domingo, 19 de abril de 2020

725.- Identidade. Procurando minha carteira de identidade.



Procuro uma face
que revele a minha imagem.

Continuo procurando 
entre as dúvidas e o nevoeiro.  

Acho eu,
que desde que cada um de nós
foi chamado à vida,
aqui estamos,
vivos, inteligentes e livres,
caminhando dentro do nevoeiro.

Não vemos bem,
mas me parece
que a nossa fisionomia
é mais ou menos igual
ou semelhante
ao nosso Pai Criador,
se aprendi certo,
“que os semelhantes
se atraem”.

Minha tese,
neste momento,
é que, desde que nascemos,
estamos à procura,
procurando encontrar
aquele que nos criou.

Estamos um ao lado do outro,
olhamos para todos os lados
e só vemos,
um ao outro,
mais ou menos semelhantes.
E nos vemos, todos,
como irmãos.

Somos todos irmãos
de um tipo de sangue espiritual,
à procura do rosto
do nosso Pai.

Estamos dentro
do nevoeiro da vida,
sem clareza, sem certezas,
caminhando,
procurando o perfil perfeito,
do nosso Pai.

Me sinto como alguém
tirado do nada,
vindo
de não sei de onde.

Não fui eu,
nem meus pais terrenos
que me deram esta chance
de estar aqui.

Não é o sangue
que tem essa sede,
da busca de identidade,
e de identificação.

Convivi muitos anos
com meus pais
e eles não esgotaram,
não contentaram
meu desejo, íntimo,
profundo,
de encontro
com meu verdadeiro criador.

Meus pais terrenos me amaram
com todo o potencial que tinham,
mas não preencheram
um vazio,
um espaço
que só pode ser preenchido
por alguém
que seja eterno,
que já seja perfeito,
que exerce atração.

Por isso,
acho que não somos daqui.
Temos um outro tipo de sangue,
espiritual.

Por isso, ainda estamos nos sentindo órfãos
procurando, entre nevoeiros,
que um dia dissolverão,
e revelarão a nossa casa
as paisagens eternas
e nosso Pai.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Criado em 19/04/2020

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