domingo, 10 de maio de 2020

737.- Deus. O Deus Pai brinca de esconde-esconde





Se você conseguir enxergar
as realidades do mundo invisível,
não voltará mais para onde está.

Você sabe que não consigo.
Por que me provoca?

Quero me entreter
com você.

Te vejo
tão sem graça,
sem rir,
nem brincar.

Estou por aqui,
a provocar-te.

Venha
me procurar.

Talvez eu me revele,
numa fresta,
no som
de um sino,
no sorriso
de uma criança
num texto
provocativo,
na tua paz,
não procurada.

Estou diante da sua casa.
Bato na porta,
fechada.

Se ouvir,
e se abrir,
entrarei
e cearemos
 juntos,
e depois
da sobremesa,
brincaremos.

Aquele que se esconde,
quer brincar.

Aquele que se esconde,
quer ser procurado.

O divino
está por aí,
escondido,
num tipo de arte,
invisível,
criativa,
inimitável.

Todo tipo de arte
se não é perfeita,
já está
no andar
de cima.

As obras perfeitas,
se já estão por aqui,
revelam que o criador
ou o inspirador das artes,
está bem próximo,
junto com a inspiração,
ou sendo já, o próprio vento.

Será que a procura
nasce de dentro,
por lá dentro já estar,
aquele que quer
ser procurado?

Se procuro fora
e não encontro,
lá dentro,
nem procuro,
porque a procura
já está ativada,
e atento,
aguardo,
espero,
uma cócega,
lenta, suave, sutil.

Acabo achando
que o meu coração
é o teu céu,
e que lá colocaste,
a alma que criaste,
para habitar,
escondido,
ou invisível,
sem alugar,
ou ocupar,
qualquer espaço.

Fizestes
da minha alma
um jardim,
onde estais,
onde brincas
de esconder-se
e fazer cócegas.

Está aqui dentro,
o que em vão,
procuro fora.

Não me procure
fora de ti.

Não estou longe
das minhas criaturas.

Sou construtor,
criador de almas.

Sei onde me esconder,
provocar-te,
deixar pistas,
para encontrar-me.



Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 10/05/2020


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