Se você conseguir
enxergar
as realidades do
mundo invisível,
não voltará mais para
onde está.
Você
sabe que não consigo.
Por
que me provoca?
Quero me entreter
com você.
Te vejo
tão sem graça,
sem rir,
nem brincar.
Estou por aqui,
a provocar-te.
Venha
me procurar.
Talvez eu me revele,
numa fresta,
no som
de um sino,
no sorriso
de uma criança
num texto
provocativo,
na tua paz,
não procurada.
Estou diante da sua
casa.
Bato na porta,
fechada.
Se ouvir,
e se abrir,
entrarei
e cearemos
juntos,
e depois
da sobremesa,
brincaremos.
Aquele que se
esconde,
quer brincar.
Aquele que se
esconde,
quer ser procurado.
O divino
está por aí,
escondido,
num tipo de arte,
invisível,
criativa,
inimitável.
Todo tipo de arte
se não é perfeita,
já está
no andar
de cima.
As obras perfeitas,
se já estão por aqui,
revelam que o criador
ou o inspirador das
artes,
está bem próximo,
junto com a
inspiração,
ou sendo já, o
próprio vento.
Será que a procura
nasce de dentro,
por lá dentro já
estar,
aquele que quer
ser procurado?
Se procuro fora
e não encontro,
lá dentro,
nem procuro,
porque a procura
já está ativada,
e atento,
aguardo,
espero,
uma cócega,
lenta, suave, sutil.
Acabo
achando
que
o meu coração
é
o teu céu,
e
que lá colocaste,
a
alma que criaste,
para
habitar,
escondido,
ou
invisível,
sem
alugar,
ou
ocupar,
qualquer
espaço.
Fizestes
da
minha alma
um
jardim,
onde
estais,
onde
brincas
de
esconder-se
e
fazer cócegas.
Está aqui dentro,
o que em vão,
procuro fora.
Não me procure
fora de ti.
Não estou longe
das minhas criaturas.
Sou construtor,
criador de almas.
Sei onde me esconder,
provocar-te,
deixar pistas,
para encontrar-me.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 10/05/2020

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