sábado, 25 de abril de 2020

729.- Sofrimento. Reflexões sobre o sofrimento




Sai na rua,
encontrei o sofrimento.

Fiquei em casa,
o sofrimento ali estava.


Liguei a TV,
todos estavam lá, reunidos.

Peguei o celular e, misturado,
também lá estava, o sofrimento.

Quem sou eu
no meio de todos estes eventos?

O que faço?

Me envolvo ou me safo?

Parei. Olhei. Me observei.
E decidi, conscientemente:
Não quero ser do número
daqueles que aumentam
a sobrecarga do sofrer.

Todos os sofrimentos,
com exceção dos físicos,
todos os tipos de sofrimentos,
são gerados pelo ego.

E o ego são as suas e as nossas máscaras,
a nossa personalidade superficial.

Se te machucam, se te dói,
é o ego que sente, que sofre.

O seu eu verdadeiro
é imparcial, intocável,
absoluto, sereno, equilibrado.

Desculpe a franqueza.

Quero falar com o seu verdadeiro eu,
aquele que não fica chateado
por receber as chaves
da evolução. 

Quantos tipos
de sofrimento existem?

De quantos
dá para desviar,
descartar?

O sofrimento
de uma dor localizada,
na carne,
é o mais dolorido,
porque é local,
localizável.

Dor de dente,
dor de cabeça,
dor nos ombros,
dor na panturrilha,
dor nas juntas,
no tornozelo,
na garganta,
são dores,
no corpo,
localizáveis.

E aquelas angústias,
ansiedades,
dúvidas,
insatisfações
que não são localizáveis,
são apenas mentais,
virtuais, criações do ego,
ocupam a nossa cabeça,
e nos fazem sofrer?

Estes sim,
são sofrimentos inúteis,
criados pela nossa incompetência
em selecionar e escolher
o que não nos convém.

A maioria dos nossos sofrimentos
são inúteis,
criados pelo desconhecimento
e ignorância de quem somos.

Sofremos,
quando não somos nós
que escolhemos
o que nos convém.

Sofremos
quando cedemos
a pressões das propagandas,
das ilusões
criadas pelo nosso ego.

Sofremos
quando cedemos
e nos envolvemos
com discussões políticas,
com julgamentos
das ações erradas dos outros.

Sofremos mentalmente.

O sofrer mental desequilibra
nossa frágil estrutura interna,
quando não somos nós mesmos,
quando não é a nossa consciência
que separa, escolhe e decide,
a partir de uma escala de valores
absolutos, imutáveis, permanentes.

Tudo o que não leva a paz, harmonia,
unidade, convivência fraterna e pacífica,
é consequência de escolhas feitas a partir do ego.

Os sofrimentos mentais
não são localizáveis.
Não existem, na realidade.

São sintomas de falta de visão.
São sintomas de infantilismo espiritual,
de imaturidade existencial.

Só existem na nossa memória,
na cabeça ou na imaginação,
e como recordações ruins do passado
ou projeções imaginadas, negativamente,
lá para as bandas do futuro.

Todos os bens
estão disponíveis no presente.
Por isso se chama presente.

Todo mal e fonte de maldade,
também está no presente,
mas quem escolhe este caminho,
não está equilibrado pelos valores
fundamentais que sustentam a realidade
que é a justiça, a verdade e o amor.

Sofrimentos mentais
permanecem em nossas cargas,
ocupando nossas memórias,
desviando,
transferindo
ou gastando energias importantes,
inutilmente.

São exatamente estes sofrimentos
que necessitamos mapear,
localizar, identificar,
colocando no espelho,
encarando de frente,
identificando,
eliminando,
quando for possível,
ou mantendo lá,
no canto,
sem lhe darmos tanta importância.

Se dermos importância
para tudo o que está errado
na política, na sociedade,
nas artes, nas músicas,
na tradição religiosa,
na cultura atual,
tudo o que não está bem feito,
tudo isso se transformam
em problemas mentais,
sobre os quais
não temos competência
para resolver.

Estes problemas
geram desgaste
das nossas energias internas.

Acabamos sofrendo
das consequências
dos acontecimentos externos
quando permitimos que tais conflitos
passem a fazer parte
das nossas incapacidades
de resolvê-los.

Nós não somos responsáveis
pela solução dos problemas do mundo.

Somos sim, responsáveis
pelas mudanças que devem
ocorrer no meu mundo interno.

Qualquer projeto redentor do mundo
começa com cada um.

Melhoro o mundo,
quando testemunho mudanças
que faço em minhas atitudes.

O melhor caminho
para resolver os problemas do mundo
é através dos meios
da não-violência,
ensinou Gandhi.

Somos responsáveis
pela administração
das nossas energias negativas,
pelos pensamentos e sentimentos de revolta
que modificam nosso humor e bom senso.

Quando não somos equilibrados
e pacíficos
as provocações externas
acordam nosso ego,
e quando menos percebemos
já estamos dentro do campo de batalha,
atacando e defendendo.

Se nos envolvemos
na dinâmica do desgaste,
provocados pela mídia,
vai acontecer
variações em nosso humor.

Se não separarmos,
com clareza,
o que é da nossa competência
e o que é da competência
dos poderes constituídos,
estamos sendo sugados
para dentro
da corrente
das energias desgastantes
que nos trazem sofrimentos.

Sofrimentos inúteis,
comprados, pelo ego,
traiçoeiro.

Pare um pouco e perceba
como você estava numa boa,
e de repente, lendo uma mensagem
no celular, no face, ouvindo uma notícia,
seu humor foi alterado. Acordou o ego.

O que aconteceu?
Houve uma invasão em seu lar,
em sua vida,
a ponto de interferir
nos bons momentos
que estavam disponíveis
na sua personalidade.

Os abalos que acontecem
na vida social e política do teu país,
revelam, através da sua reação,
o grau de superficialidade ou de
profundidade da sua visão de mundo.

Todos os sofrimentos,
todos os tipos de sofrimentos,
são gerados pelo ego.

E o ego são as tuas máscaras,
a tua personalidade superficial.


Desculpe a franqueza.
Quero falar com o seu verdadeiro eu,
aquele que não fica chateado
por receber as chaves
da evolução.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 25/04/2020


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