sábado, 30 de janeiro de 2016

265.- Alma. Socorro, sequestraram minha alma.



Socorramo-nos a nós mesmos.

Estamos permitindo que mintam para nós.

Aceitamos a mentira, a falsidade,

a hipocrisia e as máscaras,

 moda aparente e veneno letal.

 

E não reagimos.

 

A caridade anda desatualizada.

A injustiça anda solta.

A consciência não dói mais.

Não vemos mais

as necessárias e benéficas

manifestações da alma.

 

 

É por esta razão

que estamos desacreditados

da existência da alma.

 

Sentimos como se estivéssemos sem alma. 


Sim, sentimos falta da alma,

da nossa própria alma.

 

 

Ou não nasceu.

Ou nasceu e morreu.

Ou deixamos de cultivá-la e murchou.

 

 

Ou roubaram ou sequestraram-na

e nem percebemos a falta que nos faz.

 

Por favor, devolvam nossa alma.

 

Estou sentindo falta da alma.

 

Está faltando alma.

Uma alma que perceba o choro

da natureza.

 

 

Ardem nossos olhos.

A fumaça não deixa ver claro,

os valores componentes da alma.

 

Pedimos socorro.

 

Ninguém demonstra incômodo

ou preocupação por esta falta.

 

 

Faltam profetas

que ensinem a suportar

e a resistir.

 

 

Faltam profetas

que ensinem a protestar,

a denunciar e a destituir.

 

 

Que nasçam novos profetas

com coragem

para que nos despertem

desta atrofia.

 

 

Que outros João Batista

nos avisem

e nos mantenham acordados.

 

 

Ha muito tempo estamos acomodados,

pois perdemos a alma.

 

 

 

Já estamos

num estágio de insensibilidade

tão avançado

que nos percebemos anestesiados,

atrofiados, insensíveis e até cegos.

 

 

Não enxergamos

e nem cremos mais

no que há dentro das coisas.

 

A causa final

não interessa mais

para muita gente,

sintoma da morte da alma.

 

 

O presente se tornou a alma do tempo.

O tempo presente nos deixa sem tempo.

 

 

 

E a alma é necessária

para perceber que a alma faz falta.

 

 

Quem nos livrará deste tempo sem alma?

 

 

Para nós não há dúvidas de que o passado existiu e muito nos transmitiu, e nos deu pistas, e falou de promessas que ainda não se realizaram.

 

 O futuro está vindo, e nós na sua direção também estamos indo.

 

Mas que futuro esperamos?

 

Que futuro queremos construir?

 

Não queremos ir em direção de um futuro que não seja promissor.

 

Para onde estamos indo só com alma conseguiremos chegar.

 

É uma situação dramática

sentir-se sem alma.

 

 

Mas para que alma,

para um futuro sem alma?

 

 

Mas é para lá que vamos,

para o futuro.

 

 

Mas como iremos, sem alma?

Sem alma, estaremos sem GPS

e sem oxigênio.

 

 

Porque ninguém nota

que estamos morrendo?

 

 

Talvez porque mortos

não ficam sensibilizados

diante dos outros mortos.

 

 

Olhamos em volta

e ninguém se importa

com esta derrota.

Não há espanto.

 

 

Assusta-nos a apatia.

 

 

Não havendo alma,

não se busca ideais imorredouros.

 

 

 

Como faz falta a alma.

 

 

Sem alma não há vida,

não há curiosidade.

 

 

Sem alma não nascem ideais.

 

 

Sem alma o entusiasmo

não tem forças nem brilho.

 

 

Faltando a alma,

a esperança muda de lugar

com o desespero.

 

 

Sem a alma,

a alegria foge para longe

e vem a tristeza azucrinar.

 

 

Sem alma

as canções se transformam

em lamentações.

 

 

Sem alma,

tudo fica triste,

sem colorido,

sem futuro.

 

 

Sem alma,

não precisará que exista o céu.

 

 

Quem alisará a superfície

dos nossos olhos

para que voltem a brilhar?

 

 

Quem massageará nossos lábios

para que voltem a sorrir?

 

 

Quem abrirá

as portas da esperança?

 

 

Não estamos todos no mesmo barco?

 

 

Já sem alma,

da alma não percebemos

nenhuma importância.

 

 

Insensíveis, anestesiados e alienados,

eis como estamos.

 

 

 

Que o efeito deste veneno

não nos prejudique para sempre.

 

 

Que a falta seja ainda percebida

enquanto o espaço da alma estiver

lá no vazio, sedenta, esperando de novo,

a alma renascer.

 

 

 

Tem que haver antídoto.

Deve haver um remédio.

 

 

Quanto custa perder uma alma?

Custa tudo. Tudo mesmo.

 

 

Em qual espelho devemos refletir-nos

para percebermos

a falta que a alma nos faz?

 

De tanto sem ela viver,

da alma nem sabemos mais o que dizer.

 

Qual é o endereço

da fonte que vivifica?

 

 

Em qual mercado

compramos alma nova?

 

 

No ‘achados e perdidos’

não existe nenhuma

na prateleira.

 

 

Nem no estoque,

nem na fábrica.

 

 

Por encomenda também não se faz.

 

 

Para muita gente,

a alma não é mercadoria da moda,

nem de primeira necessidade.

 

 

Invertemos as necessidades.

O essencial virou acessório de poucos.

O supérfluo toma conta de tudo e de todos.

 

 

Criamos necessidades substitutivas

para a alma.

 

 

Trazem efeitos colaterais,

provocando uma doença nova:

amnésia do futuro.

 

 

Mas onde está a nossa alma?

Para onde a levaram?

 

Onde está a alma minha?

 

 

Está no no mundo, esparramada, estropiada, vulgarizada, desprezada como mendiga.

 

Quando olhamos para o céu,

as estrelas não nos comovem mais.

 

 

Nenhuma estrela temos como guia.

Não há mais estrela orientadora.

 

Tudo falta quando falta a alma.

 

 

A alma não está na casca.

 

 

A alma

é a energia

que está dentro da semente.

 

 

A alma é a energia da vida.

 

 

Vivifica a vida.

Motiva e dá brilho ao viver.

 

 

É a fonte

onde saciamos

nosso ser sedento de plenitude.

 

 

É a resposta

da verdade sobre nosso próprio ser.

 

 

É o alimento

do que de eterno

existe em cada um de nós.

 

 

É o motivo

da existência,

da esperança,

que persiste no nosso ser.

 

 

É o leme

do nosso barquinho

 

 

 

Um mundo sem alma

não se entende

e nem há porque existir.

 

 

 

Antes que o futuro chegue,

um profeta deve nascer

e profetizar

que o futuro está ainda ausente

mas que vem vindo,

de mansinho,

esperando sementes de almas nobres.

 

 

Estamos errados, pensando assim?

 

 

Ajudemo-nos uns aos outros

a abrir melhor nossos olhos

para ver valores maiores

que satisfaçam

nosso pobre e indefeso ser,

que não sabe sem alma viver.

 

 

Limpem esta lama e este limo

que cobrem nosso rosto e nossos olhos.

 

 

Retirem dos nossos tímpanos cansados

o tampão que não permite ouvir o som do sino

que quer despertar a alma do Heipo adormecido.

 

 

Devolvam à nossa vida o que de mais verdadeiro, real e profundo nos pertence: a atenção às reais necessidades dos nossos irmãos, a razão justa e sensível a todas as necessidades humanas.

 

Devolvam nossos ouvidos sensíveis às súplicas dos nossos irmãos, que morrem de fome, gemendo e chorando. 

 


A maturidade dos humanos ainda está gatinhando ou não quer assumir as responsabilidades de adultos.

 

 

É questão de responsabilidade ou irresponsabilidade recuperar a alma que tenha olhos para o descaso, que esteja alerta contra a apatia e as omissões. 


Uma alma que manifeste a indignação diante do nada fazer para suavizar e acabar com os problemas dos nossos irmãos carentes. 

 


Uma alma que idealize projetos humanos de recuperação, de reintegração e aperfeiçoamento.

 

 

 

Onde estão novos profetas

no mundo de hoje?

 

Porque não nascem mais profetas

como Isaías e Jeremias?

 

Quem vai nos recordar neste milênio,

nossa origem e filiação divina?

 

Quem nos alertará que tomamos atalhos que não levam a lugar nenhum?

 

Quem nos revelará que temos alma e que sem alma estamos anestesiados, fora de órbita, mortos para a vida?

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 30/01/2016

Eneaspb@gmail.com

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