sexta-feira, 15 de março de 2019

614.- Silêncio. O silêncio faz falta.



O silêncio faz falta sim.


Pois ele é que revela 

quem você é.

 

Se você revela seu ser

após o silêncio,

é a sua essência

que está se revelando,

sua autêntica personalidade.

 

Se, por outro lado,

não sabe fazer silêncio,

você está simplesmente mostrando

sua superficialidade.


Silêncio ... 

minha alma quer falar

com a sua alma. 

 

 

Quando não damos importância

para o silêncio,

é um sintoma da perda de si,

de uma vida, sem dono.

 

 

A falta de coragem

para enfrentar

e resolver

os próprios problemas

desemboca

no abandono,

na desistência

de si mesmo.

 

 

Sem o silêncio,

nos perdemos,

e perdemos tudo o mais,

que tem valor absoluto.

 

 

Quando nos encontramos,

tentamos dialogar,

mas não damos chances

para as pausas,

para os silêncios

entre as vindas e idas

das palavras,

do que falamos e ouvimos.

 

 

O silêncio não tem vez,

não encontra fresta

para o que resta

do hum-mano (=um irmão),

que devo ser.

 

 

Entramos e saímos

dos nossos encontros,

insatisfeitos, quando,

o que externamos,

não é nosso,

não somos nós,

não são

nossas experiências.

 

 

O silêncio,

vem recompor-nos,

devolver-nos a nós mesmos.

 

 

Quando você quer

se encontrar comigo

é com quem somos,

não com as palavras

que você quer intercambiar.

 

As palavras

podem distorcer as intenções,

porém, o silêncio, é pela verdade.

 

Ao acontecer o silêncio

damos chances para ele

participar dos nossos encontros.

 

Aí ele entra em ação

nas entrelinhas dos nossos encontros

e assim o encontro se torna gostoso

 entre nós.

 

Quando silenciam as palavras,

é o silêncio

que encontra a brecha

para descobrir a sua simpatia

e os teus encantos.

 

Enquanto falamos

o silêncio fica torcendo

para que faltem palavras

para que ele tenha chances

 de admirar,

de contemplar sua beleza,

sua serenidade

e sua dignidade.

 

As palavras

revelam muito

sobre nossas condições

de estresse interno.

 

O silêncio, por sua vez,

expressa ou revela

o estado de espírito

carregado de amor.   

 

Quando damos oportunidade

para o silêncio, é a nossa sacralidade

que está se expondo, a mística, a alma da gente.

 

Uma pessoa calada, quieta,

revela muito mais valor de si mesma,

do que a tagarela.

 

Uma pessoa que muito fala

revela seus conhecimentos.

 

Uma pessoa que pouco fala,

revela sua sabedoria.

 

Quem se comunica através do silencio

revela o céu que há dentro de si.

 

Quem se comunica com palavreado

exagerado, revela o vulcão

que há em seu íntimo.  

 

Quando me comunico contigo

em meus silêncios,

torno-me alimento

para a sua alma.

 

E, quando falo demais,

consumo as suas energias,

te canso, e não te alcanço

em sua profundidade.

 


Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 15/03/2019

Atualizado em 22/12/2023.

eneaspb@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário