O
que permanece
e
resiste,
durante
ou depois
dos
temporais,
se
não for a alma,
o
que será?
O
que permanece
quando
o tempo acaba,
quando
tudo vai embora,
e
só fica o infinito,
a
morada da alma?
Quando em meus textos
insisto escrevendo
que o meu maior
desejo
nesta vida
é ver o invisível,
estou querendo dizer
que é a face da minha
alma
que gostaria de ver.
Minha alma
já deve ter
perambulado
por este mundão infinito,
conhecido e explorado,
universos esquisitos,
promissores
e belos.
Se eu conseguir olhar
para a alma da minha
alma
conseguirei ver um
pouquinho
dos mundos invisíveis
que ficaram
refletidos na sua
face.
Sugiro
que você procure
e
selecione uma foto,
lá
de cima,
de
uma noite estrelada
ou
do fundo
do
espaço infinito.
Coloque
um fundo musical
de
música clássica,
preferencialmente
do compositor
Johann
Sebastian Bach,
ou
Beethoven,
com
a nona sinfonia,
conhecida
também
como
O Hino da Alegria.
Você sentirá a sua
alma
agitando-se, querendo
dançar,
pular, sair pela sua
garganta.
Com o fundo musical
ligado,
comece ativando
a sua consciência
para que ela funcione
como observadora,
sentindo o que vai
acontecendo,
evoluindo, crescendo
dentro de você.
O seu cérebro
tenta se concentrar
em cada uma das
variações
da música.
Dentro de você
vai alargando-se,
ampliando os espaços.
Feche os olhos,
e sinta-se dentro
de uma nave espacial,
saindo para uma
voltinha
lá pelas estrelas.
Como seria bom ir,
e não ter de voltar,
mas não dá.
Então basta um
aperitivo,
uma leve experiência,
uma pequena viagem,
nas asas da alma.
Na música,
nas artes,
na oração,
na meditação
e na contemplação,
experimentamos
a vivacidade
da alma.
Podemos não ver a
alma,
mas podemos senti-la
viva,
em nosso corpo,
através daquilo
que nos comove,
nos atrai,
pelo bem,
pela beleza,
pela bondade,
pela aura de
mistérios,
pelo que esperamos e
acreditamos.
O maior desejo
de qualquer ser
humano
é, algum dia,
em algum tempo
ou lugar,
visualizar
o mundo invisível,
aquele mundo
imaginado,
ainda não visto,
mas já sonhado.
Muitas coisas que não
vemos,
temos certeza,
existem.
Por exemplo,
não vemos nossa alma,
mas sabemos que
existe.
Não vemos nosso espírito,
mas sabemos que
existe.
A alma e o espírito
de natureza
espiritual,
habitam-nos,
por isso existimos,
pensamos,
sentimos,
imaginamos,
criamos.
E temos meios
de manifestar
estas realidades,
invisíveis.
Nossa alma grita,
quando sentimos
que precisamos
ficar em silêncio,
parar, colocar ordem
em nossos
pensamentos,
quando desejamos paz,
quando o mundo
parece sufocar-nos.
Existem lugares
em que sinto
algo,
indefinível,
indescritível,
numa montanha,
numa igreja vazia,
uma noite estrelada,
silenciosa.
Existe sede
dentro de mim
por algo
que não seja visível
e manifesto,
por nada
que seja comível,
bebível ou usável.
Existe sede pela
fonte,
pela origem
do meu ser.
Existe algo em mim
que não seja conhecimento;
mas é admiração,
intuição,
encantamento.
Nada disso que
procuro
já foi visto.
É algo ou Alguém,
que não se mostra,
mais se esconde,
provocando,
seduzindo.
Só pode ser
o Autor,
inventor
da minha alma,
para fazê-la assim,
tão insatisfeita.
Não quero
que minha alma
seja feita
com a matéria
deste mundo.
É de material
duradouro,
do infinito
que desejo,
seja ela feita,
sem defeitos.
Como queria
olhar, desde já,
para o infinito
e ver lá,
minha alma,
construída,
já finalizada,
espelhada
na fisionomia,
transparente,
da perfeição.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 28/04/2020

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