sábado, 11 de julho de 2020

753.- Corpo. Meu corpo, de carona, numa boa ...



Vivo no meu corpo.

 

Corpo pesado,

corpo sofrido,

riscado,

ferido,

corroído,

destinado

ao pó.

 

Este meu corpo,

é minha casa,

é o meu barco,

nessa travessia.

 

Também me traz alegrias

 

Não devo deixá-lo

cair na água,

sem lhe dar

 colete

    salva-vidas.

 

Gosto do meu corpo.

 

Não quero deixá-lo

ser devorado,

explorado,

ou esquecido

pelo destino.

 

Coitado

do meu corpo.


Como sofre,

quando dentro dele,

não há uma fonte

de energia espiritual,

a vitalidade da alma,

a animá-lo.

 

É assim que me sinto:

dois.

 

Sou dois em um.

 

Não sou meu corpo.

 

Sou mais

do que meu nome,

mais do que a história

que escrevi, com meu corpo.

 

Minhas mãos

aprenderam a escrever,

mas quem olha para mim,

lê o que vê em meu corpo,

e ignora o que está dentro,

e além dele.

 

Minha história,

é a história do meu corpo,

mais do que o que escrevi com as mãos.

 

Meu corpo é o cofre

onde guardo

e cultivo

 os bens.  

 

Coitado

do meu corpo,

se não lhe dou

alimento,

se não lhe dou

esperança

e descanso.

 

Não é só da alma

que convém cuidar.

 

Do corpo

também se cuida,

quando se alimenta

a alma,

com outros tipos

de alimento,

superiores,

que vem de cima,

nutrientes de eternidade.

 

O corpo é a casa,

o templo sagrado,

o ninho,

o aconchego

da alma.

 

Se o corpo

é importante

e sagrado

é porque a alma

nele reside.

 

Sou dois.

Além do meu corpo visível,

habita-me a minha alma,

no meu corpo.

 

O corpo

transporta a alma,

invisível,

por este mundo visível,

onde estamos encarnados.

 

A alma

sem o corpo,

não sobrevive.

 

O corpo

sem a alma,

pode até existir,

mas não é vibrante,

alegre, bem humorado.

 

Corpo

sem alma,

envelhece logo.

 

Corpo,

com alma,

rejuvenesce,

e até se esquece

do peso que carrega.

 

Corpo

sem alma,

adoece, facilmente.

 

Corpo

com alma,

brilha,

ilumina,

contagia,

seduz, agrada.

 

Como é gostoso,

bom, saudável,

quando convivemos bem,

meu eu,

meu corpo

e minha alma.

 

Gosto, de dar carona

para o meu corpo.

 

Gosto de dar carona

para minha alma.

 

A viagem se torna

enriquecedora,

eternizando

nós um.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 11/07/2020

eneaspb@gmail.com


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