Os animais possuem uma
técnica de ensino
que não usam palavras, nem latidos,
nem miados, nem tampouco
palavrão.
No viveiro da natureza,
estamos nós, animais,
uns no meio dos
outros,
como animais
promovidos
a racionais.
Mas, a bicharada
toda,
ainda existe em nós.
Nesta natureza
complexa,
há o reino mineral,
o reino vegetal,
o reino animal
e o nosso reino
humano,
a caminho da promoção
para o reino do
espírito,
divino, imortal e
eterno.
Muito da nossa
dignidade
ainda está lá atrás,
vestindo a definição
de animais.
Somos animais,
mas, por um esforço
e busca de melhores
climas
e qualidade de vida,
fomos lentamente
evoluindo
para a condição
humana.
E nesta caminhada,
lentamente,
rumamos
para uma condição
superior,
caracterizada pelo
espírito
que ainda vivencia,
mas promove nossa
animalidade
para um nível acima.
E há outros níveis
a serem conquistados.
O passarinho
ou animal
que recebe comida ou
agrado
firma um pacto de
amizade
com o seu benfeitor.
Nós, humanos,
quase conseguimos
humanizar
todos os animais.
O cachorro
faz festa,
abana o rabo,
pula e corre contente.
O passarinho
canta hinos de
gratidão.
O cachorro quando
brinca,
se parece com a gente.
Veja como ele gosta
de brincar.
Perceba sua alegria
pela sua maneira
de comportar-se.
Entende sua
linguagem?
Ele quase fala.
Os seus olhos
brilham.
Os gestos aparecerem
e gritam
aos nossos olhos e
ouvidos.
Não cansa
na dança da criancice
animal.
O que é que os
animais
querem nos ensinar?
Promovidos para
animais ‘racionais’,
algo de bom, dos
animais, parece-nos,
acabamos perdendo
no meio da evolução.
Cadê nossa infância?
Lá se foi.
Não dá mais para
recuperar?
Dá sim.
Somos capazes.
Somos mais que os
animais.
O passarinho
quando canta,
revela que é mais que
um animal.
O passarinho, quando
canta,
promove-se, para
quase um humano.
O passarinho quando
canta,
expõe o que é melhor
nele.
O passarinho quando
canta,
é para nós que canta.
Alegra quem o escuta
com admiração.
Canta alegre.
Seu canto
é um hino de gratidão.
Seu canto é um hino
em louvor à liberdade,
pelo vasto espaço,
onde exercita sua
liberdade,
onde atua e exibe o
dom de voar.
As aves voam.
As aves
possuem liberdade,
como nós.
As aves
comem e vivem
gratuitamente.
Nós temos as
pre-ocupações
pela sobrevivência.
Por que será
que cantamos tão
pouco.
Se entendêssemos a
linguagem
do cachorro e dos
pássaros,
muitas coisas
teríamos
a aprender com eles.
Mas não entendo como,
de tanto que gostamos
dos pássaros,
dos cachorros e dos
gatos,
compramos gaiola,
coleiras e correntes.
Moram conosco
nas nossas casas
e até em apartamentos.
Oh vida! ... Oh céus !
Como é grande nosso
jardim,
nossa terra, nosso
quintal.
Tem lugar para tudo
e para todos.
Com-vivemos.
Vivemos juntos.
Fizemos amizades.
Conquistamos
e fomos conquistados
pela alegria,
pelas criancices,
pelo jeito de brincar
dos animais.
E então, nós,
alunos dos professores animais,
aprendemos que é importante brincar,
manter o bom humor, ser espontâneo,
sem censuras, sem medo.
O que temos de mais
importante
que o ar, a água e a
vida?
Também a liberdade.
Estes elementos,
de graça recebemos.
E não há preço
que valor estime
ou que consigamos pagar.
Acredito que os
pássaros
e os animais
expressam a alegria,
por estas capacidades,
de uma forma mais
autêntica,
até mais visível,
e plenamente
compreensível,
para nós.
E nós,
com todo o Universo
aos nossos pés
e em nossas cabeças,
inteligentes que somos,
com tristezas vagamos
no meio dos imensos
jardins.
Talvez porque ainda
não aprendemos voar.
Como mudar esta
atitude,
encravada, que perverte e reduz
nossa humanidade
a uma estatura mais
baixa
que os nobres animais,
que curtem a vida,
cantando canções
de gratidão?
O Senhor Criador do
Universo,
com sua bondade
infinita
tanto nos deu e tanto
nos dá.
Não é sábio
permanecer
indiferentes,
frios e apáticos,
sem aprender a
cantar,
pular e dançar,
e, talvez até a voar.
No reino da natureza,
no grande Viveiro,
nós humanos,
estamos perdendo
para os cachorros
e para os pássaros,
na arte de viver.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 01/04/2016. Atualizado em 18/03/2026
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