O charme é curto. O texto é longo.
* Continuação do capítulo anterior.
O charme é o resultado da ação de espalhar à sua volta várias atitudes
afetivas e carinhosas que produzem a sensação de bem-estar em quem está perto.
O charme, na mulher é o instinto maternal que existe em sua
maneira de ser que falta no homem que perdeu sua mãe quando saiu de casa.
O charme acontece quando a mulher é mulher para o homem. Assim, o
homem se tranquiliza e despe-se das tensões e estresses acumulados longe da
mulher; restaura suas forças.
O homem se perdeu: a mulher charmosa o reencontra.
A mulher charmosa faz o homem recuperar sua originalidade
especial.
Quanto mais simples e natural a mulher e o homem se apresentam,
mais charmosos serão e a elegância surgirá através da fineza do comportamento
de um e de outro.
Então, o charme tem algo a ver com humildade. Humilde é o simples,
sem enfeites, o natural, sem adornos, o nu sem vestes.
Charme é a simplicidade no olhar, no falar, no comportar-se.
Quando o homem se torna poético, suave e carinhoso, é o efeito
das ações charmosas da mulher manifestando-se nele.
Os psicólogos dizem que o charme é expressão da paz, do
equilíbrio e da harmonia interna.
Os moralistas dizem que o charme da mulher e do homem nasce da coerência
e da busca da verdade sobre si mesmo.
O poeta percebe que o charme é da própria natureza do ser humano
que se manteve original, guardou seu espírito de infância, continuou cultivando
o encantamento e a curiosidade. Manteve-se original. Não se tornou cópia.
O charme no homem é aquela capacidade de conquistar uma mulher
com apenas uma ‘secada’ direta. É a isca que se transforma em anzol. Logo
depois, fisgado, coitado dele! Lá se foi o super-homem: sobrou o homem nu,
despojado de tudo, carente da feminilidade da mulher.
O charme do homem tem o poder de absorver totalmente uma mulher,
fazendo-a esquecer-se que existe o resto do mundo.
Geralmente a mulher se espanta quando entra em contato sério com
um homem, pensando que ele é apenas uma massa bruta de músculos e atração física.
Mas quando o homem revela nas declarações amorosas, suas virtudes secretas,
escondidas atrás da fisionomia masculina, aí a própria mulher encontra o que
lhe falta, abastece-se e se renova.
E pousa nele o seu avião.
Cai e deixa-se tomar conta com os queixos caídos. E a sua
argumentação racional cessa.
Confirma com suas manifestações de carinho, o sim não dito e o
não aprisionado em suas entranhas.
Um homem encanta-se pelo que vê numa mulher e na natureza. A mulher
encanta-se pelo que escuta do homem. O homem deixa-se seduzir pela presença
feminina, pela maneira da mulher ser mulher; a mulher deixa-se seduzir pelas
palavras do homem.
A essência do charme é conquistada quando desenvolvemos a
generosidade sem limites.
Pessoas charmosas são atraentes.
Atraem porque carregam em suas mochilas a disponibilidade da
vida.
Atraem porque estão imbuídas, carregadas, transbordando altos
ideais, forças ressuscitadoras e redentoras, explodindo atitudes amorosas.
Conheceram o egoísmo; trabalharam esta potência transformando-a
em adubo, venceram-no e hoje estão livres do fechamento, agora abertos para a
bondade, para a generosidade, para a compreensão e tolerância, projetando-se
para a fraternidade universal, irmã ou irmão de todos.
O charme, este finíssimo cavalheiro e esta especialíssima
qualidade feminina, gasta-se, enriquece-se indistintamente nos animais, nas
crianças, nos jovens e idosos, no pobre, no feio, no magrinho e no gordão.
O charme é um potentíssimo ato de comportamento. É um estender no
chão um tapete para a outra pessoa passar por cima, querendo dar a ela e à sua existência,
um instante de glória.
O charme é afim do amor no sentido de se mover sem esforço,
espalhando atitudes de bondade, como a chuva mansa numa época de seca.
O charme cativa sempre e completamente.
O charme desarma, por estar ele mesmo, desarmado.
O charme é algo a ser encarnado e vivido.
Não é uma virtude. É uma maneira de ser charmoso ou charmosa.
O que é que está por trás do charme?
Em primeiro lugar está a atenção, prestar atenção. Concentrar-se
no alvo. Focar atentamente o objeto ou a pessoa, até achar aquilo que é motivo
de encantamento: o charme.
Em segundo lugar, admirar. Olhar admirando atentamente os valores
que aparecem, e os escondidos, presentes, mesmo que invisíveis, e conversar
sobre eles.
Em terceiro lugar, ser todo ouvidos. Ouvir com todo o ser.
Finalmente, curtir a dois os valores encontrados em ambos. Envolver-se,
participar dos interesses, dos sentimentos e emoções de cada um.
Assim, a vida dos dois passa a ser a vida de UM casal.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 26/01/2016.
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