sexta-feira, 17 de abril de 2020

724.- Virtual x Real. Um nevoeiro se impõe sobre nossa visão do mundo.



 
No mundo da natureza,
atravessamos
a passagem
da estação do verão
para o outono.

Esta estação climática,
parece que está coincidindo
com o período histórico
que estamos vivendo.

Até parece
que a natureza
quer forçar
a redução da velocidade
dos nossos passos
para nos adaptar
ao ritmo dela.

A época
do outono,
se caracteriza
pelos constantes nevoeiros.

Nevoeiros
dificultam a visão
de quem está aqui embaixo,
e deixa inseguro
quem está olhando de cima,
e precisa pousar o avião,
com segurança.

Se os nevoeiros
dificultam a visão
para mais longe,
contentemo-nos
em olhar para perto,
até o limite
que a clareza
nos permite.

Com nevoeiro,
ou sem nevoeiro,
nossa consciência,
nossa intuição,
ou nossa capacidade espiritual
possui a capacidade de olhar para além,
e nos dá uma clareza,
o discernimento,
baseados na experiência de vida
e no conhecimento adquirido.

O olhar do coração,
da alma, da fé,
enxerga o forte nevoeiro virtual
que está cobrindo
ou dificultando a visão
dos vales
onde a realidade
está sofrendo,
prejudicada.

Há um manto virtual,
espesso, grosso, pesado,
cobrindo o mundo real.

Um nevoeiro,
imposto pela natureza,
ou criado pelos malfeitores.

Sofremos
com a falta de clareza.

Interprete o nevoeiro,
relacionando-o
com as crises que nos conduzem
a procurar soluções para os problemas.

E nós, temos duas possíveis respostas, reais.
A primeira é aceitar o nevoeiro
e as suas consequências
como algo natural,
que decorrem da mudança
da estação quente,
para a menos quente.

A segunda possível resposta
é usar das nossas capacidades de pesquisa,
estudo, forças naturais, criatividade,
e o intercâmbio, a troca de experiências
com outros continentes, outros benfeitores,
que já mudaram para outra estação,
e que saíram vencedores dos nevoeiros.

O planeta Terra é grande,
tão grande que pode ocorrer
simultaneamente
o fenômeno,
de duas ou mais estações diferentes,
em dois ou mais continentes distantes.

Quando o nevoeiro acontece perto de nós,
é mais seguro ficar em casa,
voltar a atenção
para dentro.

Quando olhamos
para a sociedade
e a estrutura
como ela é montada,
vemos pessoas,
com poder,
capacitadas,
e pessoas
necessitadas,
sem poder.

Estamos e vivemos
dentro de um mundo
com quase sete bilhões de pessoas.

Convivemos
com um número incalculável
de palavras, sons, imagens,
sinais, códigos,
alfabetos e línguas.

Devido ao grande volume
de palavras faladas e escritas,
imagens, filmes, vídeos, livros, jornais,
TV, celular,
criou-se a expressão
“Mundo Virtual”.

Vivemos no mundo real,
com os pés.

Mas pelo que parece,
tudo está acontecendo
apenas em nossa cabeça,
num mundo irreal.

Gostaríamos de viver,
como pensamos,
no mundo virtual,
mas acabamos vivendo
como podemos,
no mundo real.

O nevoeiro
é real.

A visão
é real.

A pessoa que olha,
é real.

Mas eu, você, todas as pessoas,
vivemos mais no mundo virtual
do que no real.

E essa realidade
tem consequências.

Observe, como em tudo,
é a palavra que vem primeiro.

Depois pensamos,
repensamos
e vemos
que a realidade
é bem diferente,
exigente,
atraente ou repugnante,
nua, crua, dura.


Passamos vergonha,
sentimos vergonha,
percebendo o que pensamos,
diante da realidade muda,
calada, sofrida e observada,
com profissional apatia,
sem que tenhamos forças
para responder, agindo,
fazendo, sendo.

O mundo real
exerce melhor a função de professor.

O mundo virtual
ilude mais, mente, não atende,
não escuta o grito dos infelizes.

O mundo real
é que está vivo,
castiga, pulsa,
chama a atenção
da nossa sensibilidade,
acorda-nos dos sonhos
que acontecem de dia.

Como é fácil
ajudar os outros,
com palavras,
com pensamentos,
com promessas,
com intenções.

O que dizemos
pode até ser verdade.

Só existe a realidade,
que é viva, concreta,
substantiva,
visível, palpável,
com peso, forma,
tamanho,
cores,
localização.

Palavras e pensamentos,
não existem, no mundo real.

Você não vê as palavras andando,
subindo escadas, andando de bicicleta,
enfrentando filas, pagando contas.

Fomos criando as ciências
para nos ajudarem.

Criamos a filosofia, a sociologia, a psicologia,
toda a tecnologia para nos ajudar
a resolver problemas.

E acabamos criando
um mundo novo, virtual,
dos livros, das imagens, das notícias,
que vão para nossa cabeça,
e lá ficam.

Todo o mundo virtual
cabe na nossa cabeça
e lá construímos os castelos,
os contatos e o mundo do faz de conta.

De tanto viver,
no mundo virtual,
dos pensamentos e palavras,
não percebemos mais,
que está faltando a experiência,
o contato com a realidade.

É exatamente
a falta de experiência
que causa desequilíbrios em nós,
o sentimento de tédio,
de frustração,
e até de depressão.

O mundo virtual
dos pensamentos
e das palavras
transportam-nos
para um mundo imaginário,
de expectativas,
que a realidade
não tem como prover,
por falta dos nossos passos
dados no chão da vida,
um após o outro,
cumpridas
as exigências
que só o esforço
e a ação,
providenciarão.

É a realidade
que dá as mãos
para a verdade.

E, se formos críticos,
naturalmente,
acabaremos percebendo,
que também a verdade não existe.

É mesmo.
A verdade também não é real.

O que é real é a pessoa
que personifica a verdade,
que testemunha
a verdade.

É a pessoa, de verdade,
que atende à realidade.

É a pessoa que encarnou
os princípios da verdade,
da justiça e do amor,
que é real, concreta,
e responde
às carências
e necessidades
dos outros.

Fazendo-se resposta.

Agindo.



Eneas Paulo Budel Bogucheski
Criado em 17/04/2020

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