terça-feira, 28 de abril de 2020

731.- Alma. Fisionomia da alma





O que permanece
e resiste,
durante ou depois
dos temporais,
se não for a alma,
o que será?  

O que permanece
quando o tempo acaba,
quando tudo vai embora,
e só fica o infinito,
a morada da alma?


Quando em meus textos
insisto escrevendo
que o meu maior desejo
nesta vida
é ver o invisível,
estou querendo dizer
que é a face da minha alma
que gostaria de ver.

Minha alma
já deve ter perambulado
por este mundão infinito,
conhecido e explorado,
universos esquisitos,
promissores
e belos.

Se eu conseguir olhar
para a alma da minha alma
conseguirei ver um pouquinho
dos mundos invisíveis que ficaram
refletidos na sua face.

Sugiro que você procure
e selecione uma foto,
lá de cima,
de uma noite estrelada
ou do fundo
do espaço infinito.

Coloque um fundo musical
de música clássica,
preferencialmente do compositor
Johann Sebastian Bach,
ou Beethoven,
com a nona sinfonia,
conhecida também
como O Hino da Alegria.

Você sentirá a sua alma
agitando-se, querendo dançar,
pular, sair pela sua garganta.

Com o fundo musical ligado,
comece ativando
a sua consciência
para que ela funcione
como observadora,
sentindo o que vai acontecendo,
evoluindo, crescendo dentro de você.

O seu cérebro
tenta se concentrar
em cada uma das variações
da música.

Dentro de você
vai alargando-se,
ampliando os espaços.

Feche os olhos,
e sinta-se dentro
de uma nave espacial,
saindo para uma voltinha
lá pelas estrelas.

Como seria bom ir,
e não ter de voltar,
mas não dá.
Então basta um aperitivo,
uma leve experiência,
uma pequena viagem,
nas asas da alma.

Na música,
nas artes,
na oração,
na meditação
e na contemplação,
experimentamos
a vivacidade
da alma.

Podemos não ver a alma,
mas podemos senti-la viva,
em nosso corpo,
através daquilo
que nos comove,
nos atrai,
pelo bem,
pela beleza,
pela bondade,
pela aura de mistérios,
pelo que esperamos e acreditamos.

O maior desejo
de qualquer ser humano
é, algum dia,
em algum tempo
ou lugar,
visualizar
o mundo invisível,
aquele mundo imaginado,
ainda não visto,
mas já sonhado.

Muitas coisas que não vemos,
temos certeza, existem.

Por exemplo,
não vemos nossa alma,
mas sabemos que existe.
Não vemos nosso espírito,
mas sabemos que existe.

A alma e o espírito
de natureza espiritual,
habitam-nos,
por isso existimos,
pensamos,
sentimos,
imaginamos,
criamos.

E temos meios
de manifestar
estas realidades,
invisíveis.

Nossa alma grita,
quando sentimos
que precisamos
ficar em silêncio,
parar, colocar ordem
em nossos pensamentos,
quando desejamos paz,
quando o mundo
 parece sufocar-nos.

Existem lugares
em que sinto
algo,
indefinível,
indescritível,
numa montanha,
numa igreja vazia,
uma noite estrelada,
silenciosa.

Existe sede
dentro de mim
por algo
que não seja visível
e manifesto,
por nada
que seja comível,
bebível ou usável.

Existe sede pela fonte,
pela origem
do meu ser.

Existe algo em mim
que não seja conhecimento;
mas é admiração,
intuição,
 encantamento.

Nada disso que procuro
já foi visto.

É algo ou Alguém,
que não se mostra,
mais se esconde,
provocando,
seduzindo.

Só pode ser
o Autor,
inventor
da minha alma,
para fazê-la assim,
tão insatisfeita.

Não quero
que minha alma
seja feita
com a matéria
deste mundo.

É de material duradouro,
do infinito
que desejo,
seja ela feita,
sem defeitos.

Como queria
olhar, desde já,
para o infinito
e ver lá,
minha alma,
construída,
já finalizada,
espelhada
na fisionomia,
transparente,
da perfeição.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 28/04/2020

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