Quem vai ser a mestra,
educadora: a guerra ou a paz,
a ociosidade ou a ação.
Vivemos
a maior parte do tempo
subordinados ao poder
e enganações
da mente.
E os exploradores
da nossa ingenuidade
usam e abusam
deste poder,
que lhes damos.
Pensamentos brotam
constantemente
da nossa cabeça.
Pensar é fácil,
instantâneo,
imediato.
E deixamos,
soltamos as rédeas,
da imaginação
que fica criando
ilusões,
irrealidades,
inalcançáveis.
Porém,
quando temos de
pensar
na solução
de algum problema
prático,
ficamos com preguiça,
e desanimamos,
porque estamos
demasiadamente
envolvidos
com o mundo virtual,
imaginário.
O pensar prático
deve despertar
as motivações
para ativar
a criatividade.
A vida real acontece
no chão da vida,
na carne do corpo,
na fome, no frio,
no que falta,
nas carências
e nos sofrimentos
daqueles que estão
ao nosso lado.
A realidade
é a professora,
verdadeira,
exigente,
que não perdoa atrasos,
faltas, indiferenças
ou apatia.
A realidade ensina,
que é necessário
empenho,
frequentar as aulas,
levantar-se cedo,
trabalhar,
esforçar-se,
dedicar-se,
suar.
Se relaxar,
estaremos subordinados
aos instintos,
e nas mãos
dos manipuladores.
Esteja atento,
consciente,
vigilante, prudente,
discernindo
as estratégias da
imaginação,
e os apetites insaciáveis,
do ego.
A realidade
é que ensina.
As ilusões,
iludem,
mentem,
e provocam as
insatisfações,
lamentações e
desilusões.
Veja como é
importante
conhecer-se a si
mesmo,
distinguir as origens,
de onde nascem
as nossas alegrias
ou frustrações.
As alegrias
são frutos
de conquistas.
São os resultados
dos nossos esforços,
da perseverança,
em um trabalho,
em um caminho,
em direção
a algo valioso,
construtivo,
personalizante,
e divinizante.
Se queres ver
as paisagens
longínquas,
deverá subir,
escalar,
as montanhas,
colocar os acessórios
certos,
nos lugares certos,
tirando o salto alto
e as maquiagens
desnecessárias.
Só existe a
realidade,
visível, palpável,
com peso, forma,
tamanho,
cores,
localização.
A realidade é a professora,
a mestra da
sensibilidade,
exigente, necessária,
para não nos deixar
dormir,
em plena sala-mundi
das atividades.
Palavras e
pensamentos,
não existem,
materialmente.
Não possuem
identidade,
CPF ou CNPJ. Nem
fotos.
Nem casa, nem
sapatos.
Se você parar,
pensar e refletir
sobre o que leu até
aqui,
vai concordar comigo.
O que está acontecendo
é exatamente o
inverso.
É o irreal que está
na mesa,
na tela da tv e da
nossa mente.
Estamos prestando
atenção,
mais nos professores,
das mentiras,
professores dominadores,
exploradores da
consciência,
manipuladores da
opinião pública.
Estamos bem mais por
dentro
das disciplinas e matérias,
das injustiças,
das violências,
das enganações,
mais dentro da TV,
da Internet e
celulares.
Parece que o mundo
real
não existe mais.
Só a cabeça vive,
e sem o coração.
É a realidade
que dá as mãos
para a verdade.
É a verdade,
só a verdade,
e ações solidárias,
que atendem
à realidade.
Tudo o que não se
encaixa
dentro do que se
compreende
por verdade,
é mentira,
enganação,
ilusão,
alienação
conduzida,
orientada
estrategicamente,
para fortalecer os
fortes
e enfraquecer os
fracos.
Tudo o que é
comunicado,
se não é verdade
e nem é sério,
só causam
frustrações,
desilusões,
desânimo,
e fraquezas.
E quando,
o que olhamos,
o que escutamos,
e o que conversamos,
só permanece
no mundo
dos pensamentos,
das palavras,
e das imagens,
começam os
desequilíbrios,
as carências, a fome
de pão
e de justiça.
Quando ficamos
no mundo virtual,
o mundo externo,
o mundo das coisas,
começa a não tem mais
nenhuma importância.
As pessoas, os
acontecimentos,
transformaram-se em números
e estatísticas.
Os meios de
comunicação
dominam o mundo,
alienam e escravizam
as pessoas
menos preparadas.
E a maioria das
pessoas
acabam envolvidas
nas suas armadilhas.
Transformaram o mundo
das comunicações
em uma arena de
ataques
e defesas, de juízos,
críticas,
e julgamentos,
precipitados.
E tudo isso
gera conflitos.
Alimenta os egos,
que precisam atacar
ou defender-se,
para consumir as
energias,
negativas, venenosas,
que se alimentam
de tensões.
E, coitada da paz,
da pombinha da paz,
que nem tem mais
onde pousar,
e repousar.
Onde encontrar
a paz? Diga-me onde?
Acostumados a viver
no mundo virtual
dos pensamentos,
imagens
e palavras,
não percebemos
que estão tirando
o chão dos nossos pés.
Faltando a experiência,
o contato com a
realidade,
deixamos de exercer
as ações,
a prática,
que nos realizam,
como pessoas,
de serviço.
Não serás nunca
uma pessoa realizada
se não ajudar alguém,
a ser mais, do que
ela já é.
Não existe outra fórmula
de realização
pessoal,
a não ser
a de sentir-se útil
para alguém.
É exatamente
a falta de ações,
de ser o que somos,
que causa em nós
o sentimento
de tédio e
frustração,
e até de depressão.
O mundo virtual
dos pensamentos
e das palavras
transporta-nos
para um mundo
imaginário,
de expectativas,
que a realidade
não tem como prover,
por falta dos nossos
passos
dados no chão da
vida,
um após o outro,
cumpridas
as exigências
que só o esforço
e a ação,
providenciarão.
Não há na face da
terra
um motivo real,
para guerrear,
para lutar,
sofrer e morrer,
se não for
pela paz.
Eneas
Paulo Budel Bogcuheski
Atualizado
em 11/05/2020
eneaspb@gmail.com 
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