No mundo da natureza,
atravessamos
a passagem
da estação do verão
para o outono.
Esta estação
climática,
parece que está
coincidindo
com o período
histórico
que estamos vivendo.
Até parece
que a natureza
quer forçar
a redução da
velocidade
dos nossos passos
para nos adaptar
ao ritmo dela.
A época
do outono,
se caracteriza
pelos constantes
nevoeiros.
Nevoeiros
dificultam a visão
de quem está aqui embaixo,
e deixa inseguro
quem está olhando de
cima,
e precisa pousar o
avião,
com segurança.
Se os nevoeiros
dificultam a visão
para mais longe,
contentemo-nos
em olhar para perto,
até o limite
que a clareza
nos permite.
Com nevoeiro,
ou sem nevoeiro,
nossa consciência,
nossa intuição,
ou nossa capacidade
espiritual
possui a capacidade
de olhar para além,
e nos dá uma clareza,
o discernimento,
baseados na experiência
de vida
e no conhecimento
adquirido.
O olhar do coração,
da alma, da fé,
enxerga o forte
nevoeiro virtual
que está cobrindo
ou dificultando a
visão
dos vales
onde a realidade
está sofrendo,
prejudicada.
Há um manto virtual,
espesso, grosso,
pesado,
cobrindo o mundo
real.
Um nevoeiro,
imposto pela natureza,
ou criado pelos
malfeitores.
Sofremos
com a falta de
clareza.
Interprete o nevoeiro,
relacionando-o
com as crises que nos conduzem
a procurar soluções para os problemas.
E nós, temos duas possíveis
respostas, reais.
A primeira é aceitar
o nevoeiro
e as suas consequências
como algo natural,
que decorrem da mudança
da estação quente,
para a menos quente.
A segunda possível
resposta
é usar das nossas
capacidades de pesquisa,
estudo, forças
naturais, criatividade,
e o intercâmbio, a troca
de experiências
com outros continentes,
outros benfeitores,
que já mudaram para
outra estação,
e que saíram vencedores
dos nevoeiros.
O planeta Terra é
grande,
tão grande que pode
ocorrer
simultaneamente
o fenômeno,
de duas ou mais estações
diferentes,
em dois ou mais continentes
distantes.
Quando o nevoeiro
acontece perto de nós,
é mais seguro ficar
em casa,
voltar a atenção
para dentro.
Quando
olhamos
para
a sociedade
e
a estrutura
como
ela é montada,
vemos
pessoas,
com
poder,
capacitadas,
e
pessoas
necessitadas,
sem
poder.
Estamos e vivemos
dentro de um mundo
com quase sete
bilhões de pessoas.
Convivemos
com um número
incalculável
de palavras, sons,
imagens,
sinais, códigos,
alfabetos e línguas.
Devido ao grande
volume
de palavras faladas e
escritas,
imagens, filmes,
vídeos, livros, jornais,
TV, celular,
criou-se a expressão
“Mundo Virtual”.
Vivemos no mundo real,
com os pés.
Mas pelo que parece,
tudo está acontecendo
apenas em nossa
cabeça,
num mundo irreal.
Gostaríamos de viver,
como pensamos,
no mundo virtual,
mas acabamos vivendo
como podemos,
no mundo real.
O nevoeiro
é real.
A visão
é real.
A pessoa que olha,
é real.
Mas eu, você, todas as
pessoas,
vivemos mais no mundo
virtual
do que no real.
E essa realidade
tem consequências.
Observe, como em
tudo,
é a palavra que vem
primeiro.
Depois pensamos,
repensamos
e vemos
que a realidade
é bem diferente,
exigente,
atraente ou repugnante,
nua, crua, dura.
Passamos vergonha,
sentimos vergonha,
percebendo o que
pensamos,
diante da realidade
muda,
calada, sofrida e
observada,
com profissional
apatia,
sem que tenhamos
forças
para responder,
agindo,
fazendo, sendo.
O mundo real
exerce melhor a
função de professor.
O mundo virtual
ilude mais, mente,
não atende,
não escuta o grito
dos infelizes.
O mundo real
é que está vivo,
castiga, pulsa,
chama a atenção
da nossa
sensibilidade,
acorda-nos dos sonhos
que acontecem de dia.
Como é fácil
ajudar os outros,
com palavras,
com pensamentos,
com promessas,
com intenções.
O que dizemos
pode até ser verdade.
Só existe a
realidade,
que é viva, concreta,
substantiva,
visível, palpável,
com peso, forma,
tamanho,
cores,
localização.
Palavras e
pensamentos,
não existem, no mundo
real.
Você não vê as
palavras andando,
subindo escadas,
andando de bicicleta,
enfrentando filas,
pagando contas.
Fomos criando as ciências
para nos ajudarem.
Criamos a filosofia,
a sociologia, a psicologia,
toda a tecnologia para
nos ajudar
a resolver problemas.
E
acabamos criando
um
mundo novo, virtual,
dos
livros, das imagens, das notícias,
que
vão para nossa cabeça,
e
lá ficam.
Todo
o mundo virtual
cabe
na nossa cabeça
e
lá construímos os castelos,
os
contatos e o mundo do faz de conta.
De tanto viver,
no mundo virtual,
dos pensamentos e
palavras,
não percebemos mais,
que está faltando a
experiência,
o contato com a
realidade.
É exatamente
a falta de
experiência
que causa desequilíbrios
em nós,
o sentimento de tédio,
de frustração,
e até de depressão.
O mundo virtual
dos pensamentos
e das palavras
transportam-nos
para um mundo
imaginário,
de expectativas,
que a realidade
não tem como prover,
por falta dos nossos
passos
dados no chão da
vida,
um após o outro,
cumpridas
as exigências
que só o esforço
e a ação,
providenciarão.
É a realidade
que dá as mãos
para a verdade.
E, se formos
críticos,
naturalmente,
acabaremos percebendo,
que também a verdade
não existe.
É mesmo.
A verdade também não
é real.
O que é real é a pessoa
que personifica a verdade,
que testemunha
a verdade.
É a pessoa, de verdade,
que atende à
realidade.
É a pessoa que
encarnou
os princípios da
verdade,
da justiça e do amor,
que é real, concreta,
e responde
às carências
e necessidades
dos outros.
Fazendo-se resposta.
Agindo.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Criado
em 17/04/2020

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