quarta-feira, 31 de agosto de 2016

341.- Vida com amor é como viver num frágil barquinho que navega no mar.




A vida acontece
    no meio do mar,
        dentro de um frágil barquinho.

                    Se o barquinho
                    estiver carregado
                    de amor,
                    a travessia do mar
                    será uma aventura
                    afetiva, eternizante. 

Assim somos nós:
frágeis barquinhos
navegando no mar
da vida.

A imensidão do mar
não nos deixa amedrontados
porque quem está no leme
do nosso barquinho
é nosso anjo da guarda,
assessorado pelo Espírito Santo.

Dentro do mar,
no meio do mar,
navegamos
dentro de um rio de água doce,
que desliza,
abrindo caminho na água,
levantando espumas de admiração. 

E o rio onde navegamos
é uma fina correnteza
dentro do grosso mar infinito.

O mar nos envolve,
pela direita e pela esquerda,
com água salgada.

Mesmo em meio
a uma espessa neblina,
seguimos em frente,
confiantes e serenos.

Não nos abalamos
a ponto de perder as esperanças.


Estamos equipados
com o GPS da fé.
Sabemos que acima das nossas cabeças,
o nevoeiro já não alcança,
e as estrelas lá estão,
referência celestial,
para quem,
no meio do mar,
nada mais vemos.  

O nevoeiro vem e vai
mostrando e escondendo referencias.

Como você se sentiria,
lá dentro do mar,
se teu barquinho,
num determinado momento
deixasse de funcionar
os instrumentos de orientação?

De repente o
motor do teu barco
parou de funcionar.

Deu pane total.
Não existe mais comunicação.
Nada mais funciona.

Você olha
para todos os lados
e para cima
e não vê mais nenhuma referência.

Só água.

E a correnteza a te levar,
mar a dentro, vida a fora.

Não existem montanhas
no horizonte
que te sirvam de referência,
que te tragam a segurança
de onde está.

Você apenas sabe
que está no meio do mar,
ainda com vida.

E está dentro
de um frágil barquinho.

E você se encontra lá,
sozinho(a).

Lá no meio do mar,
mesmo que estejas
dentro de um barco,
com o tanque cheio de combustível,
mesmo que tenhas
muitos galões de água
para matar a sede,
e estejas equipado com varas,
linhas e anzóis,
e tenhas iscas para muitos dias,
sabe que poderá pescar peixes
e saciar a tua fome,
mas se te falta uma coisa,
uma só coisa,
te falta tudo,
e o desespero
baterá à tua porta.

Se tem mais alguém
dentro do barco,
enfrentaremos qualquer aventura.

Se tem alguém
que eu ame e que me ame.

A falta de amor
na nossa vida
pode provocar dúvidas,
sentimentos de perda, dores,
sofrimentos e doenças incuráveis.

A presença
de pessoas amorosas,
em nossa vida,
possui o poder
de fazer a esperança se manter,
e até pode provocar o milagre
de trazer a vida de volta
para a terra firme.

É o amor
a ferramenta essencial
que faz com que o frágil barquinho
da nossa vida
navegue serenamente
dentro do mar revolto da vida.

O ser humano
nasceu de um ato de amor.

O ser humano
encontra motivações extras
e extraordinárias
para a sua vida
quando se sente amado.

O motor da vida
do ser humano
entra em pane
quando percebe
a falta de atitudes amorosas
para com a sua pessoa.

O que equilibra
e amadurece as crianças
e as pessoas adultas
são as atitudes amorosas
que percebem nas pessoas
com quem convive.

Pessoas desprezadas
adoecem, desequilibram-se.

Pessoas não amadas
entram em depressão
e reduzem a sua vida
aos níveis de autoestima
tão baixos
a ponto de desaparecerem
os outros valores referenciais
e até o desejo de continuar a viver.

Pessoas ignoradas
fazem algazarra
procurando chamar atenção,
pois que necessitam
de demonstrações de apreço
e valorização.

Comemos demais, bebemos demais,
ingerimos todo tipo de comida,
bebidas e drogas
para preencher o vazio
que só atitudes amorosas
podem preencher.

A falta de sentir-se amado (a)
é a principal causa
dos desequilíbrios sociais
da humanidade.

Somos sim,
responsáveis
pelos desequilíbrios
das outras pessoas.

Somos sim,
responsáveis
pelo equilíbrio,
motivações,
saúde,
entusiasmo
e amadurecimento
das outras pessoas.

Toda pessoa 
tem o dom
e o potencial
de ser terapeuta
do seu próximo.

Você pode completar
o meu tanque de afeto,
que está sempre
no nível mais baixo.

Todos estamos
com o tanque afetivo
quase sempre
no nível mínimo.

O que podemos fazer?
O que estamos fazendo?

 Observe as crianças.

 Observe como você demonstra
amor e carinho para as crianças,
principalmente se são seus filhos pequenos.

Agora avalie a diferença,
comparando como você se comporta
com os adultos.

Parece que a atmosfera natural
do amor,
do afeto,
do carinho
é só para as crianças.

No mundo adulto
estas atitudes
ficam reservadas
para a intimidade
de namorados,
noivos e casais.

Aquilo que deveria ser natural
nos nossos relacionamentos
com todo mundo,
fica restrito ao mundo da família.

Por isso é importante a família.

Mas existe uma família maior,
a família do nosso condomínio,
do nosso bairro, da nossa cidade.

Se existe um ideal de vida,
que seja natural,
este ideal deve ser vivido
e estendido para todos os ambientes.

A experiência do amor
sentido e doado
é importante
para que nossos relacionamentos
não petrifiquem,
não se brutalizem
ou então, não caiam na apatia
ou na indiferença
ou até no exílio da rejeição.


Para qualquer pessoa crescer equilibrada
e capaz de evoluir,
ela necessita amar 
e sentir-se amada.

Assim como o corpo sem roupas 
sente o frio, a pessoa sem amor
sente a frieza na alma
e fica exposta às doenças do ateísmo
e da apatia dos cristãos.

As pessoas 
que encontram difículdades 
no relacionamento com outras pessoas,
são assim, porque sentem-se
carentes de afeto.

O afeto para a pessoa 
é como o ar para nós,
e como a água para os peixes.

O coração foi feito para amar.

A razão foi feita para pensar 
e perceber essa carência nos outros. 

O coração, onde nasce o afeto,
atrai e sente-se atraído.

É no coração
que reside fonte da sensibilidade.

O ser humano
tem necessidade de amar
e sentir-se amado.

A pessoa humana,
na sua fase de primeira
e segunda infância
é naturalmente afetiva.

Na adolescência
distorce-se ou dificulta-se
a continuidade desta qualidade
pela rebeldia,
busca da afirmação de si
e a busca de autonomia.

As atitudes naturais
da adolescência
produzem
as também naturais resistências
e conflitos dentro de si mesmo,
dentro da própria família
e com os outros,
com quem convive.

É na adolescência
que a potência do amor
começa a afastar-se
da dinâmica 
da vida significativa.

Logo a seguir
entra-se na fase adulta
e a aridez, a secura,
a ausência de manifestações afetivas
entram em cena
de modo mais acentuado,
provocando o rompimento
do cordão umbilical afetivo.

Na idade adulta,
nem percebemos
que as ambições desumanas,
a ganância desenfreada,
os interesses egoísticos,
o status alcançado
e o falso orgulho,
começam a criar barreiras,
preconceitos, discriminações
e até rejeições e exclusões definitivas.

Tudo isso provoca distanciamentos
que nos fazem mal,
desequilibram,
esvaziam ainda mais
o tanque de afetividade
tão necessário
como o ar que respiramos.

E depois, desumanizados
nos acostumamos com a sede,
com a fome,
com a indiferença,
a falta de sensibilidade
para com a sensibilidade dos outros.

E depois aparecem
a violência e as atitudes desumanas
que o instinto de sobrevivência
permite que aconteçam.

O Instinto de sobrevivência
é mais forte do que as normas morais.

O instinto de sobrevivência
é mais poderoso
do que muros e casas fortificadas.

Não respeita
nem mesmo as altas autoridades,
quem quer que seja.

Na pedagogia do amor
está a solução
para todas as dificuldades
existenciais das pessoas.

Encontra-se o sentido da vida
quando se percebemos que é ajudando os outros
que nos realizamos como pessoas. 

Ensine as pessoas a amar
e todos os problemas do mundo
desaparecerão ou pelo menos serão menores. 

O mundo não está contaminado.

Se estiver, só o amor cura.

Um pouco de amor
cura qualquer doença,
imagine, muito amor.

O amor
é a energia mais potente
do universo.

Se explodir,
salvará o mundo.

Aquele que ama
tem lugar em qualquer espaço,
porque o amor abre todas as portas
e se realiza em qualquer serviço.

Quem ama, amadurece e cresce.

O egoísta é como o repolho,
só cresce para dentro de si mesmo. 

Amamos
quando depositamos confiança
na pessoa, seja ela quem for.

Amamos
quando acolhemos a pessoa
como ela é.

Amamos
quando desejamos
e tudo fazemos
para que o outro seja feliz.

Amor verdadeiro
é o amor correspondido,
exemplo dado
pela vida e morte,
do Jesus Cristo.

Assim somos nós:
frágeis barquinhos
navegando dentro do mar
da vida, com um combustível
eterno, que se chama AMOR.



Eneas Paulo Budel Bogucheski

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Atualizado em 14/04/2017
Atualizado em 08 06 2026

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