A pessoa humana
carrega em si, como dom, a capacidade de conhecer, a capacidade para escolher,
a capacidade de decidir, a capacidade da liberdade.
De todas as coisas,
situações, profissões, história, literatura, ciências que conhece, algumas são
bem familiares, despertam a atenção, a curiosidade e a vontade de saber mais.
Existe também no ser
humano a liberdade para recusar, para manter-se apático e até desprezar outras
situações ou condições ou conhecimentos dentro do vasto campo da realidade
visível e invisível.
Estão disponíveis na
vida, na natureza, na história, nas faculdades e dificuldades da vida, algumas
chaves.
Muitas chaves
conquistamos e exploramos tudo o que elas abriram. Mas ainda há perguntas sem
respostas satisfatórias.
Neste texto, aparecem
algumas chaves especiais.
O que você pode fazer
com cada uma destas chaves dependera exclusivamente de você, escolher usá-las ou
ignorá-las ou até mesmo, desprezá-las.
Dentro dos quatro
cantos do Universo, estudando geografia, nos deparamos com os conceitos de
fronteira, terra, água, fogo, matéria, montanha, rio, mar, floresta, planetas,
sois, estrelas, astros, galáxias, buracos negros, etc.
Todas estas grandezas
caracterizam-se e são conhecidas pelo tamanho, peso, cor e limites. São
visíveis.
Não haverá, por
acaso, buracos brancos, paraísos perdidos, além do alcance das nossas visões,
talvez o próprio céu, ainda não encontrado?
Estamos acostumados
com os conceitos de limites e fronteiras.
Quem
criou o conceito de infinito, de eterno, deve ter esticado seus neurônios e
previsto outros mares, outros campos, outros ares, outros continentes, outros
espaços, talvez o próprio céu.
Os limites
geográficos da terra,
a pele da terra,
tem um cordão
umbilical,
unindo-nos ao
infinito do universo.
Chaves abrem portas.
Muitas chaves já
recebemos,
e aprendemos a usar.
Três chaves, ainda
não sabemos usar:
a chave para abrir a
porta do invisível,
a chave para abrir a
porta do infinito.
Há ainda a porta do
inimaginável,
também ainda não
explorada.
Mas, mas
algumas chaves
já estão em nossas
mãos:
A chave da vida.
Fomos chamados à
existência.
Este é um fato
milagroso,
de cunho
extraordinário.
Esta chave foi-nos
dada
gratuitamente.
Não tivemos que ficar
na fila de espera.
Nem tivemos de pagar.
Basta a gratidão como
resposta.
Entramos pela porta
da vida,
onde nossos pais
foram co-criadores.
Aqui estamos, na
Terra.
Neste onde estamos,
não é ainda a porta
definitiva.
É apenas a porta de
entrada.
Há mais uma chave disponível:
A chave da capacidade racional.
É para ser usada,
senão atrofia e
enferruja.
Este dom, esta
capacidade,
foi feita para ir
atrás das pesquisas,
decifrando alfabetos,
códigos e senhas.
Queremos respostas
definitivas.
Perguntas existem.
Perguntas são portas,
ainda fechadas.
Respostas, portanto,
são chaves que abrem.
Experimentamos a
fragilidade e os limites.
Queremos experimentar
também algo mais,
muito mais do que as
experiências que os limites proporcionaram.
A chave das promessas.
Promessas nos foram
feitas.
Queremos também esta
chave
que pode levar-nos
para lugares distantes,
onde o peso não será
levado em consideração,
nem a distancia se
imporá como intransponível.
As promessas
encheram-nos
de motivações que vão
além desta vida,
para lá de tudo o que
imaginamos
e pudemos
experimentar.
Para além das
promessas
podemos sonhar.
Sonhamos já, em criar
as condições
para que
as promessas
sejam realizadas.
A chave da esperança
Somos seres em que a
esperança foi plantada
lá no fundo da nossa
pobre natureza mortal.
Queremos aprender a
usar a chave
que abre as portas da
esperança.
Conseguir chegar
aos limites da
esperança,
é o nosso ideal.
Essa fronteira será
possível alcançar,
administrar, realizar
e, ultrapassá-la.
Não é daqui, porém,
a dimensão de
saborear
as esperanças
concretizadas.
A chave que abre
a porta da esperança
abre para o infinito,
deixando para trás a
injustiça.
Lá, o egoísmo
derrotado não entrará,
e a dúvida será
enterrada,
e a Torre de Babel
consertada.
Para a conquista de
coisas valorosas
tem-se que pagar o
preço correspondente.
Na busca destes
valores,
a custo do empenho
das moedas
da renúncia e da
persistência,
procura-se os lugares
desertos,
onde encontra-se
somente a si mesmo.
Na solidão, sente-se
a secura,
e experimenta-se a
aridez,
enfrenta-se e
suporta-se a dúvida.
Neste terreno,
nesta arena,
é o lugar de travar a
luta
e a decisão
pela morte do egoísmo
pessoal,
e a morte do orgulho
individual.
Estes dois elementos,
inatos e potentes,
permanecem,
impondo-se a todo instante,
fingindo de mortos,
porém, intrometendo-se sem tréguas.
Alguns defeitos, após
derrotados,
tornam-se ou são
promovidos para adubo.
O combate dos
defeitos e desequilíbrios
atuam como adubo no
cultivo da humildade,
no campo da fé e no
espaço da esperança.
O preço a pagar por
aquele
que se põem a caminho
em direção ao Deus
Pai
é caro, mas os frutos
são doces e suaves.
O troco de tal
investimento
é a doçura e a
simplicidade.
Os efeitos
esquentam o peito,
amolecem o coração,
afinam a
sensibilidade,
alargam os
horizontes,
eternizam os
segundos,
fortalece a
solidariedade,
torna fácil o
exercício da caridade,
concretiza-se na
criação e vivência da fraternidade.
Uma chave mantém
fechada
uma oportunidade.
Outra chave
abre para a
eternidade.
Morre o egoísmo
e ressuscita o homem
novo.
Rejuvenesce a
criança.
Eterniza-se o ancião.
Recupera-se a
inocência original.
Recompõe-se a
originalidade
da filiação divina.
“A pessoa humana que
vivencia,
que procura o Deus
Pai,
no caminho, andando,
procurando-O,
vivenciando-O,
penetra no
fundo de todos
os mistérios do
Universo.
Consegue estabelecer
uma relação fraterna
quase perfeita,
entre si,
e entre todas
as outras obras
do Deus Pai.
Essa união dos homens
com o Deus Pai,
essa harmonia
assume uma inserção
no princípio último
das coisas:
a harmonia da criação
inteira,
como uma grande orquestra,
afinada.
Os humanos,
este ser egoísta,
teimoso e fraco,
fechado
em seus próprios
interesses,
em seu próprio mundo,
com todas as
consequências
da vivência do seu
egoísmo,
é um escravo
enquanto não usar as
chaves
que já foram
reveladas como certas.
O egoísta vive
prisioneiro de si mesmo.
Vive fechado. Não
saber usar as chaves.
Então fica fechado em
seus próprios horizontes,
encontrando
fronteiras,
chocando-se com os
limites.
Permanecendo no mundo
do fechado, do escuro.
Acostume-se e
familiarize-se
a andar nos caminhos
do Senhor,
antes de morrer.
Após a morte,
não saberás encontrar
o caminho da casa do
Pai,
pois que em vida,
quando tinhas
oportunidade,
não procurastes
e por isso,
não conseguirás
(tomara que eu esteja
totalmente errado)
continuar por ela,
pois que lhe é
desconhecida.
Mas não te preocupes.
Deus é Pai
e não te deixará no
inferno.
Mas é bom sair do
inferno
desde já,
pois o caminho
está aí, aberto pelas
chaves que recebeste.
E para entrar no
campo da fé?
Tem chave para entrar
lá?
Ou a própria fé, é a
chave?
a porta
da fé também
tem chave.
Abrir-se para a fé,
é abrir-se para o
infinito.
É romper as
fronteiras e os limites.
É quebrar as
correntes.
É libertar-se.
Usar a chave da fé
é fazer-se livre,
saindo pelas portas
limites
e entrando pelas
portas
que abrem para o
Eterno,
para o infinito.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 08/05/2016
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