Sai na rua,
encontrei o sofrimento.
Fiquei em casa,
o sofrimento ali estava.
Liguei a TV,
todos estavam lá, reunidos.
Peguei o celular e, misturado,
também lá estava, o sofrimento.
Quem sou eu
no meio de todos estes eventos?
O que faço?
Me envolvo ou me safo?
Parei. Olhei. Me observei.
E decidi, conscientemente:
Não quero ser do número
daqueles que aumentam
a sobrecarga do sofrer.
Todos os
sofrimentos,
com exceção dos
físicos,
todos os tipos de
sofrimentos,
são gerados pelo
ego.
E o ego são as suas e as nossas máscaras,
a nossa personalidade superficial.
Se te machucam, se
te dói,
é o ego que sente,
que sofre.
O seu eu
verdadeiro
é imparcial,
intocável,
absoluto, sereno,
equilibrado.
Desculpe a
franqueza.
Quero falar com o seu verdadeiro eu,
aquele que não
fica chateado
por receber as
chaves
da evolução.
Quantos tipos
de sofrimento
existem?
De quantos
dá para desviar,
descartar?
O sofrimento
de uma dor
localizada,
na carne,
é o mais dolorido,
porque é local,
localizável.
Dor de dente,
dor de cabeça,
dor nos ombros,
dor na panturrilha,
dor nas juntas,
no tornozelo,
na garganta,
são dores,
no corpo,
localizáveis.
E aquelas angústias,
ansiedades,
dúvidas,
insatisfações
que não são
localizáveis,
são apenas mentais,
virtuais, criações do
ego,
ocupam a nossa
cabeça,
e nos fazem sofrer?
Estes sim,
são sofrimentos
inúteis,
criados pela nossa
incompetência
em selecionar e
escolher
o que não nos convém.
A maioria dos nossos
sofrimentos
são inúteis,
criados pelo
desconhecimento
e ignorância de quem
somos.
Sofremos,
quando não somos nós
que escolhemos
o que nos convém.
Sofremos
quando cedemos
a pressões das
propagandas,
das ilusões
criadas pelo nosso
ego.
Sofremos
quando cedemos
e nos envolvemos
com discussões
políticas,
com julgamentos
das ações erradas dos
outros.
Sofremos mentalmente.
O sofrer mental
desequilibra
nossa frágil
estrutura interna,
quando não somos nós
mesmos,
quando não é a nossa
consciência
que separa, escolhe e
decide,
a partir de uma
escala de valores
absolutos, imutáveis,
permanentes.
Tudo o que não leva a
paz, harmonia,
unidade, convivência
fraterna e pacífica,
é consequência de
escolhas feitas a partir do ego.
Os sofrimentos
mentais
não são localizáveis.
Não existem, na
realidade.
São sintomas de falta
de visão.
São sintomas de
infantilismo espiritual,
de imaturidade
existencial.
Só existem na nossa
memória,
na cabeça ou na
imaginação,
e como recordações ruins
do passado
ou projeções imaginadas,
negativamente,
lá para as bandas do
futuro.
Todos os bens
estão disponíveis no
presente.
Por isso se chama
presente.
Todo mal e fonte de
maldade,
também está no
presente,
mas quem escolhe este
caminho,
não está equilibrado
pelos valores
fundamentais que
sustentam a realidade
que é a justiça, a
verdade e o amor.
Sofrimentos mentais
permanecem em nossas
cargas,
ocupando nossas
memórias,
desviando,
transferindo
ou gastando energias
importantes,
inutilmente.
São exatamente estes
sofrimentos
que necessitamos
mapear,
localizar,
identificar,
colocando no espelho,
encarando de frente,
identificando,
eliminando,
quando for possível,
ou mantendo lá,
no canto,
sem lhe darmos tanta
importância.
Se dermos importância
para tudo o que está
errado
na política, na
sociedade,
nas artes, nas
músicas,
na tradição
religiosa,
na cultura atual,
tudo o que não está
bem feito,
tudo isso se transformam
em problemas mentais,
sobre os quais
não temos competência
para resolver.
Estes problemas
geram desgaste
das nossas energias
internas.
Acabamos sofrendo
das consequências
dos acontecimentos
externos
quando permitimos que
tais conflitos
passem a fazer parte
das nossas incapacidades
de resolvê-los.
Nós não somos responsáveis
pela solução dos
problemas do mundo.
Somos sim,
responsáveis
pelas mudanças que
devem
ocorrer no meu mundo
interno.
Qualquer projeto redentor
do mundo
começa com cada um.
Melhoro o mundo,
quando testemunho
mudanças
que faço em minhas
atitudes.
O melhor caminho
para resolver os
problemas do mundo
é através dos meios
da não-violência,
ensinou Gandhi.
Somos responsáveis
pela administração
das nossas energias
negativas,
pelos pensamentos e sentimentos
de revolta
que modificam nosso humor
e bom senso.
Quando não somos equilibrados
e pacíficos
as provocações externas
acordam nosso ego,
e quando menos
percebemos
já estamos dentro do
campo de batalha,
atacando e
defendendo.
Se nos envolvemos
na dinâmica do desgaste,
provocados pela mídia,
vai acontecer
variações em nosso
humor.
Se não separarmos,
com clareza,
o que é da nossa
competência
e o que é da competência
dos poderes
constituídos,
estamos sendo sugados
para dentro
da corrente
das energias
desgastantes
que nos trazem sofrimentos.
Sofrimentos inúteis,
comprados, pelo ego,
traiçoeiro.
Pare um pouco e
perceba
como você estava numa
boa,
e de repente, lendo
uma mensagem
no celular, no face, ouvindo
uma notícia,
seu humor foi
alterado. Acordou o ego.
O que aconteceu?
Houve uma invasão em
seu lar,
em sua vida,
a ponto de interferir
nos bons momentos
que estavam
disponíveis
na sua personalidade.
Os abalos que acontecem
na vida social e
política do teu país,
revelam, através da
sua reação,
o grau de
superficialidade ou de
profundidade da sua
visão de mundo.
Todos os sofrimentos,
todos os tipos de
sofrimentos,
são gerados pelo ego.
E o ego são as tuas
máscaras,
a tua personalidade
superficial.
Desculpe
a franqueza.
Quero
falar com o seu verdadeiro eu,
aquele
que não fica chateado
por
receber as chaves
da
evolução.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 25/04/2020

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