Diante
de tantos meios de comunicações
me
questiono, se devo continuar escrevendo.
Diante
das contínuas avalanches
de
mensagens escritas,
faladas,
imagens e sons,
não
estou chovendo
no
molhado?
Me
questiono e me posiciono
diante
de mim mesmo
se
devo tomar uma decisão
de
covardia e desistência
ou
se devo continuar escrevendo,
sendo
coerente e verdadeiro.
Estamos
num mundo dividido
Por
um lado, pela verdade,
e
a mentira, do outro lado.
Caminhar
ou persistir
nos
caminhos da verdade,
me
parece, tem mais luz,
mas
clarividência,
mais
discernimento,
mais
liberdade.
E
aqueles que continuam
no
caminho da mentira,
alienados
da verdade,
continuam
sonambulando,
caminhando
no dia,
como
se fosse noite,
sem
as luzes da verdade
que
liberta.
Muitos
continuam na escravidão
do
conforto, do comodismo,
da
insensibilidade, da apatia,
da
falta de fé,
sem
saber como expressar
seu
senso crítico
e
sem forças
para
tomar decisões
comprometedoras.
Escrevo
para provocar
questionamentos,
perguntas, pesquisas,
mudanças, conversões,
novos caminhos.
Escrevo
colocando argumentos,
com a intenção de abrir janelas,
portas, frestas, brechas,
saídas, aberturas,
conhecimento mais profundo
de si mesmo,
escaladas em montanhas
cada vez mais altas,
que possibilitam visões
para mais longe.
Escrevo
para despertar potências ocultas
que existem em cada ser humano,
capaz de transformá-lo
num gênio,
num artista,
num poeta,
ou num
possível profeta.
Escrevo
para desacomodar,
para tirar a poeira de cima,
para deixar transparecer
a nobreza do material
com que fostes feito.
Escrevo
olhando para você,
para o que você faz
e como você se sente.
Escrevo
me perguntando
quais perguntas você se faz.
Escrevo
e pesquiso, procurando
deixar o teu caminho mais curto,
revelando as respostas que procuras.
Escrevo
para saciar a sua sede
de verdades absolutas.
Escrevo
te mostrando aos olhos,
te contando aos ouvidos,
não o que queres,
mas o que precisas.
Eu escrevo.
Você lê,
se precisa.
Naquilo que escrevo,
como num espelho te vês.
Naquilo que escrevo,
como num júri,
me julga e te julgas,
sem testemunhas.
Naquilo que lês,
te vês, lá dentro,
onde a sua consciência
dorme tranquila ou
acorda assustada.
Eu escrevo
e você se lê,
e se vê,
no que escrevo.
Escrevo no meu estilo,
no meu tempero.
E você traduz
e digere o que te serve.
Eu escrevo,
esparramo palavras,
como sementes.
Você junta,
associa,
compara,
separa,
aproveita ou descarta.
Me respeita.
Me lê.
Não me interrompe.
Sou virtual.
Sou papel.
Sou um personagem, escritor,
distante, ausente
da sua vida,
enviando-te uma carta,
um texto,
uma mensagem,
talvez, uma boa notícia,
um despertador.
Você é real.
A você compete
dar vida às palavras,
escritas ou faladas.
A você compete fazer história.
Mudar a história, a sua própria,
ou a história da humanidade.
Eneas Paulo
Budel Bogucheski
Atualizado
em 21/03/2017.
eneaspb@gmail.com
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