Não jogo nunca,
por isso, sempre
ganho,
e porque, quando
jogo,
perco.
Observe como o jogo
exerce autoridade sobre cada um de nós,
quando não estamos conscientes.
Quanto
perdi, jogando, sonhando ganhar.
Disse
um realista: Joguei
como nunca. Perdi como sempre. Flávio Conti.
Não
sou só eu que tenho este desequilíbrio.
Quantas
pessoas revelam esta fraqueza, que no fundo, é uma das grandes ilusões que o
ego nos prega.
Para
perceber o quanto o ego e a ganancia exercem pressão sobre nós, e ganham com a
força de argumentos ilusórios, avalie como nós resistimos aos argumentos mais
lógicos dos nossos amigos que afirmam que jogar em loterias é ilusão.
Nosso
ego raciocina assim: Sei que é difícil
ganhar, mas tenho a esperança de um dia ganhar. Vai chegar a minha vez.
E
com estes pensamentos acionamos nossa imaginação, vendo-nos ricos, com todos os
problemas resolvidos.
Vamos
analisar este jogo em que entram em campo a ilusão, o ego, a ganancia e a
realidade.
A
realidade é dona do campo, mas permite que a ilusão, o ego e a ganancia entrem
em campo.
E
as arquibancadas estão repletas de torcedores que também desejam entrar no
jogo.
Em
primeiro lugar, por que é que eu jogo?
Jogo
porque tenho dinheiro sobrando.
Se
não tivesse sobrando, não jogaria.
Se
tivesse penúria, estaria comprando comida e produtos necessários à minha
sobrevivência.
Você
não precisa jogar.
Não
precisa porque já tem tudo o que necessita.
Nada
te falta.
Tens
até para ajudar seus irmãos, filhos ou parentes menos capacitados.
Mas
a ganancia, a imaginação e o ego me forçam, me convencem a jogar, me iludem
sugerindo que o jogo de azar vai se tornar, para mim, um fator de sorte.
Se
eu voltar os olhos e buscar em minha memória, a escalada da minha vida até onde
me encontro, deu-se através de estudo e trabalho.
Foi
com estes elementos que consegui chegar até onde estou. Podemos continuar neste
passo.
Então,
a imaginação, o ego, a ganancia querem que eu seja mais rico, muito rico.
É
uma força que lateja dentro de mim.
Esqueço
que sou uma pessoa privilegiada, abastecida e com reservas no guarda comida.
Se
o dinheiro não sobra para o mês seguinte, pelo menos não preciso fazer
empréstimos ou gastar mais do que ganho.
Isso
é governo de si mesmo. Isso é ser dono do próprio nariz e do planejamento da
própria vida.
Mas
então, por que jogamos?
–
Jogamos porque há propaganda e as propagandas são montadas para comer a
consciência das pessoas e mantê-las consumindo e idealizando ter a vida que os
artistas revelam nas imagens de sucesso que estão embutidas nas propagandas.
Jogamos
porque desconhecemos a nossa própria personalidade, principalmente o ego que
atua no inconsciente sugerindo poder, posse, segurança, status.
O
ego tem medo da insegurança, da falta, tem medo da humilhação.
O
ego inconsciente sugere o jogo.
A
ambição perde a timidez e se projeta para cima da imaginação, a louca da casa,
sugerindo ilusões.
A
imaginação, a ambição, as ilusões não tem freios porque não são comandadas pela
consciência esclarecida.
Eis
onde temos que chegar: tornar consciente este processo ilusória do ego e da
ambição.
Raciocinar,
comparar, avaliar, ler o histórico pessoal e perceber onde estamos e como
chegamos até aqui.
Ter
nascido é ter ganho o maior dos prêmios imaginados.
Ter
saúde, ser sadio, ser normal, estar capacitado a viver, a conviver e a
produzir, é um grande prêmio.
Dentro
do ponto de vista histórico, Toynbee, um famoso historiador inglês advertiu que
um povo que joga, uma nação que joga está fadada à falência ou até à extinção,
a longo prazo.
Argumentava
que quem mais gasta em jogos é o povo simples. O dinheiro destas pessoas vai
parar nas mãos dos poderosos. Geralmente quem ganha é quem gasta mais, pois tem
mais chances matemáticas. Através do jogo, o dinheiro que circulava na
sociedade passa para a mão de um rico. O rico põe este dinheiro em aplicações e
fica lá parado, rendendo. O dinheiro que circulava agora já não circula mais. E
o rico fica cada vez mais rico e o pobre fica cada vez mais pobre porque usou o
dinheiro das necessidades para arriscar a sorte sonhada, que não vem. E assim,
a classe pobre e a classe rica produzem a falência da sociedade, a longo prazo.
Após
ler este texto você acabará odiando o que leu porque o seu ego não aceita ser
humilhado, pois ele é orgulhoso.
Mais
uma prova de que você já não está mais consciente de quem você é e do que você
pode. Sua consciência foi comida. Praticaram em você a noofagia. Comeram
tua consciência.
Ainda
há tempo de você recuperar o domínio da sua vida. Você é dono da sua vida
quando você decide, conscientemente, com maturidade, onde investir seus dons e
a sua sorte, não o seu azar. Você percebe quando você não está mais no comando
quando você só atua reagindo. Preste atenção às suas reações, principalmente
como você reage às propagandas e convites externos.
Conheça
o seu inconsciente e como ele funciona. Leia o livro “O Despertar de uma nova
consciência” do escritor Eckhart Tolle, os livros do escritor Hélio Couto e do
físico quântico Amit Goswami.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 06/06/2016.
Leia outros textos:
http://heiposworld.blogspot.com.br
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