Se tem algo de valor no ser humano
é o
par de olhos.
Olhar
é apenas uma ação.
Ver é
um acréscimo.
Olhar
é natural.
Ver
exige aprendizado.
Olhar
e ver com profundidade,
é
algo bem mais perfeito.
Quanta
alegria pode ser degustada
quando
tomamos consciência
deste
fantástico dom
que
todo ser humano possui.
Dois
elementos interagem:
os
olhos que veem
e os
objetos que atraem.
Quase
não há mérito em apenas olhar.
Ver,
ver mais detalhadamente,
enriquece
e alegra o observador.
Quanto
sofre
uma
pessoa cega.
Sofre
mais
quem
ficou cega
após
muitos anos
usando
seus olhos.
Sofre
porque via
e não
se lembra de ter curtido
as
belezas que seus olhos miravam.
Não
sofre muito
quem
nasceu cego.
Quem
possui olhos
e não
vê direito,
não é
alegre.
Porque
é vendo
que a
alegria nasce
para iluminar
a vida.
Esplêndido
é entender
como
o simples olhar
consegue
levar
até
lá dentro de cada um de nós,
todos
os elementos externos
provocando
a admiração, o prazer,
o
êxtase em nossa consciência íntima.
O
olhar ativa a sensibilidade.
A
sensibilidade acorda a consciência.
A
consciência move a alma a gritar: beleza.
O
olhar provoca a paixão,
esquenta
o sangue,
acende
a faísca
do
amor.
E as
estrelas lá longe,
piscando,
respondendo
ao
nosso olhar de encantamento.
Olhar
para cima, para o alto,
até
onde a vista alcança
dá-nos
a sensação
de
estar já vendo
parte
do céu.
O céu
se torna visível
quando
o vemos
com o
olhar da alma.
Os
olhos possuem quatro funções:
Olhar,
ver, derramar lágrimas
e
brilhar.
Olhar,
só olhar é pouco.
Não
se vê a mensagem,
a
arte e as bênçãos.
Quero
aprender a ver
com
os poetas,
que,
com frases curtas,
revelam
a beleza do olhar
que
colhe o mel.
Quero
aprender a ver
com
os puros de coração.
Meus
olhos estão embaçados,
minha
mente,
e
meus pensamentos encardidos,
por
conceitos e preconceitos.
Esvaziarei
minha mente,
lavarei
meus pensamentos.
Com a
calma,
no
silêncio,
enxugarei
os cantos,
criarei
mais espaços
para
a contemplação.
Só
quero olhar, e ver,
sem
mentalizar.
Só
quero curtir
aquilo
que atrair.
Só
quero ser, vendo,
deixando-me
sem palavras,
mudo,
seduzido.
Quero
aprender a olhar
como
as mães veem seus filhos.
Quero
aprender a ver
como
os místicos,
que
enxergam
com
os olhos do Deus Pai.
O que
não vemos,
que é
especial,
está
atrás das aparências.
Quantas mensagens,
quanta
bondade escondida
lá
dentro, quantas riquezas no cofre.
Na
carta, dentro do envelope
está
a mensagem invisível
que
os olhos não conseguem ver.
Tem-se
que deixar para a alma ler.
A
natureza, as pessoas,
são sacramentos,
mensagens
de grandeza,
mistério
e beleza,
obra
prima, inacabada,
do
Pai Criador.
Ainda
sou como um cego
recuperando
a visão:
não
vejo ainda com muita clareza
os
mistérios que estão,
no
altar da criação.
Ainda
sou como um cego
desejando
ardentemente
ver o
invisível, o mistério,
meu
destino.
Como
um cego, recuperando a visão,
ainda
não vejo com clareza.
Desejo
ver com a alma,
os
mistérios que estão
no
altar da criação.
Já
aprendi
que
lá dentro das coisas,
dentro
das pessoas,
tem
muito mais
do
que aparências.
Já
decifrei alguns códigos
nos
elementos da natureza,
e na
natureza humana.
O que
existe fora de mim,
envia
mensagens para minha alma,
para
acordar meus anseios da eternidade.
Inspirado numa frase
do poeta Rubem Alves,
termino este texto
sobre o aprendizado
da arte de ver:
“Se
meus olhos estiverem
dentro
da caixa de ferramentas,
a
beleza passará e não perceberei.
Se
meus olhos estiverem
fora
da caixa de brinquedos,
a
beleza passará,
piscará
para mim,
e
juntos sairemos,
passeando,
nos divertindo”.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 18/12/2017
eneaspb@gmail.com
Publicado no Blog Heipo World
em 06/08/2016, atualizado e publicado
no FACE em 19/12/2017.
Atualizado em 10/02/2024.

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