sexta-feira, 5 de agosto de 2016

330.- Escrevo como homem. Lês como mulher, capaz de dar vida às palavras.


Diante de tantos meios de comunicações

me questiono, se devo continuar escrevendo.

 

Diante das contínuas avalanches

de mensagens escritas,

faladas, imagens e sons,

não estou chovendo

no molhado?

 

Me questiono e me posiciono

diante de mim mesmo

se devo tomar uma decisão

de covardia e desistência

ou se devo continuar escrevendo,

sendo coerente e verdadeiro.

 

Estamos num mundo dividido

Por um lado, pela verdade,

e a mentira, do outro lado.

 

Caminhar ou persistir

nos caminhos da verdade,

me parece, tem mais luz,

mas clarividência,

mais discernimento,

mais liberdade.

 

E aqueles que continuam

no caminho da mentira,

alienados da verdade,

continuam sonambulando,

caminhando no dia,

como se fosse noite,

sem as luzes da verdade

que liberta.

 

Muitos continuam na escravidão

do conforto, do comodismo,

da insensibilidade, da apatia,

da falta de fé,

sem saber como expressar

seu senso crítico

e sem forças

para tomar decisões

comprometedoras.  




Escrevo
para provocar
questionamentos, 
perguntas, 
pesquisas,
mudanças, conversões,
novos caminhos.



Escrevo
colocando argumentos,
com a intenção de abrir janelas,
portas, frestas, brechas,
saídas, aberturas,
conhecimento mais profundo
de si mesmo,
escaladas em montanhas
cada vez mais altas,
que possibilitam visões
para mais longe.



Escrevo
para despertar potências ocultas
que existem em cada ser humano,
capaz de transformá-lo
num gênio,
num artista,
num poeta,
 ou num possível profeta.



Escrevo
para desacomodar,
para tirar a poeira de cima,
para deixar transparecer
a nobreza do material
com que fostes feito.



Escrevo
olhando para você,
para o que você faz
e como você se sente.



Escrevo
me perguntando
quais perguntas você se faz.



Escrevo
e pesquiso, procurando
deixar o teu caminho mais curto,
revelando as respostas que procuras.



Escrevo
para saciar a sua sede
de verdades absolutas.


Escrevo
te mostrando aos olhos,
te contando aos ouvidos,
não o que queres,
mas o que precisas.


Eu escrevo.


Você lê,
 se precisa.


Naquilo que escrevo,
como num espelho te vês.


Naquilo que escrevo,
como num júri,
me julga e te julgas,
sem testemunhas.


Naquilo que lês,
te vês, lá dentro,
onde a sua consciência
dorme tranquila ou
acorda assustada.


Eu escrevo
e você se lê,
e se vê,
no que escrevo.


Escrevo no meu estilo,
no meu tempero.


E você traduz
e digere o que te serve.


Eu escrevo,
esparramo palavras,
como sementes.


Você junta,
associa,
compara,
separa,
aproveita ou descarta.


Me respeita.
Me lê.
Não me interrompe.


Sou virtual.
Sou papel.


Sou um personagem, escritor,
distante, ausente
da sua vida,
enviando-te uma carta,
um texto,
uma mensagem,
talvez, uma boa notícia,
um despertador.


Você é real.


A você compete
dar vida às palavras,
escritas ou faladas.


A você compete fazer história.


Mudar a história, a sua própria,
ou a história da humanidade.



Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 21/03/2017.
eneaspb@gmail.com
Leia outros textos:
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