segunda-feira, 4 de setembro de 2017

426.- Alma alada, alma lavada.



A alma

é mais bem entendida

dentro do contexto,

em que ela se exprime,

dentro do infinito.

 

Através desta pista

conseguimos fazer experiências

com a nossa própria alma, infinita.

 

Aqui no chão, na Terra,

meu corpo pesa

e me puxa para baixo,

e a alma se espreme,

e dentro dos limites, geme.

 

Só quando nos revestimos

com a alma, conseguimos adquirir

a leveza em nosso ser e levantar voos

que nos fazem experimentar

que somos mais, do que sabemos

ou pensamos que somos.

 

Há outros aeroportos

nos quais poderemos explorar

se acoplarmos a alma alada.

 

Aqui me sinto maior,

esticado, ampliado, dilatado,

infinito, nem sinto meu corpo,

sinto mais minha alma

como profundeza, amplidão,

de mim mesmo.

 

A sede que sou,

é por algo ou Alguém,

maior do que me experimento,

talvez seja a alma que vive em mim.

 

Quem sente sede é meu

espírito insaciável,

que nada o contenta

aqui, na Terra.

 

Meu corpo espiritual tem alma,

que só está bem, quando se sente

parte, fazendo parte,

antenado, com o universo.

 

A alma não tem sede,

tem saudades do infinito,

gosta das alturas,

dos espaços sem fim,

além do que os olhos conseguem ver.

 

Lá em cima

sinto minha alma,

extasiar-se, expandir-se

com desejos insaciáveis,

de imortalidade.

 

Aqui, fechado, sem alma,

sofro carências, com as sedes,

do meu corpo, e me acabo.

 

E me canso,

rejeitando a certeza

da morte.

 

O céu,

lá em cima,

solicita a abertura

da alma para dar acabamento,

finalizações ao projeto inicial.

 

Minha alma quer mudanças,

chega de andanças, deseja de novo,

ligar-se, com raízes, na eternidade,

de onde vim, para onde volto.

 

Tem que ter um porto,

um ponto de saída

e um lugar gostoso,

de chegada.

 

No chão,

não está a origem

se é lá de cima

que a saudade bate.

 

É lá que me sinto bem,

sem ainda lá estar.

 

É lá que está a resposta

que meu ser inteiro

quer encontrar,

e que aqui, meu corpo,

não dá esperanças,

de que vai serenar.

 

Mas é com este corpo

que quero ir navegar,

quando minha alma

criar asas e para lá voar.

 

Sinto que há afinidade

em nossas almas,

irradiação de energias,

aproximação de ideais,

desejos de fraterna intimidade,

ânsias de complementação.

 

A alma

é como um carro-forte

que necessita aprendizado

na arte de dirigir.

 

Você a tem,

todos temos.

 

É o dinamismo,

a vida, ainda confusa,

rebelde, desobediente,

como jovem adolescente,

aquela força bruta,

qual arte inativa,

a espera da técnica,

da sábia administração.

 

A alma

não é de natureza mental.

Ela auxilia a sentir.

 

Não sei (saber) nada

sobre minha alma.

Sinto (sentimento) que tenho,

e que sou alma, almado.

 

Só sou verdadeiramente humano,

quando ponho a alma a funcionar.

 

É a alma que sente,

que se enamora,

que reage sensivelmente,

quando se encontra

com outra pessoa,

amiga, querida

ou quase esquecida.

 

A alma

quer que a sua vida

seja emocionante,

e que não seja fria

e indiferente.

 

A alma, nossa alma

se manifesta com emoções,

com sentimentos,

com cuidadosa e carinhosa atenção,

com excesso de afetividade,

e comprometida criatividade amorosa.

 

É a alma que nos desperta

para a curiosidade sobre a vida,

leva-nos a tomar decisões

para superar dificuldades,

motiva-nos para vencer a rotina,

e assim, cria todas as condições

para abrir-nos para o novo.

 

 

Gostaria de sugerir

a leitura de dois livros:

 

·        A Física da Alma

Amit Goswami.

Editora Aleph.

 

·        A Alma, seu segredo e sua força.

Anselmo Grun e Wunibald Muller.

Editora Vozes. 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 04/09/2017

eneaspb@gmail.com

426. Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 04/09/2017

Atualizado em 09/02/2024.

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