Vivo no meu corpo.
Corpo pesado,
corpo sofrido,
riscado,
ferido,
corroído,
destinado
ao pó.
Este meu corpo,
é minha casa,
é o meu barco,
nessa travessia.
Também me traz
alegrias
Não devo deixá-lo
cair na água,
sem lhe dar
colete
salva-vidas.
Gosto do meu corpo.
Não quero deixá-lo
ser devorado,
explorado,
ou esquecido
pelo destino.
Coitado
do meu corpo.
Como sofre,
quando dentro dele,
não há uma fonte
de energia espiritual,
a vitalidade da alma,
a animá-lo.
É assim que me sinto:
dois.
Sou dois em um.
Não sou meu corpo.
Sou mais
do que meu nome,
mais do que a história
que escrevi, com meu
corpo.
Minhas mãos
aprenderam a escrever,
mas quem olha para
mim,
lê o que vê em meu
corpo,
e ignora o que está
dentro,
e além dele.
Minha história,
é a história do meu
corpo,
mais do que o que
escrevi com as mãos.
Meu corpo é o cofre
onde guardo
e cultivo
os bens.
Coitado
do meu corpo,
se não lhe dou
alimento,
se não lhe dou
esperança
e descanso.
Não é só da alma
que convém cuidar.
Do corpo
também se cuida,
quando se alimenta
a alma,
com outros tipos
de alimento,
superiores,
que vem de cima,
nutrientes de
eternidade.
O corpo é a casa,
o templo sagrado,
o ninho,
o aconchego
da alma.
Se o corpo
é importante
e sagrado
é porque a alma
nele reside.
Sou dois.
Além do meu corpo
visível,
habita-me a minha
alma,
no meu corpo.
O corpo
transporta a alma,
invisível,
por este mundo
visível,
onde estamos encarnados.
A alma
sem o corpo,
não sobrevive.
O corpo
sem a alma,
pode até existir,
mas não é vibrante,
alegre, bem humorado.
Corpo
sem alma,
envelhece logo.
Corpo,
com alma,
rejuvenesce,
e até se esquece
do peso que carrega.
Corpo
sem alma,
adoece, facilmente.
Corpo
com alma,
brilha,
ilumina,
contagia,
seduz, agrada.
Como é gostoso,
bom, saudável,
quando convivemos
bem,
meu eu,
meu corpo
e minha alma.
Gosto, de dar carona
para o meu corpo.
Gosto de dar carona
para minha alma.
A viagem se torna
enriquecedora,
eternizando
nós um.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 11/07/2020

Nenhum comentário:
Postar um comentário