quarta-feira, 27 de março de 2019

623.- Escrevo, para quem? Escrevo para aquele que escolhe as consequências.




Se escrevo para os vivos,
reagem como mortos.

Se escrevo textos sobre a morte
ou para os mortos,
criticam, opõem resistências
e se afastam.

Dentro do pacote da vida
vem de tudo,
alegrias e tristezas,
sucessos e fracassos,
dificuldades e conforto.

Na natureza,
primavera, verão,
outono, inverno,
tempo bom e tempestades,
sol e chuva.
Dias e noites.

Lá fora,
no mundo,
não temos como controlar
o clima
e os conflitos.

Mas, na minha casa,
quem administra o clima
que queremos,
da harmonia e da paz,
somos nós,
os donos da casa. 

O clima externo
insiste entrar.

E quando escolhemos
o “deixe que entre’,
somos absorvidos
pelas notícias
de tragédias,
prisões,
escândalos,
corrupções
e violência.

E escolhemos
permanecer ali,
diante da deusa negra,
assistindo, com terror,
o que tanto detestamos,
nos deixando influenciar,
anestesiados.

Não há arte ali,
nenhuma arte,
nem terapias,
e nem,
remédios.

E depois,
as consequências,
mal humor,
desânimo,
tristeza. 

Somos deveras inteligentes,
e percebemos de onde vem
o mal que não sabemos
digerir ...
e continuamos,
teimosamente,
nesse mundo fechado.

E deixamos de lado,
a educação,
formação
para o bem
para a beleza,
para o bom das artes,
que mais nos convém.


Quem escolhe algo,
ruim ou bom,
feio ou belo,
escolhe também,
as consequências.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 27/03/2019

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