sexta-feira, 10 de julho de 2020

752.- Artesanato facial.



Vamos para a feirinha.

 

- Ah ... agora não dá.

 

Dá sim, ...

Não pelo menos,

mas, para mais,

sentir saudades

dela.

 

Lá há tanta gente,

diferente,

tanta arte,

nos olhos,

nos olhares,

nos lábios,

nos sorrisos,

nas risadas,

nas ruas e calçadas.

 

Pisando leve,

parando um pouco

em cada lojinha.

 

Comentando

com a companhia,

a beleza estonteante

de cada expressão de vida,

exposta, disponibilizada,

sem etiquetas de valor.

 

Artesanato

é a arte feita com as mãos,

pequenas peças,

pequenas coisas,

com detalhes que atraem,

chamam a atenção,

provocando no coração,

vontade de comprar,

vontade de levar,

ou só de curtir.

 

Existe também a arte

feita do olhar.

 

Olhar de compreensão,

que absorve tudo,

por fora e por dentro,

lá, na intimidade.

 

Olhar de ternura,

que acaricia

sem tocar.

 

Olhar de admiração,

demorado, observador,

penetrante, silencioso,

mas profundo,

compensador.

 

Olhar que escuta

as palavras não ditas,

interpretando-as

pela simplicidade

da face lisa

e serena.

 

Olhar que contempla

ao invés de apenas olhar,

visualizando a graça

e a pureza dos gestos

que a natureza humana

revela.

 

É, sim, arte,

daquelas difíceis de encontrar,

mas tão boas,

benéficas

especiais e gratuitas.

 

De tanta coisa gostamos,

gastamos, temperamos

e comemos,

e vai para a barriga.

 

Outros alimentos,

saciam a nobreza,

a alma,

o espírito nosso.

 

Nem só de pão vivemos.

 

Podemos estar saturados,

sem fome,

mas vazios

de artesanato

facial.

 

Por isso,

Gostamos,

das feirinhas.

 

Os olhos

também gostam.

 

Os olhos

também saboreiam.

 

Pelos nossos olhos

entram em nós,

alimentos afetivos.

 

Alimento humano

transmitido

pela maneira afetiva

de olhar.

 

Não é para comprar.

 

É para

ir buscar,

colecionar,

estocar,

depois distribuir.

 

Guardar lá dentro,

relembrar a todo instante,

sustento,

nutriente puro

para nossa autoestima

equilibrar.

 

Há um exercício libertador,

que nos enche de alegria,

que é a capacidade

de ver,

olhar,

e deixar entrar,

dentro de nós,

belezas,

arte,

expressões de alegria,

de bom humor,

de entusiasmo juvenil.

 

Se não estiveres bem,

sentindo melancolia,

vá até uma feirinha,

(quando puder,

ou relembre)

não compre nada,

ande,

circule,

mire o rosto

do outro,

o jeito legal de olhar do outro.

 

Só observe,

olhe na face,

e alimente-se,

gratuitamente

de alimentos

para sua alma.

 

(De tantos valores

estávamos rodeados,

e agora,

com os cuidados

que a pandemia (2020) exige,

sentimos saudades

daquilo que tínhamos

tão às mãos,

tão dentro dos olhos,

e não valorizávamos).

 


Eneas Paulo Budel Bogucheski

Criado em 10/07/2017

Atualizado em 10/07/2020

eneaspb@gmail.com


 Leia outros textos:

http://heiposworld.blogspot.com


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