Vivemos
para um projeto importante:
construir a eternidade no tempo.
Ganhamos
a inteligência e a
vontade,
os cinco sentidos, a
intuição
e a fé, que remove
montanhas.
Nascemos equipados
para buscar soluções,
aprender, discernir,
fazer contratos de
parcerias.
Ganhamos a vida e o
tempo
para pôr em prática
este projeto.
Alguns se acomodam
nas teias da
superficialidade.
Outros, vão longe,
explorando,
decifrando mistérios,
interpretando códigos
descobrindo senhas,
escalando montanhas
ou mergulhando fundo
nos rios e mares da
vida.
O espírito
está em nós
para nos ajudar a superar
aquilo que na nossa natureza
se manifesta como fraqueza.
Na terra, vivemos praticamente na superfície, pisando no
chão com os pés, e vivendo pela cabeça, nas nuvens,
superficialmente.
Então, como saberemos se estamos nos conduzindo pelos
critérios de profundidade, se estamos na terra, respirando a cultura da
superfície da terra?
A tendência
do ser humano
é manter-se
nas malhas
da superficialidade,
acostumar-se,
na maciota da rotina,
a resistir,
não avançar,
para as águas
mais profundas.
Em todas as coisas,
encontramos a superfície
e a profundidade.
No mar, o lixo se acumula
na superfície, nas águas rasas.
Nas pessoas,
os assuntos banais,
são uma constante,
tratam das coisas
da superfície,
da vida,
sem finalidade.
Raramente
encontramos pessoas
que fazem perguntas,
cujas respostas
englobam
a humanidade toda.
A profundidade
aparece
nas pessoas
que escalam
altas montanhas,
olham para longe,
incluindo novas fronteiras
e vislumbram o infinito aberto,
os rios, e os mares profundos.
Superficialidades
são observadas
quando o ego
se impõem.
Atitudes
que nascem
da profundidade,
revelam o eu superior
atuando na superfície.
A profundidade
e a Altitude
são irmãs.
Uma olha das profundezas.
A outra enxerga das alturas.
A superficialidade
e a Horizontalidade,
também são irmãs,
porém, ambas olham
apenas para os lados,
e para as aparências.
As riquezas
das profundidades
desejam subir,
enriquecer
a superfície.
As futilidades,
não querem,
não desejam
descer,
sair de onde estão,
parar de agitar-se,
e silenciar. Não sabem.
Não conseguem mais.
Nas profundidades
estão os nutrientes
mais saudáveis,
mais fortes,
resistentes,
as convicções,
lições bem aprendidas,
experiências reconfortantes.
Na superfície,
encontram-se poucas coisas
satisfatórias.
Na profundidade
se encontra sempre mais
do que se procura.
O que se encontra
nas profundidades
é a descoberta e ativação
das potencialidades
do espírito.
Na superfície
vive-se a dinâmica do ego,
da acomodação,
da crítica.
Da profundidade
vem a dinâmica do espírito,
envolvente, unificadora,
compreensiva,
pacificadora,
tolerante,
fraterna.
Sem uma disciplina mística,
atenção às exigências
da espiritualidade,
não conseguimos sair
da superfície,
e entrar nas profundidades,
onde está a fonte dos valores,
os nutrientes do nosso espírito.
Distinguimos claramente,
aqueles que vivem
a partir dos critérios do ego,
de um estilo de vida
vivido na superficialidade,
e aqueles que vivem
a partir das fontes profundas,
límpidas, transparentes,
suaves,
do espírito imperturbável,
não manipulável, puro e forte.
Viver na superficialidade
mantém-nos no campo
das atitudes incoerentes,
infrutíferas,
vazias,
sem propósitos,
opacas,
sem nenhum brilho.
Deixar aflorar lá do fundo,
das raízes bondosas,
as virtudes da compreensão,
da generosidade,
da sinceridade,
da disponibilidade,
da amabilidade,
é uma opção séria,
firme, decidida,
do espírito maduro,
que nos habita.
Há uma potência,
uma seiva
que percorre
nossas veias espirituais,
que vem lá da eternidade,
que nasce lá das profundezas,
da zona silenciosa,
imperturbável,
da alma.
É lá na profundidade,
que reina
a raiz,
de todo bem,
do que é bom,
necessário
a todo ser.
Não é fácil
alcançar
profundidade,
por isso,
quase sempre,
engano-me,
revelando o ego,
superficial,
julgando,
permitindo
que a crítica,
sempre inútil,
me envolva,
e permaneça,
na superfície,
só no que vejo.
Um pensamento bom,
uma atitude de amor,
vem lá da profundidade,
rompendo resistências
e despertando
a nobreza,
do maior sentimento
que o ser humano
pode fazer brotar,
em relação ao outro,
em direção ao outro,
que é o amor.
Não seremos
senhores
de nós mesmos,
se não pararmos,
não fizermos silêncio,
para observar
o nosso agir.
Temos dificuldades, sim,
mas necessidade também,
de perceber,
no que estamos envolvidos,
o que estamos pensando,
se tudo isso tem respondido
a um significado,
a um sentido ou falta de sentido,
cada vez mais libertador,
ou cada vez mais angustiante.
Não adianta só ler.
É necessário
o segundo passo,
que é questionar-se.
Afrontar-se.
E mudar de rumo.
Mudar hábitos.
Romper
com o padrão
escravizante.
Avalie-se, de novo,
sob o ponto de vista
da superficialidade
e da profundidade.
Deixe o comando
para o espírito
da verdade,
aquele que reina,
lá das profundezas.
Dê oportunidades
para ele manifestar-se.
Por fim, é lá do fundo
que manifestamos
que temos alma,
espiritualizada,
e que por isso,
já somos
eternos.
https://heiposworld.blogspot.com
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em
07/05/2020

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