segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

257.- Ego, ganância e os jogos.




Não jogo nunca,
por isso, sempre ganho,
e porque, quando jogo,
perco.

 

Observe como o jogo

exerce autoridade sobre cada um de nós,

quando não estamos conscientes.

 

Quanto perdi, jogando, sonhando ganhar.

 

Disse um realista: Joguei como nunca. Perdi como sempre. Flávio Conti.

 

Não sou só eu que tenho este desequilíbrio.

 

Quantas pessoas revelam esta fraqueza, que no fundo, é uma das grandes ilusões que o ego nos prega.

 

Para perceber o quanto o ego e a ganancia exercem pressão sobre nós, e ganham com a força de argumentos ilusórios, avalie como nós resistimos aos argumentos mais lógicos dos nossos amigos que afirmam que jogar em loterias é ilusão.

 

Nosso ego raciocina assim: Sei que é difícil ganhar, mas tenho a esperança de um dia ganhar. Vai chegar a minha vez.

 

E com estes pensamentos acionamos nossa imaginação, vendo-nos ricos, com todos os problemas resolvidos.

 

Vamos analisar este jogo em que entram em campo a ilusão, o ego, a ganancia e a realidade.

 

A realidade é dona do campo, mas permite que a ilusão, o ego e a ganancia entrem em campo.

 

E as arquibancadas estão repletas de torcedores que também desejam entrar no jogo.

 

Em primeiro lugar, por que é que eu jogo?

 

Jogo porque tenho dinheiro sobrando.

 

Se não tivesse sobrando, não jogaria.

 

Se tivesse penúria, estaria comprando comida e produtos necessários à minha sobrevivência.

 

Você não precisa jogar.

 

Não precisa porque já tem tudo o que necessita.

 

Nada te falta.

 

Tens até para ajudar seus irmãos, filhos ou parentes menos capacitados.

 

Mas a ganancia, a imaginação e o ego me forçam, me convencem a jogar, me iludem sugerindo que o jogo de azar vai se tornar, para mim, um fator de sorte.

 

Se eu voltar os olhos e buscar em minha memória, a escalada da minha vida até onde me encontro, deu-se através de estudo e trabalho.

 

Foi com estes elementos que consegui chegar até onde estou. Podemos continuar neste passo.

 

Então, a imaginação, o ego, a ganancia querem que eu seja mais rico, muito rico.

 

É uma força que lateja dentro de mim.

 

Esqueço que sou uma pessoa privilegiada, abastecida e com reservas no guarda comida.

 

Se o dinheiro não sobra para o mês seguinte, pelo menos não preciso fazer empréstimos ou gastar mais do que ganho.

 

Isso é governo de si mesmo. Isso é ser dono do próprio nariz e do planejamento da própria vida.

 

Mas então, por que jogamos?

 

– Jogamos porque há propaganda e as propagandas são montadas para comer a consciência das pessoas e mantê-las consumindo e idealizando ter a vida que os artistas revelam nas imagens de sucesso que estão embutidas nas propagandas.

 

Jogamos porque desconhecemos a nossa própria personalidade, principalmente o ego que atua no inconsciente sugerindo poder, posse, segurança, status.

 

O ego tem medo da insegurança, da falta, tem medo da humilhação.  

 

O ego inconsciente sugere o jogo.

 

A ambição perde a timidez e se projeta para cima da imaginação, a louca da casa, sugerindo ilusões.

 

A imaginação, a ambição, as ilusões não tem freios porque não são comandadas pela consciência esclarecida.

 

Eis onde temos que chegar: tornar consciente este processo ilusória do ego e da ambição.

 

Raciocinar, comparar, avaliar, ler o histórico pessoal e perceber onde estamos e como chegamos até aqui.

 

Ter nascido é ter ganho o maior dos prêmios imaginados.

 

Ter saúde, ser sadio, ser normal, estar capacitado a viver, a conviver e a produzir, é um grande prêmio.

 

Dentro do ponto de vista histórico, Toynbee, um famoso historiador inglês advertiu que um povo que joga, uma nação que joga está fadada à falência ou até à extinção, a longo prazo.

 

Argumentava que quem mais gasta em jogos é o povo simples. O dinheiro destas pessoas vai parar nas mãos dos poderosos. Geralmente quem ganha é quem gasta mais, pois tem mais chances matemáticas. Através do jogo, o dinheiro que circulava na sociedade passa para a mão de um rico. O rico põe este dinheiro em aplicações e fica lá parado, rendendo. O dinheiro que circulava agora já não circula mais. E o rico fica cada vez mais rico e o pobre fica cada vez mais pobre porque usou o dinheiro das necessidades para arriscar a sorte sonhada, que não vem. E assim, a classe pobre e a classe rica produzem a falência da sociedade, a longo prazo.

 

Após ler este texto você acabará odiando o que leu porque o seu ego não aceita ser humilhado, pois ele é orgulhoso.

 

Mais uma prova de que você já não está mais consciente de quem você é e do que você pode.  Sua consciência foi comida. Praticaram em você a noofagia. Comeram tua consciência.

 

Ainda há tempo de você recuperar o domínio da sua vida. Você é dono da sua vida quando você decide, conscientemente, com maturidade, onde investir seus dons e a sua sorte, não o seu azar. Você percebe quando você não está mais no comando quando você só atua reagindo. Preste atenção às suas reações, principalmente como você reage às propagandas e convites externos.

 

Conheça o seu inconsciente e como ele funciona. Leia o livro “O Despertar de uma nova consciência” do escritor Eckhart Tolle, os livros do escritor Hélio Couto e do físico quântico Amit Goswami.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski


Atualizado em 06/06/2016. 

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http://heiposworld.blogspot.com.br
 
 
 

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