Todos nós já temos
uma boa caminhada,
uma certa carga,
de experiência,
no planeta Terra.
Conhecemos um pouco
da história escrita,
registrada, escrita,
pelos nossos
antepassados,
em diversas regiões
do mundo,
diferentes culturas,
tradições,
religiões e costumes.
Olhamos para trás,
e vemos as marcas,
os passos que demos,
os rastros que
ficaram.
Evoluímos,
sem dúvidas.
Apreendemos
com os erros.
Não queremos errar
mais.
Desejamos acertar os
passos,
definitivamente.
Mais do que nunca,
nos colocamos
em atitude de abertura,
para a viagem definitiva,
para a eternidade.
Desejamos construir
um novo mundo,
com a prática da
política do amor,
onde o ideal da
justiça
seja a meta superior.
Não queremos mais
as guerras,
divisões.
Não queremos mais
conflitos,
estresses,
tensões.
Queremos paz.
Queremos viver com serenidade,
feliz convivência, unidade,
com a natureza,
e com nossos iguais,
nossos irmãos.
O Reino do Deus Pai
é a melhor política
a ser implantada
nesta Terra,
com a condição
de vivermos, como
filhos
e como irmãos.
O Reino do Deus Pai
na terra,
foi uma tentativa do
seu Filho
Jesus Cristo,
há dois mil anos
atrás,
aqui na Terra.
O que necessitamos
neste momento,
é tentar entender as
dificuldades
que o Reino do Jesus
Cristo
ainda enfrenta, aqui.
A proposta do Jesus
Cristo
pela inauguração e
implantação,
de um reino de amor,
não foi bem aceita,
naquele tempo,
e nem hoje é.
Foi sempre uma
minoria
quem fez e faz parte
desta forma de vida.
Ainda hoje, são
poucos,
os que se decidem
pelos caminhos
do Cristianismo.
Por quê?
A maneira padrão
de se viver neste
mundo
é caracterizado pelo poder,
pelo egoísmo
e pelo orgulho,
pelo individualismo,
concorrência,
disputa,
ataque e defesa.
Vive-se neste mundo,
com escolhas,
por diversas maneiras
de ser e de viver,
baseados ainda,
muito no instinto,
nos valores da
animalidade,
da busca do prazer e do
conforto,
apegos, aos bens deste
próprio mundo.
A proposta do Jesus
Cristo é superior,
não só ensinada, mas
vivida,
nos exemplos das suas
ações
e na sua própria
carne,
testemunho de
serviço,
de amor gratuito,
de perdão, ajuda,
solidariedade,
enfim,
viver
como filhos
do Deus dos Céus
e como irmãos
uns dos outros,
aqui na Terra.
O Reino dos céus,
implantado pelo Jesus
Cristo na Terra,
supõe imitar um
exemplo que vem dos céus.
Como é difícil para
nós
escutarmos com
naturalidade,
quando ouvimos falar
sobre o Reino do Deus
dos céus.
Trata-se
de uma segunda
dimensão,
meio fora do nosso
rotineiro campo,
de pensamentos, de
entendimento,
pois que estamos sempre,
mais familiarizados,
com a literatura,
e pela cultura,
deste mundo.
Cultivar os valores
do Reino dos Céus,
neste nosso mundo, é
coisa diferente,
disforme, e até contrastante,
ao que a cultura
deste mundo
semeia, motiva e
exibe.
Então, vivemos,
respirando,
cultivando, colhendo,
dois tipos de
sementes:
do joio e do trigo.
Encontramos
dificuldades
de conciliar
as duas mentalidades,
que se transformam
em duas visões de
mundo,
diferentes, com
escolhas diferentes.
E parece que não tem
como conciliar.
Os cristãos procuram unificar,
aceitando as
diferenças,
praticando a virtude
da tolerância,
da boa vizinhança.
Os indiferentes,
opositores,
dividem.
O Reino dos céus
trata de algo
que foi implantado
aqui na Terra
pelo próprio filho do
Deus Pai
Criador do Universo.
O Jesus alertou:
“... meu reino não é
deste mundo”.
Quando lemos algumas
passagens
nos Evangelhos, nos
escritos
que o próprio Jesus revelou,
Ele apresenta
o Reino do Deus Pai
já presente no meio
de nós.
Algumas vezes, bem
claras
e às vezes ocultas,
em parábolas.
Aos abertos,
não resistentes,
Ele disse:
“A porta é estreita.
Exigente,
repleta de esforços e
sacrifícios,
domínio do ego e
entrega de si aos outros”.
“Quem quiser salvar a
sua vida,
pode até perdê-la,
porém,
aquele que fizer da
sua vida
um dom para os
outros,
este vai ganhá-la”.
Só os que fazem
violência
consigo mesmos
é que conseguem
entrar
neste novo reino,
de pessoas novas,
renovadas
pelo espírito
do alto.
Em linguagem normal,
vamos traduzir reino
por sociedade,
comunidade
ou fraternidade.
O subtítulo
para este texto deveria ser:
“Proposta
da política celeste
a ser implantada
na terra”.
Vamos perceber
o quanto é difícil para nós
assumir essa linguagem de ‘reino’,
por se tratar
de um termo
que nos é estranho
aqui na América Latina,
no mundo Ocidental.
Por isso, vamos fazer um esforço
para substituir a palavra ‘reino’
por sociedade, comunidade
ou fraternidade.
Fraternidade fica até melhor,
quando se entende
um grupo de pessoas
unidas
pelo mesmo ideal
de vida,
e que escolheram
os mesmos valores.
A história é testemunha
das várias teorias e sistemas
de convivência já vividas
ao longo da caminhada humana.
Tentou-se a Monarquia,
Presidencialismo, Socialismo,
Marxismo, Comunismo,
Anarquismo, Capitalismo,
Liberalismo e por último,
no Brasil, a Democracia.
Nenhuma delas é a ideal
a não que se inclua,
em qualquer uma delas,
a pessoa humana,
como objeto especial,
como um ser sagrado,
a ser respeitado
por sua semelhança
com o Criador.
Mais próxima de todas as teorias
está a proposta Evangélica
da Fraternidade Cósmica,
sintetizada na pedagogia
da Fraternidade Universal,
no Reino de Deus,
anunciada
pelo próprio Jesus Cristo.
A dificuldade
para falar do reino do Deus dos céus
é tanta que o próprio Jesus Cristo,
quando tentava falar sobre este reino,
usava do recurso das parábolas.
Mesmo que quiséssemos
falar abertamente
do reino do Deus Eterno,
não conseguiremos a total clareza
que nos é necessária.
As razões são muitas.
Para começar,
a origem é divina.
Não é uma realidade ainda nossa,
mesmo que tenha sido endereçada a nós.
É um tipo de organização
e estrutura
que nos vem de fora,
porém, é perfeita,
e eterna.
Veio de fora,
pois que os humanos
ainda não são suficientemente maduros
para implantar sozinhos, uma filosofia de vida
reconhecidamente libertadora e eternizante.
É um modelo perfeito
a ser implantado no nosso meio,
na nossa cultura,
pelos valores que apresenta
e pelas promessas de realização
que carrega.
Duas verdades
fazem parte do projeto
do Reino de Deus:
a morte e a ressurreição.
A morte,
é um problema insolúvel
para os humanos.
A Ressurreição,
é uma solução impossível
para os humanos.
Uma inevitável
e amedrontadora,
a morte, nos limita.
E a outra,
a Ressurreição,
consequência promissora,
de libertação e realização plena.
Nenhuma das teorias
de Convivência Social
tratam destes dois temas,
por isso, as teorias de Convivência Social
que a sociedade cria,
são parciais e incompletas.
A proposta apresentada
pelo personagem histórico
Jesus de Nazaré,
além da exigência de amar
e perdoar,
inclui estes valores
como condição
para participar da vida eterna,
com a natural ocorrência da morte
e a natural ocorrência da ressurreição.
O projeto do Reino de Deus
inclui esta vida e a outra vida.
Por isso é mais abrangente
e, completa.
Não falta nada.
A morte
não é o apito final
do jogo da vida.
A morte
é uma passagem, é a rodoviária,
é o aeroporto, o meio definitivo
para ingressar ou fazer parte
do reino dos vivos
na eternidade.
É o que acreditamos.
É o que ensina o Cristianismo,
a nova maneira de viver,
dentro do Reino do Deus Pai,
inaugurada pelo Jesus Cristo,
aqui na Terra.
Uma esperança é cultivada:
a ressurreição após a morte.
Sim, são duas verdades
difíceis de assimilar.
Destas duas verdades fundamentais
semeadas e experimentadas
pelo Jesus Cristo,
inaugura-se uma nova visão
a partir da velha religião
do Antigo Testamento.
Os anunciadores
destas boas notícias do Evangelho,
os evangelizadores,
fazem desta atividade
uma profissão.
E são muitos os profissionais
envolvidos na divulgação
e implantação destas boas notícias.
Essa sociedade
é composta por milhões de pessoas
que receberam uma pequena semente.
Em muitas destas pessoas,
a semente germina e cresce,
e produz frutos.
Em uma grande parte,
a semente não floresce,
por falta de elementos,
como a água, o clima,
o adubo, o cuidado,
o esforço envolvido
no processo.
Mas, esta semente
é poderosa.
Existem sementes
que brotam
em cima de terreno pedregoso,
em cima das rochas
e das montanhas.
E o que há de mais interessante
é que essa semente
é uma força viva.
Não se apresenta
de uma forma espetacular,
mas age em silêncio,
nas coisas e ações pequeninas.
Estamos falando
do Reino de Deus
que é semelhante
a uma semente de mostarda.
A efetiva realização
dessa nova civilização,
se concretiza
no ideal
do Fraternismo Universal.
Os envolvidos
nessa nova comunidade
estão tentando trazer
a dimensão da cidade celeste,
aqui para a terra,
antecipando
o que será o céu.
Esse projeto eterno
encontra-se na fase
da ressignificação
de todas as coisas,
aperfeiçoando,
levando todas as coisas,
à plenitude,
por ser obra divina.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 27/07/2020

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