Procuro uma face
que revele a minha imagem.
Continuo procurando
entre as dúvidas e o nevoeiro.
Acho eu,
que desde que cada um
de nós
foi chamado à vida,
aqui estamos,
vivos, inteligentes e
livres,
caminhando dentro do
nevoeiro.
Não vemos bem,
mas me parece
que a nossa
fisionomia
é mais ou menos igual
ou semelhante
ao nosso Pai Criador,
se aprendi certo,
“que os semelhantes
se atraem”.
Minha tese,
neste momento,
é que, desde que
nascemos,
estamos à procura,
procurando encontrar
aquele que nos criou.
Estamos um ao lado do
outro,
olhamos para todos os
lados
e só vemos,
um ao outro,
mais ou menos
semelhantes.
E nos vemos, todos,
como irmãos.
Somos todos irmãos
de um tipo de sangue
espiritual,
à procura do rosto
do nosso Pai.
Estamos dentro
do nevoeiro da vida,
sem clareza, sem
certezas,
caminhando,
procurando o perfil
perfeito,
do nosso Pai.
Me sinto como alguém
tirado do nada,
vindo
de não sei de onde.
Não fui eu,
nem meus pais
terrenos
que me deram esta
chance
de estar aqui.
Não é o sangue
que tem essa sede,
da busca de
identidade,
e de identificação.
Convivi muitos anos
com meus pais
e eles não esgotaram,
não contentaram
meu desejo, íntimo,
profundo,
de encontro
com meu verdadeiro
criador.
Meus pais terrenos me
amaram
com todo o potencial
que tinham,
mas não preencheram
um vazio,
um espaço
que só pode ser
preenchido
por alguém
que seja eterno,
que já seja perfeito,
que exerce atração.
Por isso,
acho que não somos
daqui.
Temos um outro tipo
de sangue,
espiritual.
Por isso, ainda estamos
nos sentindo órfãos
procurando, entre
nevoeiros,
que um dia
dissolverão,
e revelarão a nossa
casa
as paisagens eternas
e nosso Pai.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Criado
em 19/04/2020

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