O dia morre
quando
chega a noite.
A noite também
morre,
quando o
dia chega,
e ambos
renascem,
cada dia,
cada noite.
Amanhã,
um novo dia,
vem vindo.
Há, se eu pudesse
recuperar todos os dias
mal vividos e de novo,
vive-los, condensando
todo o amor que recebi,
os bons momentos,
e em que senti,
emoções,
pensamentos,
que me levaram
para lá,
onde meus sonhos
se realizaram.
O que este novo dia
vai trazer para mim?
Vou encontrar alguém,
quem quer que seja,
dizer alegre,
‘bom dia’,
trazê-la para viver,
dentro de mim.
Quem sou eu,
neste imenso universo?
Que maravilha poder viver,
aqui, onde estamos,
eu e você,
nós todos,
neste cenário estupendo,
a terra,
onde mudamos os passos,
vamos para lá,
voltamos para cá,
comemos e bebemos,
como irmãos,
uns ao lado dos outros.
Sou alguém, especial?
De dia,
as coisas acontecem,
às claras,
como desejamos.
De noite,
vem as surpresas.
Sou bem tratado pela vida,
pelos parentes e amigos,
pessoas,
que vivem também,
tão próximas de mim,
a natureza toda,
equilibrada,
em paz e harmonia,
cuidando de mim.
Para o relógio,
as coisas sempre rolam
dentro da rotina.
Para nós, humanos,
cada dia,
é um dia novo,
novinho em folha,
pronto para uso.
E amanhã,
é um novo dia,
que vem vindo,
em minha direção,
e até parece que foi feito,
só para mim.
Incrível este dia
durar tanto tempo;
dá para trabalhar,
comer,
descansar,
brincar,
encontrar-te
e contar-te,
como é gostoso
viver.
Ontem, foi um bom dia.
Hoje, está bom demais.
E o amanhã, vem vindo,
teimando, insistindo
para que eu o viva
intensamente,
de novo.
Como desejo,
encher de vida,
estes dias
que vem vindo,
em minha direção
para colocar dentro deles,
emoções, lembranças,
guardá-las
para revivê-las
lá na frente.
Todo dia
o sol se levanta
mais cedo do que eu
e me oferece um dia pela frente.
À noite não haverá claridade,
mas se eu permanecer
diante do sol,
grande parte do dia,
a noite será mais iluminada.
Se o sol
não estiver visível
durante o dia,
como serão minhas noites?
Não, desta vez
não vai ser assim.
Desta vez, sou eu
que vou esperar o sol,
trazer luz,
e daí vou conversar com ele,
sobre os meus projetos para este dia.
Vou achar tempo
para dançar,
correr,
pular corda,
assobiar,
encontrar-me contigo,
escutar o que desejas
dizer-me.
Daí sim,
vou contar com a ajuda dele
para saber onde vou colocar
os meus passos.
Geralmente é assim:
quando levanto,
já está tudo definido
sobre o que devo fazer.
Quando levanto,
o sol já cumpriu um quarto
da sua responsabilidade,
e eu,
mal comecei o meu dia.
Ontem
o sol esteve por aqui,
deixou suas marcas,
a pele quentinha.
Hoje, vou levantar,
quando ainda o sol
estiver vindo,
lentamente,
lá do oriente.
Ainda escuro,
sem luzes,
vou sentar e esperar
que ele me traga luz,
claridade,
e entregue,
em minhas mãos,
um novo dia,
cheio
de vinte e quatro horas.
Ouvindo o silêncio do amanhecer,
alguns pássaros cantando,
e um galo anunciando
a chegada do sol,
sentei-me e esperei.
E o sol vem vindo,
de mansinho,
pintando rabos de galo
no espaço celeste,
com a ajuda do vento,
montando figuras
malformadas
pela nevoa
quase transparente,
vestindo o nu invisível
da natureza viva,
mil cores a enfeitar
e descortinar a abertura
de um novo dia
no palco da vida.
Os ouvidos ouvem,
os olhos curtem
e a pele sente
o frescor do amanhecer.
O silêncio ainda está por ali,
sem pressa de ir embora,
porque faz parceria
com o contexto,
da beleza,
do amanhecer.
O sol,
aparece,
lá longe,
no horizonte,
avisando com seus raios,
que quer conversar.
Aparece redondo,
vermelho,
vivo e alegre,
tocando de leve,
com ternura,
o meu rosto e meus braços,
tomando a iniciativa do diálogo,
nem sequer esperando
que lhe diga algo:
E o Sol,
antes de mim,
toma iniciativa,
e me diz:
Hoje quero te ver contente,
esbanjando valores,
entusiasmo,
alegria
e admiração.
Estou vindo
para você perceber
de quantos motivos e ações
você pode encher
o teu dia.
Não, não se preocupe
em responder.
Apenas acolha-me,
aceite-me e ame-me
como Alguém
que tem prazer em te servir.
Fiquei ali,
milhares de segundos
até voltar a consciência
de quem eu sou
e do que estou fazendo aqui,
como um eremita,
contemplativo.
Eu parado,
e o sol ‘andando’.
Eu quieto
e passivo,
e o sol,
quente
e ativo.
Então compreendi
que quando olhamos para cima,
para o céu,
para o divino,
não somos nós
quem devemos falar,
e sim, captar,
receber, escutar,
sintonizar
com o que,
de mais importante necessitamos,
como seres humanos:
escutar declarações de amor,
do Criador, nosso Pai.
Não temos nada,
a pedir
para o Deus,
nosso Pai e Criador,
provedor
de todas
as nossas necessidades.
Tudo o que precisamos,
já recebemos
e está ao nosso dispor.
O dia,
as vinte e quatro horas,
são a matéria prima
onde colocamos nossos dons
e qualidades
a serviço uns dos outros,
com o Sol por testemunha,
assistindo,
risonho,
nossas ações
dentro do dia,
gratuitamente recebido,
e bem vivido.
E o sol se foi,
deixando a noite,
quieta,
a paz,
como recompensa,
prêmio,
por um dia
bem vivido.
“Pois,
se
algum dia
há
de ser,
se
algum dia
havemos
de abrir os olhos,
se
algum dia
nos
havemos de resolver,
por
que não ser
neste
dia de hoje”?
Padre Antonio Vieira
Você já se
fez esta pergunta?
“Sou alguém, especial”?
Se ganhas
um dia
atrás do outro,
gratuitamente,
e ainda anda
por aqui,
então,
concluo e respondo:
Sim, és
alguém muito especial.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 20/03/2018.
Publicado
no Blog Heipo’s World
e
no FACE em 20/03/2018

Nenhum comentário:
Postar um comentário