sexta-feira, 1 de maio de 2020

732.- Céu. Oi céu, onde moras?





A face do céu
é invisível.
Não o vemos.

O céu
está na dimensão
invisível,
da eternidade.

Nós estamos
na dimensão visível,
primária, inicial,
da ascensão,
à perfeição.

Nós estamos
na dimensão
do tempo.

Quem está aqui,
vê tudo
o que é daqui.

Quantos de nós
já ouvimos falar
do céu?

E quantos,
deram ouvidos,
aceitaram?

E quantos,
rejeitaram?

Se dão melhor
na vida que passa,
aqueles que aceitam.

Se sentem melhor,
mais alegres,
mais esperançosos,
aqueles que acreditam
no céu.

Por enquanto
a atitude correta,
é aceitar e acreditar.

Porque o céu
não é aqui.

Para ir até o céu,
precisamos
de outros meios,
da contemplação,
ação de admiração,
de transporte,
das coisas visíveis,
das boas ações,
para as invisíveis.

Se alguém consegue
seguir adiante,
pensar,
vislumbrar,
imaginar,
o que seja o céu,
vai ser uma pessoa diferente.

E passa a ver tudo,
como se no céu
estivesse vi-vendo.

E começará ouvir
o que desde sempre,
a eternidade fala,
e não conseguimos ouvir,
nem decifrar,
porque não estamos antenados,
na sintonia fina,
nas ondas do espírito,
do bom espírito
do espírito desenvolvido,
da alma diplomada,
nas escolas do céu.

Agora é o momento certo
em que devemos nos ocupar
mais com as coisas divinas.

Se ficarmos envolvidos
somente com as coisas nossas,
dos humanos,
permaneceremos apenas terráqueos,
e o céu ficará só para os anjos.

Se ficarmos envolvidos
somente com as coisas humanas,
com as fronteiras da terra,
permaneceremos terráqueos,
e nem vamos conseguir romper
as resistências,
para começar o diálogo
sobre as coisas do céu.

Se a gente sente dentro de si
sentimentos inexplicáveis,
de admiração, diante
da grandiosidade
do universo.

Se conseguimos aceitar
que muitas perguntas feitas
na terra,
não encontramos
respostas aqui,
as respostas
só podem estar lá,
no céu.

Se você se permitir,
não resistir,
aceitar
o céu,
como uma possibilidade real,
darás os passos
na sua direção,
e já serás diferente,
dos que desistiram,
antes
de começar.

Não leia literatura
sobre o inferno.
Se ler,
está alimentando
teus conflitos,
e não verás soluções
para tuas frustrações.
O inferno é fechado.

Leia literatura sobre o céu.
Se ler, será mais otimista,
aberto, bondoso, pacífico,
carinhoso, atencioso,
pois está alimentando-se
dos valores que lá existem.
O céu é aberto.

Perguntam-se se estou passando bem,
ou afirmam que sou corajoso,
escrever sobre o céu
durante um tempo
de pandemia.

Se eu fizer um discernimento,
como dom de visão adquirida,
com conhecimentos teológicos,
mais do que científicos,
distingo o bem do mal,
as duas forças
presentes no mundo,
a do espírito santo,
e a do espírito
das negações,
ou do afastamento de tudo
o que é bom e benfazejo.

Então, opto por me aproximar
do bom espírito, das boas obras,
do otimismo, das esperanças,
das buscas por soluções,
das portas de saída.

Escolho a esperança.

Afasto-me do pessimismo.
E dos pessimistas.

O bom espírito,
que vem do céu,
me faz sentir um vazio,
... a ser preenchido.

O mau espírito,
no meu vazio,
... me afunda
cada vez mais.

O bom espírito, do céu,
nas dificuldades,
... me fortalece.

O mau espírito,
nas dificuldades
... me confunde,
me enche de dúvidas.

O bom espírito, do céu,
nos momentos de crises,
... me inspira ao esforço,
a lutar, a rezar, pedir ajuda.

O bom espírito, do céu,
sabe que precisa
cada vez mais,
purificar-se.

O bom espírito, do céu
sabe que faz parte
da pedagogia
do crescimento espiritual,
aceitar,
as provações dos dias difíceis,
como meios de fortalecimento,
intensificando a prática
das boas ações,
prestando mais atenção
aos sofrimentos
dos outros,
servindo mais,
do que querer
ser servido.

O bom espírito, do céu,
não dá descanso, nunca.
Esgota os recursos da razão,
para alimentar a fé,
e purificar o amor.

O bom espírito, do céu,
me ensina
a ser paciente,
não se revolta,
não joga a culpa
no bom Deus, criador.

O bom espírito, do céu,
me faz humilde.

O mau espírito,
é negligente,
preguiçoso,
resistente,
não aceita nada
 que vem do céu.

O mau espírito, é orgulhoso,
prepotente, autônomo.
Não quer obedecer,
ao Deus libertador.

O bom espírito, é da verdade,
aproxima-se da luz,
da claridade.

Então, voltemos ao céu.
É de lá que vem,
o que aqui
não tem.

Mesmo que as coisas
aqui na Terra
fiquem pretas,
é no céu,
que vemos as cores,
do arco-íris.

Se precisamos de ajuda,
olhamos para cima.

É de cima,
onde as promessas foram feitas,
sobre o céu a ser merecido,
não as promessas
feitas no chão,
nas quais acreditamos,
e nos decepcionaram,
pois que não nos
realizaram.  

É na luz,
que ajuda a ver,
que investimos nossos esforços,
não nas trevas,
que escondem,
os horizontes eternos.

O céu é ou será sempre,
fruto de conquista,
prêmio
a ser merecido.

Se ainda tem
alguma coisa boa para olhar,
é para cima, para o céu,
aberto, misterioso,
ansioso
para nos receber,
tirar o véu,
e deixar-se,
viver. 


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 01/05/2020

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