domingo, 26 de abril de 2020

730.- Ressurreição. Permita-se ressuscitar





Duas constatações:
A primeira
é que ninguém aceita,
ninguém estuda,
e ninguém se prepara
para enfrentar
a realidade da morte.
Porque,
todos pensam,
está lá longe.

A segunda observação,
constatada pelas conversas,
é que quase ninguém estuda,
quase ninguém conhece,
quase ninguém se interessa
pela realidade da ressurreição.
Porque,
todos pensam,
não é possível.
Não é inteligível.
Não é aceitável.

Mas, nós vamos nos envolver
com o assunto,
neste momento,
sobre a ressurreição.


Vamos indo.
Saindo ou entrando,
perguntando, conversando,
respondendo, aprofundando
sobre o projeto viável,
aceitável,
e desejável
da ressurreição.

Envolvendo
a razão que temos de sobra,
 e a fé que temos de menos.  

Ninguém está habituado,
nem familiarizado,
a abordar este assunto.

Nem nós estamos acostumados,
nem com o que ela significa,
nem o que ela representa,
nem o que promete.

Estamos só por aqui,
por perto,
do que vemos,
sentimos e apalpamos.

Estamos sendo convidados
a dar mais umas pernadas,
para mais longe.

Só pelo que lemos,
só pelo que escutamos,
pelo que ouvimos dizer,
é que, de leve, nos deixamos
surpreender.

Mas, e se tiver mais,
surpresas,
verdades
 ainda ignoradas,
desprezas,
e não conhecidas?

Em alguns de nós,
desperta a curiosidade,
e em outros,
resistências nascem,
e imediatamente
são sufocadas
pela indiferença
ou recusa.

É compreensível,
mas não aceitável.

Já aconteceu um fato histórico,
a Ressurreição do Jesus.

Tudo isso aconteceu lá longe,
com o Jesus Cristo,
o filho do Deus eterno.

Fazia parte
de um projeto do Criador,
enviar seu filho ao mundo,
para consertá-lo,
ao preço de uma paixão amorosa,
sofrida, sangrenta, misteriosa,
porém, nova,
inaugural,
promissora.

Não podia,
acabar tudo,
com a morte,
se o plano era perfeito,
incluía sofrer e morrer,
para depois ressuscitar,
abrir as portas, para todos.

O assunto,
o tema da ressurreição,
por enquanto teórico,
se reporta,
se refere
a cada um de nós,
ao que vai acontecer conosco,
numa realidade prometida,
e já experimentada por Alguém.

Na minha opinião,
a teologia e a catequese
da igreja católica,
deveria estar,
em processo, como projeto,
de ensino-aprendizagem,
sobre a ressurreição,
como um modo de entender,
a nossa própria vida,
a partir desse acontecimento,
e como um dos pilares,
da atual evangelização.

As igrejas
estão cada vez mais vazias,
porque o conteúdo apresentado
pelos pregadores,
está cada vez mais longe
daquilo que é o cerne
do Cristianismo,
o projeto Redentor
e a Ressurreição
do Jesus Cristo.

Porque é que nós cristãos
nos envolvemos
tão pouco
com a igreja?

Não temos,
não conseguimos sentir-nos,
pertencentes,
a um time de crentes,
na Ressureição do Jesus,
e aceitar e viver,
hoje, agora,
a partir da Ressurreição,
como um processo futuro
que vai acontecer conosco.

Assim a esperança será
traduzida em atitudes.

Trata-se de uma realidade
que vai acontecer conosco,
depois da nossa morte,
mas que deve estar fervilhando
em nossas veias,
em nossa alma,
em nosso espírito,
de criaturas eternas.

A partir dessa realidade,
podemos ver que a morte
não é um fim, e sim uma etapa,
que acontece,
antes da Ressurreição.

Se olharmos o acontecimento
do Jesus Ressuscitado,
após a sua morte,
ele se fez presente,
de corpo presente e visível,
em algumas ocasiões.

Deduzimos então,
que a forma de viver
no jeito de ressuscitado
é de natureza espiritual,
invisível.

Deduzimos
das próprias palavras do Jesus,
que disse, ao despedir-se dos seus amigos,
“Eis que estou convosco, todos os dias,
até a consumação dos séculos”.
Mateus 28,20.

Então, percebemos,
que este estilo de vida
é novo.

Temos novidades
no pedaço de vida
que estamos vivendo.

Neste pedacinho,
existe uma semente,
germinando, a vida eterna.

O Jesus inaugurou
ou iniciou ou implantou
um novo tipo de conhecimento
e de relacionamento,
com o Cristo divino, invisível,
que disse, estar,
e continuar vivendo
entre nós.

Nós só temos de acreditar
nesta presença invisível
e não ter vergonha
de conversar
com quem nós não vemos.

Então,
após a Ressurreição,
o Jesus Cristo
inaugurou também
uma nova forma
de conhecimento,
através da fé.

Acreditar
que Ele ressuscitou,
e que está presente,
junto conosco,
todos os dias,
até o fim dos tempos.

Os olhos,
a razão,
só enxerga
o que é visível.

A alma,
a fé,
enxerga também,
o que é invisível.

Depois de mortos,
nossos olhos não verão mais,
mas os olhos da fé,
continuarão vendo,
de uma forma nova,
renovada,
refeita,
ressuscitada,
espiritualizada,
alcançando a perfeição.

Então temos de perguntar,
como entender a nossa vida,
se não vincular ela,
continuada,
ressuscitada,
após a morte?

Respondemos assim:
se não pesquisarmos,
se não entendermos nada
sobre a Ressurreição do Jesus,
não conseguiremos despertar em nós,
a esperança, o desejo, as motivações,
para continuar existindo,
com uma abertura,
e perspectivas
de vida eterna.

Continuando,
com as consequências,
dessa nova visão de vida e sobrevida,
só pela perspectiva da ressurreição
seremos capazes de entender
e aceitar o sofrimento,
e a morte.

Só com a Ressurreição,
a vida e a morte
ganham sentido,
significado,
e aceitação serena.

Se você nada sabe
sobre a Ressurreição do Jesus Cristo
você nada sabe
sobre o teu futuro.

Já morreu,
sem esperanças de viver,
lá na frente,
em outras dimensões.

Insista, procure, pesquise.

Deixe o teu espírito sair,
respirar, encontrar sua essência,
viver com esperanças de voar,
na eternidade.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 26/04/2020

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