Coração poeta
no peito aperta
desejando
explodir,
sair, voar
e amar.
Fomos feitos para amar,
não para sofrer
de falta do amor.
A mente pesquisa,
abre caminhos,
tira o véu,
estuda,
lê, vê,
interpreta,
entende, define,
promove-nos,
e eleva-se
acima dos nossos instintos,
e evolui nosso ser,
para a condição de humanos.
O coração é que arde,
queima, aprende a amar,
inspira-se, eleva-se para poeta,
emociona-se, procura unidade,
e cria famílias e fraternidades.
Todos nós temos dois motores
que movem nossa vida.
O motor mental
e o motor emocional.
Já estamos acostumados
e talvez até saturados,
com material,
sons e imagens,
estudos e textos,
sobre a inteligência
racional.
As ramificações
da inteligência racional
não é muito vasta:
clareza, lucidez,
facilidade em entender
e se fazer entender,
agilidade para falar,
para comunicar ideias.
As faculdades racionais
nos proporcionam
alto grau de autonomia
e de autoestima.
As capacidades racionais
nos levam para longe,
ultrapassam fronteiras,
tornam próximos e conhecidos
o que estava distante e desconhecido.
As ramificações
da inteligência emocional
vão mais longe, para dentro,
para um infinito inalcançável,
proporcionando alegria,
prazer, envolvimento,
paixão,
amor,
entrega,
motivações,
idealismo,
força de vontade,
superação,
e sacrifícios
pelos outros.
Acho que nós experimentamos
que somos muito mais gente
quando sentimos mais,
do que
quando pensamos.
Encontramos mais facilmente
o sentido da vida
não quando somos
uma grande inteligência,
mas, quando nosso coração
se mostra sensível.
Nossa cultura ocidental
investe mais tempo e recursos
para desenvolver
a inteligência
racional.
A nossa capacidade racional
pode ser
importante,
mas não será ela
que nos dará
a alegria
de viver.
A inteligência racional
fica muito lá no alto,
na cabeça,
longe dos pés,
do chão,
da realidade
sentida no corpo.
A inteligência racional
diz; eu sei, entendo,
eu gosto.
A inteligência emocional
pode até dispensar as palavras,
e quando consegue falar, diz:
eu sinto,
amo,
me apaixono,
com o corpo todo,
não só com a cabeça.
A sua cabeça,
sua mente,
pode te tornar
uma pessoa inteligente,
mas é a inteligência emocional
que vai fazer de ti
uma pessoa sábia,
mais realizada
e feliz.
A inteligência racional
te ajudará a ter
e a emocional,
a ser.
A inteligência racional
te levará aos apegos,
ao ego,
e o coração
ao desapego,
aos amores,
gratuitos.
Com características sociais,
somos valorizados
mais pela inteligência racional,
o que nos deixa em condições
de prejuízo humano e afetivo.
O que mais nos realiza,
como pessoas humanas,
é vivenciar, externar,
comunicar
a inteligência emocional,
acolhendo e externando carinho,
afetos, afetividade, no corpo todo,
o que aumenta o calor humano,
e resolve o problema da frieza.
Inteligência emocional
possibilita-nos
o conhecimento de nós mesmos,
como pessoas de intercâmbio,
de complementação.
Mais do que um ser que pensa,
sou um ser que ama,
e que deseja,
ser amado.
Necessitamos uns dos outros.
E essa troca
se efetua
preferencialmente
pelos sentimentos e emoções.
Através dos sentimentos,
e das emoções,
vibramos, suamos,
agimos e reagimos,
tremendo,
ficamos vermelhos
ou pálidos,
observando,
desenvolvendo
e aplicando
as nossas potencialidades
humanas.
As expressões humanas
através da mente,
isoladamente,
apresenta-nos
com expressões frias,
imparciais,
descomprometidas,
justificando-se,
achando desculpas,
fugindo, mentindo,
iludindo, escondendo,
falseando, sem nenhum
constrangimento.
Num diálogo mental
prevalece mais o “sim,
o não,
o sei lá,
o depende”.
Encurta-se
o diálogo.
Dificulta-se
o envolvimento.
Diferente é uma pessoa
que pensa, e depois age,
movida por sentimentos
de ternura,
olhares de compreensão,
atitudes de solidariedade
e compaixão.
Quando existe emoção
e afetividade no relacionamento,
o diálogo se estende para mais longe,
leva até em casa, supera preconceitos,
oferece ajuda, mesmo em prejuízo próprio.
No intercâmbio emocional
acontece
a troca recíproca
de energias,
de bondade,
de afetos,
favorecendo a proximidade,
proporcionando abertura
e complementação mútua.
Escrevo,
procurando alcançar,
o teu coração.
Não escrevo para te
ensinar,
mas para te tornar
um ser amável
e amante.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 20/07/2020

Nenhum comentário:
Postar um comentário