sábado, 30 de setembro de 2017

434.- Amigos, para que servem?



Dou chances

para que você se manifeste

como meu amigo,

ou amiga.

 

Escrevo,

cometo erros

de ortografia,

de gramatica,

excesso de palavras,

e você não me corrige,

não me avisa, nem me liga.

 

Não reage.

Não se manifesta.

 

Fica só.

E me deixa só.

 

Falo quando não devia falar,

e você não me corrige.

 

Fico zangado,

calo-me

e você não pergunta

porque estou agindo assim.

 

Você nem sabe

se estou triste

ou alegre.

 

Muitas e muitas vezes,

sou como um palhaço,

de luto,

sofrendo,

mas fiel à intenção,

a preocupação

de te fazer sorrir.

 

Desesperadamente

preciso sentir

que tenho amigos(as).

 

A solidão é pesada demais

para ser carregada sozinho.

 

A solidão

é um fardo

para ser carregada

por dois ou mais amigos

ou por duas ou mais amigas.

 

Estamos tão próximos,

e ao mesmo tempo,

tão longe um do outro.

 

Estamos vivendo

dentro de um mundo

cada vez mais fechado,

isolado,

afastado uns dos outros.

 

Isso não é bom.

É veneno.

 

A multidão

esvazia nossa personalidade,

força-nos a fugir,

afasta-nos

ou esconde-nos,

sufocando,

prejudicando

nossa essência.

 

Somos gente, pessoas vivas.

É o relacionamento com as outras pessoas

que nos revelam que estamos vivos.

 

É o contato com outras pessoas

que reagem ao nosso olhar,

às nossas perguntas,

à nossa necessidade de convivência,

que animam nossa fragilidade,

despertam motivações

e nos testemunham

razões para viver.

 

E não percebemos.

 

Estamos mais individualistas,

egoístas, fechados, quase mortos,

enterrados em nosso mundinho.

Cada vez mais rodeados de gente.

Cada vez menos, de pessoas.

 

Estamos deixando de ser solidários.

Preferimos ser solitários.

 

Menos contato

com os vivos,

com as coisas vivas.

 

Se não despertamos

Da anestesia,

Do sonolência, morreremos logo,

enterrados, sem perceber.

 

Despertar,

sair ao encontro do resto do mundo,

ou de quem vem ao nosso encontro.

 

O mundo vem até nós,

mas não o mundo vivo.

 

Coisas mortas não reagem

e não provocam reações.

 

Quantas pessoas

não se aproximam mais de nós

porque estamos mostrando

que estamos fechados.

 

Olham para nós e

nos vêm fechados,

fechadas, apáticos,

indiferentes,

sem reação,

sem vida.

 

Envolva-se.

Saia do casulo.

Venha para fora.

 

Deixe de prestar culto

à deusa Televisão.

 

Cultive suas amizades.

 

Faça amizades novas.

 

Visite os amigos.

 

Mande e-mail.

 

Mostre que está vivo(a)

 

Marque encontros.

 

Vá ao parque com eles.

 

Caminhe com eles.

 

Reunam-se com os antigos amigos,

num café, numa pizzaria, num bar,

num restaurante, numa aventura,

numa pousada no fim de semana.

 

E conversem sobre assuntos importantes,

não sobre remédios, doenças, limitações,

violências, desastres, calamidades,

fim do mundo.

 

Viva.

Expresse vida.

 

Exercite o que está vivo dentro de você.

 

Vá de encontro ao mundo vivo.

Não espere o mundo morto

vir ao teu encontro.

 

Amigos, para que servem?

- Para amigar, desinstalar,

- Conviver presencialmente.

- Convidar para sair, passear.

- Conversar, dialogando,

partilhando profundidades

o que és, rica interioridade,

experiências humanas e divina.

 

Alegre-se com os amigos.

Ainda não estás robotizada(o).

  

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 30/09/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 30/09/2017

Atualizado em 06/02/2024

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