segunda-feira, 19 de março de 2018

470.- Dia. De novo, um novo dia, para cada um de nós.




Se a cada noite,
dormimos,
quase morremos,
a cada novo dia,
acordamos,
e de novo revivemos.

 

O dia morre

quando chega a noite.


A noite também morre,

quando o dia chega,

e ambos renascem,

cada dia,

cada noite.

 

Amanhã,

um novo dia,

vem vindo.

 

Há, se eu pudesse

recuperar todos os dias

mal vividos e de novo,

vive-los, condensando

todo o amor que recebi,

os bons momentos,

e em que senti,

emoções,

pensamentos,

que me levaram

para lá,

onde meus sonhos

se realizaram.

 

O que este novo dia

vai trazer para mim?

 

Vou encontrar alguém,

quem quer que seja,

dizer alegre,

‘bom dia’,

trazê-la para viver,

dentro de mim.

 

Quem sou eu,

neste imenso universo?

 

Que maravilha poder viver,

aqui, onde estamos,

eu e você,

nós todos,

neste cenário estupendo,

a terra,

onde mudamos os passos,

vamos para lá,

voltamos para cá,

comemos e bebemos,

como irmãos,

uns ao lado dos outros.

 

Sou alguém, especial?

 

De dia,

as coisas acontecem,

às claras,

como desejamos.

 

De noite,

vem as surpresas.

 

Sou bem tratado pela vida,

pelos parentes e amigos,

pessoas,

que vivem também,

tão próximas de mim,

a natureza toda,

equilibrada,

em paz e harmonia,

cuidando de mim.

 

Para o relógio,

as coisas sempre rolam

dentro da rotina.

Para nós, humanos,

cada dia,

é um dia novo,

novinho em folha,

pronto para uso.

 

E amanhã,

é um novo dia,

que vem vindo,

em minha direção,

e até parece que foi feito,

só para mim.

 

Incrível este dia

durar tanto tempo;

dá para trabalhar,

comer,

descansar,

brincar,

encontrar-te

e contar-te,

como é gostoso

viver.

 

Ontem, foi um bom dia.

Hoje, está bom demais.

E o amanhã, vem vindo,

teimando, insistindo

para que eu o viva

intensamente,

de novo.

 

Como desejo,

encher de vida,

estes dias

que vem vindo,

em minha direção

para colocar dentro deles,

emoções, lembranças,

guardá-las

para revivê-las

lá na frente.

 

Todo dia

o sol se levanta

mais cedo do que eu

e me oferece um dia pela frente.

 

À noite não haverá claridade,

mas se eu permanecer

diante do sol,

grande parte do dia,

a noite será mais iluminada.

 

Se o sol

não estiver visível

durante o dia,

como serão minhas noites?

 

Não, desta vez

não vai ser assim.

Desta vez, sou eu

que vou esperar o sol,

trazer luz,

e daí vou conversar com ele,

sobre os meus projetos para este dia.

 

Vou achar tempo

para dançar,

correr,

pular corda,

assobiar,

encontrar-me contigo,

escutar o que desejas

dizer-me.

 

Daí sim,

vou contar com a ajuda dele

para saber onde vou colocar

os meus passos.

 

Geralmente é assim:

quando levanto,

já está tudo definido

sobre o que devo fazer.

 

Quando levanto,

o sol já cumpriu um quarto

da sua responsabilidade,

e eu,

mal comecei o meu dia.

 

Ontem

o sol esteve por aqui,

deixou suas marcas,

a pele quentinha.

 

 

Hoje, vou levantar,

quando ainda o sol

estiver vindo,

lentamente,

lá do oriente.

 

Ainda escuro,

sem luzes,

vou sentar e esperar

que ele me traga luz,

claridade,

e entregue,

em minhas mãos,

um novo dia,

cheio

de vinte e quatro horas.

 

Ouvindo o silêncio do amanhecer,

alguns pássaros cantando,

e um galo anunciando

a chegada do sol,

sentei-me e esperei.

 

E o sol vem vindo,

de mansinho,

pintando rabos de galo

no espaço celeste,

com a ajuda do vento,

montando figuras

malformadas

pela nevoa

quase transparente,

vestindo o nu invisível

da natureza viva,

mil cores a enfeitar

e descortinar a abertura

de um novo dia

no palco da vida.

 

Os ouvidos ouvem,

os olhos curtem

e a pele sente

o frescor do amanhecer.

 

O silêncio ainda está por ali,

sem pressa de ir embora,

porque faz parceria

com o contexto,

da beleza,

do amanhecer.

 

O sol,

aparece,

lá longe,

no horizonte,

avisando com seus raios,

que quer conversar.

 

Aparece redondo,

vermelho,

vivo e alegre,

tocando de leve,

com ternura,

o meu rosto e meus braços,

tomando a iniciativa do diálogo,

nem sequer esperando

que lhe diga algo:

 

E o Sol,

antes de mim,

toma iniciativa,

e me diz:

 

 

Hoje quero te ver contente,

esbanjando valores,

entusiasmo,

alegria

e admiração.

 

Estou vindo

para você perceber

de quantos motivos e ações

você pode encher

o teu dia.

 

Não, não se preocupe

em responder.

 

Apenas acolha-me,

aceite-me e ame-me

como Alguém

que tem prazer em te servir.

 

Fiquei ali,

milhares de segundos

até voltar a consciência

de quem eu sou

e do que estou fazendo aqui,

como um eremita,

contemplativo.

 

Eu parado,

e o sol ‘andando’.

 

Eu quieto

e passivo,

e o sol,

quente

e ativo.

 

Então compreendi

que quando olhamos para cima,

para o céu,

para o divino,

não somos nós

quem devemos falar,

e sim, captar,

receber, escutar,

sintonizar

com o que,

de mais importante necessitamos,

como seres humanos:

escutar declarações de amor,

do Criador, nosso Pai.

 

Não temos nada,

a pedir

para o Deus,

nosso Pai e Criador,

provedor

de todas

as nossas necessidades.

 

Tudo o que precisamos,

já recebemos

e está ao nosso dispor.

 

O dia,

as vinte e quatro horas,

são a matéria prima

onde colocamos nossos dons

e qualidades

a serviço uns dos outros,

com o Sol por testemunha,

assistindo,

risonho,

nossas ações

dentro do dia,

gratuitamente recebido,

e bem vivido.

 

E o sol se foi,

deixando a noite,

quieta,

a paz,

como recompensa,

prêmio,

por um dia

bem vivido.

 

“Pois,

se algum dia

há de ser,

se algum dia

havemos de abrir os olhos,

se algum dia

nos havemos de resolver,

por que não ser

neste dia de hoje”?

Padre Antonio Vieira

 

Você já se fez esta pergunta?

“Sou alguém, especial”?

 

Se ganhas

um dia atrás do outro,

gratuitamente,

e ainda anda por aqui,

então, concluo e respondo:

Sim, és alguém muito especial.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 20/03/2018. 

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo’s World

e no FACE em 20/03/2018


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