sábado, 6 de agosto de 2016

331.- Alma. Ver com os olhos e enxergar com a alma.



Se tem algo de valor no ser humano

é o par de olhos.

 

Olhar é apenas uma ação.

Ver é um acréscimo.

 

Olhar é natural.

Ver exige aprendizado.

 

Olhar e ver com profundidade,

é algo bem mais perfeito.

 

Quanta alegria pode ser degustada

quando tomamos consciência

deste fantástico dom

que todo ser humano possui.

 

Dois elementos interagem:

os olhos que veem

e os objetos que atraem.

 

Quase não há mérito em apenas olhar.

 

Ver, ver mais detalhadamente,

enriquece e alegra o observador.

 

Quanto sofre

uma pessoa cega.

 

Sofre mais  

quem ficou cega

após muitos anos

usando seus olhos.

 

Sofre porque via

e não se lembra de ter curtido

as belezas que seus olhos miravam.

 

Não sofre muito

quem nasceu cego.

 

Quem possui olhos

e não vê direito,

não é alegre.

 

Porque é vendo

que a alegria nasce

para iluminar a vida.

 

Esplêndido é entender

como o simples olhar

consegue levar

até lá dentro de cada um de nós,

todos os elementos externos

provocando a admiração, o prazer,

o êxtase em nossa consciência íntima.

 

O olhar ativa a sensibilidade.

A sensibilidade acorda a consciência.

A consciência move a alma a gritar: beleza.

 

O olhar provoca a paixão,

esquenta o sangue,

acende a faísca

do amor.

 

E as estrelas lá longe,

piscando, respondendo

ao nosso olhar de encantamento.

 

Olhar para cima, para o alto,

até onde a vista alcança

dá-nos a sensação

de estar já vendo

parte do céu.

 

O céu se torna visível

quando o vemos

com o olhar da alma.

 

Os olhos possuem quatro funções:

Olhar, ver, derramar lágrimas

e brilhar. 

 

Olhar, só olhar é pouco.

Não se vê a mensagem,

a arte e as bênçãos.

 

Quero aprender a ver

com os poetas,

que, com frases curtas,

revelam a beleza do olhar

que colhe o mel.

 

Quero aprender a ver

com os puros de coração.

 

Meus olhos estão embaçados,

minha mente,

e meus pensamentos encardidos,

por conceitos e preconceitos.

 

Esvaziarei minha mente,

lavarei meus pensamentos.

 

Com a calma,

no silêncio,

enxugarei os cantos,

criarei mais espaços

para a contemplação.

 

Só quero olhar, e ver,

sem mentalizar.

 

Só quero curtir

aquilo que atrair.

 

Só quero ser, vendo,

deixando-me sem palavras,

mudo, seduzido.  

 

Quero aprender a olhar

como as mães veem seus filhos.

 

Quero aprender a ver

como os místicos,

que enxergam

com os olhos do Deus Pai.

 

O que não vemos,

que é especial,

está atrás das aparências.

 

 Quantas mensagens,

quanta bondade escondida

lá dentro, quantas riquezas no cofre.

 

Na carta, dentro do envelope

está a mensagem invisível

que os olhos não conseguem ver.

Tem-se que deixar para a alma ler.

 

A natureza, as pessoas,

são sacramentos,

mensagens de grandeza,

mistério e beleza,

obra prima, inacabada,

do Pai Criador.

 

Ainda sou como um cego

recuperando a visão:

não vejo ainda com muita clareza

os mistérios que estão,

no altar da criação. 

 

Ainda sou como um cego

desejando ardentemente

ver o invisível, o mistério,

meu destino. 

 

Como um cego, recuperando a visão,

ainda não vejo com clareza.


Desejo ver com a alma,

os mistérios que estão

no altar da criação.

 

Já aprendi

que lá dentro das coisas,

dentro das pessoas, 

tem muito mais

do que aparências.

 

Já decifrei alguns códigos

nos elementos da natureza,

e na natureza humana.

 

O que existe fora de mim,

envia mensagens para minha alma,

para acordar meus anseios da eternidade.

 

Inspirado numa frase

do poeta Rubem Alves,

termino este texto

sobre o aprendizado

da arte de ver:

 

“Se meus olhos estiverem

dentro da caixa de ferramentas,

a beleza passará e não perceberei.

Se meus olhos estiverem

fora da caixa de brinquedos,

a beleza passará,

piscará para mim,

e juntos sairemos,

passeando, nos divertindo”.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 18/12/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

em 06/08/2016, atualizado e publicado

no FACE em 19/12/2017.

Atualizado em 10/02/2024.

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