segunda-feira, 20 de julho de 2020

756. Coração poeta.




 
Coração poeta

no peito aperta

desejando

explodir,

sair, voar

e amar.

 

Fomos feitos para amar,

não para sofrer

de falta do amor.

 

A mente pesquisa,

abre caminhos,

tira o véu,

estuda,

lê, vê,

interpreta,

entende, define,

promove-nos,

e eleva-se

acima dos nossos instintos,

e evolui nosso ser,

para a condição de humanos.

 

O coração é que arde,

queima, aprende a amar,

inspira-se, eleva-se para poeta,

emociona-se, procura unidade,

e cria famílias e fraternidades.

 

Todos nós temos dois motores

que movem nossa vida.

 

O motor mental

e o motor emocional.

 

Já estamos acostumados

e talvez até saturados,

com material,

sons e imagens,

 estudos e textos,

sobre a inteligência

racional.

 

As ramificações

da inteligência racional

não é muito vasta:

clareza, lucidez,

facilidade em entender

e se fazer entender,

agilidade para falar,

para comunicar ideias.

 

As faculdades racionais

nos proporcionam

alto grau de autonomia

e de autoestima.

 

As capacidades racionais

nos levam para longe,

ultrapassam fronteiras,

tornam próximos e conhecidos

o que estava distante e desconhecido.

 

As ramificações

da inteligência emocional

vão mais longe, para dentro,

para um infinito inalcançável,

proporcionando alegria,

prazer, envolvimento,

paixão,

 amor,

entrega,

motivações,

idealismo,

força de vontade,

superação,

e sacrifícios

pelos outros.

 

Acho que nós experimentamos

que somos muito mais gente

quando sentimos mais,

do que

quando pensamos.

 

Encontramos mais facilmente

o sentido da vida

não quando somos

uma grande inteligência,

mas, quando nosso coração

se mostra sensível.

 

Nossa cultura ocidental

investe mais tempo e recursos

para desenvolver

a inteligência

racional.

 

A nossa capacidade racional

 pode ser importante,

mas não será ela

que nos dará

a alegria

de viver.

 

A inteligência racional

fica muito lá no alto,

na cabeça,

longe dos pés,

do chão,

da realidade

sentida no corpo.

 

A inteligência racional

diz; eu sei, entendo,

eu gosto.

 

A inteligência emocional

pode até dispensar as palavras,

e quando consegue falar, diz:

eu sinto,

amo,

me apaixono,

com o corpo todo,

não só com a cabeça. 

 

A sua cabeça,

sua mente,

pode te tornar

uma pessoa inteligente,

mas é a inteligência emocional

que vai fazer de ti

uma pessoa sábia,

mais realizada

e feliz.

 

A inteligência racional

te ajudará a ter

e a emocional,

a ser.

 

A inteligência racional

te levará aos apegos,

ao ego,

e o coração

ao desapego,

aos amores,

gratuitos.

 

Com características sociais,

somos valorizados

mais pela inteligência racional,

o que nos deixa em condições

de prejuízo humano e afetivo.

 

O que mais nos realiza,

como pessoas humanas,

é vivenciar, externar,

comunicar

a inteligência emocional,

acolhendo e externando carinho,

afetos, afetividade, no corpo todo,

o que aumenta o calor humano,

e resolve o problema da frieza.  

 

Inteligência emocional

possibilita-nos

o conhecimento de nós mesmos,

como pessoas de intercâmbio,

de complementação.

 

Mais do que um ser que pensa,

sou um ser que ama,

e que deseja,

ser amado.

 

Necessitamos uns dos outros.

 

E essa troca

se efetua

preferencialmente

pelos sentimentos e emoções.

 

Através dos sentimentos,

e das emoções,

vibramos, suamos,

agimos e reagimos,

tremendo,

ficamos vermelhos

ou pálidos,

observando,

desenvolvendo

e aplicando

as nossas potencialidades

humanas.  

 

As expressões humanas

através da mente,

isoladamente,

apresenta-nos

com expressões frias,

imparciais,

descomprometidas,

justificando-se,

achando desculpas,

fugindo, mentindo,

iludindo, escondendo,

falseando, sem nenhum

constrangimento.

 

Num diálogo mental

prevalece mais o “sim,

o não,

o sei lá,

o depende”.

 

Encurta-se

o diálogo.

Dificulta-se

o envolvimento.

 

Diferente é uma pessoa

que pensa, e depois age,

movida por sentimentos

de ternura,

olhares de compreensão,

atitudes de solidariedade

e compaixão.

 

Quando existe emoção

e afetividade no relacionamento,

o diálogo se estende para mais longe,

leva até em casa, supera preconceitos,

oferece ajuda, mesmo em prejuízo próprio.

 

No intercâmbio emocional

acontece

a troca recíproca

de energias,

de bondade,

de afetos,

favorecendo a proximidade,

proporcionando abertura

e complementação mútua.

 

Escrevo,

procurando alcançar,

o teu coração.

 

Não escrevo para te ensinar,

mas para te tornar

um ser amável

e amante.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 20/07/2020

eneaspb@gmail.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário