sexta-feira, 29 de março de 2019

624.- Originais. Já não somos mais tão originais.



 
É nosso dever
construir e revelar soluções,
e não ficar apenas lamentando
as deficiências e desequilíbrios
que nos afetam.


Somos originais,
e únicos.


Nascemos
para ser artista.


Nascemos originais
e não nos deixaram continuar
expressando nosso eu profundo.


Fomos nos transformando,
adaptando-nos à sociedade,
e perdendo-nos,
usando máscaras,
imitando os outros.


Perdemos a criatividade,
e a iniciativa.

Podaram-nos.

Massificaram-nos.


Insatisfeitos
 procuramos ainda,
nas angustias, nas dúvidas,
e indecisões, com medo
de entrar nas profundezas,
e encontrar o eu 
que ainda
não sou.


Talvez seja essa a hora
de deixar o artista escondido
perder a vergonha
e ousar revelar-se
decididamente.


Se já não vibramos mais 
com a vida, 
procuremos as razões,
que a façam vibrar,
novamente.


Unamos
a razão e o coração,
a alma e o espírito,
a criatividade  
e a boa vontade
e os ideais necessários,
para que o coração
volte bater depressa,
fazendo o sangue ferver,
mais rápido.


Se 
existem músicas que gostamos,
paisagens e lugares que amamos,
pessoas equilibradas e de bom humor.

Se 
o silêncio
nos devolve nosso eu.

Se 
tudo isso nos faz bem,
demoremos
um pouco mais,
junto com eles,
pois são eles que perdemos.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 29/03/2019

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