segunda-feira, 11 de maio de 2020

738.- Ilusões x Realidade. Escolher quem vai ser a mestra educadora.





Quem vai ser a mestra,
educadora: a guerra ou a paz,
a ociosidade ou a ação.  

Vivemos
a maior parte do tempo
subordinados ao poder
e enganações
da mente.

E os exploradores
da nossa ingenuidade
usam e abusam
deste poder,
que lhes damos.

Pensamentos brotam
constantemente
da nossa cabeça.

Pensar é fácil,
instantâneo,
imediato.

E deixamos,
soltamos as rédeas,
da imaginação
que fica criando ilusões,
irrealidades,
inalcançáveis.

Porém,
quando temos de pensar
na solução
de algum problema prático,
ficamos com preguiça,
e desanimamos,
porque estamos
demasiadamente envolvidos
com o mundo virtual,
imaginário.

O pensar prático
deve despertar
as motivações
para ativar
a criatividade.

A vida real acontece
no chão da vida,
na carne do corpo,
na fome, no frio,
no que falta,
nas carências
e nos sofrimentos
daqueles que estão
ao nosso lado.

A realidade
é a professora,
verdadeira,
exigente,
que não perdoa atrasos,
faltas, indiferenças
ou apatia.

A realidade ensina,
que é necessário empenho,
frequentar as aulas,
levantar-se cedo,
trabalhar,
esforçar-se,
dedicar-se,
suar.

Se relaxar,
estaremos subordinados
 aos instintos,
e nas mãos
dos manipuladores.

Esteja atento, consciente,
vigilante, prudente,
discernindo
as estratégias da imaginação,
e os apetites insaciáveis,
do ego.

A realidade
é que ensina.

As ilusões,
iludem,
mentem,
e provocam as insatisfações,
lamentações e desilusões.

Veja como é importante
conhecer-se a si mesmo,
distinguir as origens,
de onde nascem
as nossas alegrias
ou frustrações.

As alegrias
são frutos
de conquistas.

São os resultados
dos nossos esforços,
da perseverança,
em um trabalho,
em um caminho,
em direção
a algo valioso,
construtivo,
personalizante,
e divinizante.

Se queres ver
as paisagens longínquas,
deverá subir,
escalar,
as montanhas,
colocar os acessórios certos,
nos lugares certos,
tirando o salto alto
e as maquiagens
desnecessárias.

Só existe a realidade,
visível, palpável,
com peso, forma, tamanho,
cores,
localização.

A realidade é a professora,
a mestra da sensibilidade,
exigente, necessária,
para não nos deixar dormir,
em plena sala-mundi
das atividades.

Palavras e pensamentos,
não existem, materialmente.
Não possuem identidade,
CPF ou CNPJ. Nem fotos.
Nem casa, nem sapatos.

Se você parar,
pensar e refletir
sobre o que leu até aqui,
vai concordar comigo.

O que está acontecendo
é exatamente o inverso.

É o irreal que está na mesa,
na tela da tv e da nossa mente.

Estamos prestando atenção,
mais nos professores,
das mentiras,
professores dominadores,
exploradores da consciência,
manipuladores da opinião pública.

Estamos bem mais por dentro
das disciplinas e matérias,
das injustiças,
das violências,
das enganações,
mais dentro da TV,
da Internet e celulares.

Parece que o mundo real
não existe mais.

Só a cabeça vive,
e sem o coração.

É a realidade
que dá as mãos
para a verdade.

É a verdade,
só a verdade,
e ações solidárias,
 que atendem
à realidade.

Tudo o que não se encaixa
dentro do que se compreende
por verdade,
é mentira,
enganação,
ilusão,
alienação
conduzida,
orientada
estrategicamente,
para fortalecer os fortes
e enfraquecer os fracos.

Tudo o que é comunicado,
se não é verdade
e nem é sério,
só causam
frustrações,
desilusões,
desânimo,
e fraquezas.    

E quando,
 o que olhamos,
o que escutamos,
e o que conversamos,
só permanece
no mundo
dos pensamentos,
das palavras,
e das imagens,
começam os desequilíbrios,
as carências, a fome de pão
e de justiça.

Quando ficamos
no mundo virtual,
o mundo externo,
o mundo das coisas,
começa a não tem mais
nenhuma importância.

As pessoas, os acontecimentos,
transformaram-se em números
e estatísticas.

Os meios de comunicação
dominam o mundo,
alienam e escravizam
as pessoas
menos preparadas.

E a maioria das pessoas
acabam envolvidas
nas suas armadilhas.

Transformaram o mundo
das comunicações
em uma arena de ataques
e defesas, de juízos,
críticas,
e julgamentos,
precipitados.

E tudo isso
gera conflitos.
Alimenta os egos,
que precisam atacar
ou defender-se,
para consumir as energias,
negativas, venenosas,
que se alimentam
de tensões.

E, coitada da paz,
da pombinha da paz,
que nem tem mais
onde pousar,
e repousar.

Onde encontrar
a paz? Diga-me onde?

Acostumados a viver
no mundo virtual
dos pensamentos,
imagens
e palavras,
não percebemos
que estão tirando
o chão dos nossos pés.

 Faltando a experiência,
o contato com a realidade,
deixamos de exercer as ações,
a prática,
que nos realizam,
como pessoas,
de serviço.

Não serás nunca
uma pessoa realizada
se não ajudar alguém,
a ser mais, do que ela já é.

Não existe outra fórmula
de realização pessoal,
a não ser
a de sentir-se útil
para alguém.

É exatamente
a falta de ações,
de ser o que somos,
que causa em nós
o sentimento
de tédio e frustração,
e até de depressão.

O mundo virtual
dos pensamentos
e das palavras
transporta-nos
para um mundo imaginário,
de expectativas,
que a realidade
não tem como prover,
por falta dos nossos passos
dados no chão da vida,
um após o outro,
cumpridas
as exigências
que só o esforço
e a ação,
providenciarão.

Não há na face da terra
um motivo real,
para guerrear,
para lutar,
sofrer e morrer,
se não for
pela paz.

Eneas Paulo Budel Bogcuheski
Atualizado em 11/05/2020
eneaspb@gmail.com

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