Qual é o espírito
que predomina
em sua visão
de mundo?
O artístico
ou o das lamentações?
O da admiração ou das
críticas.
Por que,
tudo que é arte,
nos atrai?
Porque nos dizem,
sutilmente,
que há valores
dentro de nós.
As atitudes
ou obras de arte
chamam nossa atenção,
despertam e mexem
com a região das
profundidades,
de onde brotam
sentimentos de
nostalgia,
pela distância que estamos,
da perfeição.
As artes
despertam em nós,
a admiração,
não a crítica,
nem os julgamentos.
Despertam a parte
boa,
a nobreza, a
admiração,
o que há de bom nos
artistas,
o que há de belo na
natureza,
e o que há de melhor,
em nossa
personalidade,
tanto quanto,
aperfeiçoada.
A arte,
a beleza,
a bondade,
nos atraem
pelos valores
que a compõem,
revelando que,
ao nos deixar seduzir,
revelam também,
que os valores,
admirados lá,
já estão aqui,
dentro de nós,
tornando-nos
uma só coisa,
o objeto de arte
com a pessoa
que admira.
A admiração
é uma das principais
qualidades do ser
humano,
pois capta e revela,
- da arte,
unidade e perfeição,
- do artista,
a inspiração
e a nobreza,
- e do admirador,
a contemplação
e o prazer.
A admiração
é uma das qualidades
mais nobres
que existe
no ser humano,
pois revela
o que ele tem
de mais elevado,
despida do ego,
voltada para as excelências
que existem fora
dele,
isento de inveja,
demonstrando,
simplesmente,
a riqueza da
gratuidade,
sem ter nada,
sem precisar de nada,
sem levar nada,
alcança o altar
da elevação
da alma.
O admirador
é o mais sábio,
o mais rico dos
humanos,
contenta-se com o que
vê,
e não fica preocupado
com o que não vê,
com o que está oculto
ou lhe é
desconhecido.
De que adianta
ver, entender, ter,
ter qualquer coisa,
e não admirar,
o que vê, o que tem
e o que compreende?
Aquele que admira,
traz e recria
o objeto da
admiração,
dentro de si,
e sente emoções,
sente-se vivo,
vibrante.
Qual é a cultura
ou literatura, de
hoje,
que nos ensina
a arte da admiração?
Que tipos
de programas de TV
ou filmes, você
assiste?
Quais são os livros
que gosta de ler?
Responda se te ensinam,
se te promovem,
de consumidor,
a admirador.
Deixamos de cultivar
as qualidades
próprias da infância
e da juventude,
quando fomos
adquirindo
conhecimentos de
pessoas adultas,
e nos tornamos racionais
e críticos.
Junto com a infância
e a juventude,
perdemos
as mais preciosas
qualidades,
a simplicidade,
a leveza de ser,
a admiração.
Fomos nos tornando
adultos,
empobrecendo nossa
natureza,
as virtudes, os
sentimentos
que nos promoveriam
para pessoas
mais equilibradas
e felizes.
Hoje,
o que mais mexe
comigo,
por dentro,
é perceber,
sentir um olhar
carinhoso,
de aceitação,
acolhimento,
e admiração.
Eu até acho
que um olhar
de admiração,
um toque carinhoso,
é capaz de fazer
uma pessoa deprimida,
recuperar as energias
vitais.
Toda arte morta,
ao ser admirada,
é capaz de,
de novo,
reviver,
reluzir,
seduzir,
falar,
e demostrar
suas graças.
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Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 07/05/2020

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