sexta-feira, 18 de julho de 2014

130.- Chaves. Chaves especiais para expandir limites.



A pessoa humana carrega em si, como dom, a capacidade de conhecer, a capacidade para escolher, a capacidade de decidir, a capacidade da liberdade.

De todas as coisas, situações, profissões, história, literatura, ciências que conhece, algumas são bem familiares, despertam a atenção, a curiosidade e a vontade de saber mais.

Existe também no ser humano a liberdade para recusar, para manter-se apático e até desprezar outras situações ou condições ou conhecimentos dentro do vasto campo da realidade visível e invisível.

Estão disponíveis na vida, na natureza, na história, nas faculdades e dificuldades da vida, algumas chaves.

Muitas chaves conquistamos e exploramos tudo o que elas abriram. Mas ainda há perguntas sem respostas satisfatórias.

Neste texto, aparecem algumas chaves especiais.

O que você pode fazer com cada uma destas chaves dependera exclusivamente de você, escolher usá-las ou ignorá-las ou até mesmo, desprezá-las.

Dentro dos quatro cantos do Universo, estudando geografia, nos deparamos com os conceitos de fronteira, terra, água, fogo, matéria, montanha, rio, mar, floresta, planetas, sois, estrelas, astros, galáxias, buracos negros, etc.

Todas estas grandezas caracterizam-se e são conhecidas pelo tamanho, peso, cor e limites. São visíveis.

Não haverá, por acaso, buracos brancos, paraísos perdidos, além do alcance das nossas visões, talvez o próprio céu, ainda não encontrado?  

Estamos acostumados com os conceitos de limites e fronteiras.

       Quem criou o conceito de infinito, de eterno, deve ter esticado seus neurônios e previsto outros mares, outros campos, outros ares, outros continentes, outros espaços, talvez o próprio céu.  

Os limites geográficos da terra,
a pele da terra,
tem um cordão umbilical,
unindo-nos ao
infinito do universo.

Chaves abrem portas.

Muitas chaves já recebemos,
e aprendemos a usar.

Três chaves, ainda não sabemos usar:

a chave para abrir a porta do invisível,
a chave para abrir a porta do infinito.
Há ainda a porta do inimaginável,
também ainda não explorada.

Mas, mas
algumas chaves
já estão em nossas mãos:

A chave da vida.

Fomos chamados à existência.

Este é um fato milagroso,
de cunho extraordinário.

Esta chave foi-nos dada
gratuitamente.

Não tivemos que ficar na fila de espera.

Nem tivemos de pagar.

Basta a gratidão como resposta.

Entramos pela porta da vida,
onde nossos pais foram co-criadores.

Aqui estamos, na Terra.

Neste onde estamos,
não é ainda a porta definitiva.
É apenas a porta de entrada.

Há mais uma chave disponível:

A chave da capacidade racional.

É para ser usada,
senão atrofia e enferruja.

Este dom, esta capacidade,
foi feita para ir atrás das pesquisas,
decifrando alfabetos, códigos e senhas.

Queremos respostas definitivas.

Perguntas existem.
Perguntas são portas, ainda fechadas.
Respostas, portanto, são chaves que abrem.

Experimentamos a fragilidade e os limites.
Queremos experimentar também algo mais,
muito mais do que as experiências que os limites proporcionaram.

A chave das promessas.

Promessas nos foram feitas.

Queremos também esta chave
que pode levar-nos para lugares distantes,
onde o peso não será levado em consideração,
nem a distancia se imporá como intransponível.

As promessas encheram-nos
de motivações que vão além desta vida,
para lá de tudo o que imaginamos
e pudemos experimentar.

Para além das promessas
podemos sonhar.

Sonhamos já, em criar as condições
para que
as promessas
sejam realizadas.

A chave da esperança

Somos seres em que a esperança foi plantada
lá no fundo da nossa pobre natureza mortal.

Queremos aprender a usar a chave
que abre as portas da esperança.

Conseguir chegar
aos limites da esperança,
é o nosso ideal.

Essa fronteira será possível alcançar,
administrar, realizar e, ultrapassá-la.

Não é daqui, porém,
a dimensão de saborear
as esperanças concretizadas.

A chave que abre
a porta da esperança
abre para o infinito,
deixando para trás a injustiça.

Lá, o egoísmo derrotado não entrará,
e a dúvida será enterrada,
e a Torre de Babel
consertada.

Para a conquista de coisas valorosas
tem-se que pagar o preço correspondente.

Na busca destes valores,
a custo do empenho das moedas
da renúncia e da persistência,
procura-se os lugares desertos,
onde encontra-se somente a si mesmo.

Na solidão, sente-se a secura,
e experimenta-se a aridez,
enfrenta-se e suporta-se a dúvida.

Neste terreno,
nesta arena,
é o lugar de travar a luta
e a decisão
pela morte do egoísmo pessoal,
e a morte do orgulho individual.

Estes dois elementos, inatos e potentes,
permanecem, impondo-se a todo instante,
fingindo de mortos, porém, intrometendo-se sem tréguas.

Alguns defeitos, após derrotados,
tornam-se ou são promovidos para adubo.

O combate dos defeitos e desequilíbrios
atuam como adubo no cultivo da humildade,
no campo da fé e no espaço da esperança.

O preço a pagar por aquele
que se põem a caminho
em direção ao Deus Pai
é caro, mas os frutos são doces e suaves.

O troco de tal investimento
é a doçura e a simplicidade.

Os efeitos
esquentam o peito,
amolecem o coração,
afinam a sensibilidade,
alargam os horizontes,
eternizam os segundos,
fortalece a solidariedade,
torna fácil o exercício da caridade,
concretiza-se na criação e vivência da fraternidade.

Uma chave mantém fechada
uma oportunidade.

Outra chave
abre para a eternidade.

Morre o egoísmo
e ressuscita o homem novo.

Rejuvenesce a criança.
Eterniza-se o ancião.

Recupera-se a inocência original.

Recompõe-se a originalidade
da filiação divina.

“A pessoa humana que vivencia,
que procura o Deus Pai,
no caminho, andando,
procurando-O,
vivenciando-O,
penetra no
fundo de todos
os mistérios do Universo.

Consegue estabelecer
uma relação fraterna
quase perfeita,
entre si,
e entre todas
as outras obras
do Deus Pai.

Essa união dos homens
com o Deus Pai,
essa harmonia
assume uma inserção
no princípio último das coisas:
a harmonia da criação inteira,
como uma grande orquestra,
afinada.

Os humanos,
este ser egoísta,
teimoso e fraco,
fechado
em seus próprios interesses,
em seu próprio mundo,
com todas as consequências
da vivência do seu egoísmo,
é um escravo
enquanto não usar as chaves
que já foram reveladas como certas.

O egoísta vive prisioneiro de si mesmo.
Vive fechado. Não saber usar as chaves.
Então fica fechado em seus próprios horizontes,
encontrando fronteiras,
chocando-se com os limites.
Permanecendo no mundo do fechado, do escuro.

Acostume-se e familiarize-se
a andar nos caminhos do Senhor,
antes de morrer.

Após a morte,
não saberás encontrar
o caminho da casa do Pai,
pois que em vida,
quando tinhas oportunidade,
não procurastes
e por isso,
não conseguirás
(tomara que eu esteja totalmente errado)
continuar por ela,
pois que lhe é desconhecida.

Mas não te preocupes.
Deus é Pai
e não te deixará no inferno.
Mas é bom sair do inferno
desde já,
pois o caminho
está aí, aberto pelas chaves que recebeste.

E para entrar no campo da fé?
Tem chave para entrar lá?
Ou a própria fé, é a chave?

a porta da fé também tem chave.

Abrir-se para a fé,
é abrir-se para o infinito.

É romper as fronteiras e os limites.

É quebrar as correntes.

É libertar-se.

Usar a chave da fé
é fazer-se livre,
saindo pelas portas limites
e entrando pelas portas
que abrem para o Eterno, 
para o infinito.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 08/05/2016


Nenhum comentário:

Postar um comentário