus da minha vida.

 

A ganância,

ambições, egoísmo,

desejos por coisas externas,

deixam a alma sufocada,

amordaçada nos porões,

do nosso inconsciente.

 

Eis a razão

das nossas insatisfações vitais.

 

A preciosidade da nossa vida

mora dentro de nós,

e se chama alma,

e ela quer manifestar-se,

providenciar alimentos,

nutrientes substanciosos

para nossa fome

de eternidade.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 16/09/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACe em 16/09/2017.

Atualizado em 07/01/2024.

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