quinta-feira, 17 de julho de 2014

129.- Animais. O padrão silencioso dos animais educam os humanos





Os animais possuem uma técnica de ensino 
que não usam palavras, nem latidos, 
nem miados, nem tampouco palavrão.  
 

No viveiro da natureza,
estamos nós, animais,
uns no meio dos outros,
como animais promovidos
a racionais.


Mas, a bicharada toda,
ainda existe em nós.


Nesta natureza complexa,
há o reino mineral,
o reino vegetal,
o reino animal
e o nosso reino humano,
a caminho da promoção
para o reino do espírito,
divino, imortal e eterno.

 
Muito da nossa dignidade
ainda está lá atrás,
vestindo a definição de animais.


Somos animais,
mas, por um esforço
e busca de melhores climas
e qualidade de vida,
fomos lentamente
evoluindo
para a condição humana.


E nesta caminhada,
lentamente,
rumamos
para uma condição superior,
caracterizada pelo espírito
que ainda vivencia,
mas promove nossa animalidade
para um nível acima.


E há outros níveis
a serem conquistados.


O passarinho
ou animal
que recebe comida ou agrado
firma um pacto de amizade
com o seu benfeitor.


Nós, humanos,
quase conseguimos
humanizar
todos os animais.


O cachorro
faz festa,
abana o rabo,
pula e corre contente.


O passarinho
canta hinos de gratidão.


O cachorro quando brinca,
se parece com a gente.


Veja como ele gosta de brincar.


Perceba sua alegria
pela sua maneira
de comportar-se.


Entende sua linguagem?


Ele quase fala.
Os seus olhos brilham.
Os gestos aparecerem
e gritam
aos nossos olhos e ouvidos.


Não cansa
na dança da criancice animal.


O que é que os animais
querem nos ensinar?


Promovidos para animais ‘racionais’,
algo de bom, dos animais, parece-nos,
acabamos perdendo
no meio da evolução.


Cadê nossa infância?
Lá se foi.

Não dá mais para recuperar?
Dá sim.


Somos capazes.


Somos mais que os animais.


O passarinho
quando canta,
revela que é mais que um animal.


O passarinho, quando canta,
promove-se, para quase um humano.


O passarinho quando canta,
expõe o que é melhor nele.


O passarinho quando canta,
é para nós que canta.


Alegra quem o escuta
com admiração.


Canta alegre.


Seu canto
é um hino de gratidão.


Seu canto é um hino
em louvor à liberdade,
pelo vasto espaço,
onde exercita sua liberdade,
onde atua e exibe o dom de voar.


As aves voam.


As aves
possuem liberdade,
como nós.


As aves
comem e vivem
gratuitamente.


Nós temos as pre-ocupações
pela sobrevivência.


Por que será
que cantamos tão pouco.


Se entendêssemos a linguagem
do cachorro e dos pássaros,
muitas coisas teríamos
a aprender com eles.


Mas não entendo como,
de tanto que gostamos dos pássaros,
dos cachorros e dos gatos,
compramos gaiola,
coleiras e correntes.


Moram conosco
nas nossas casas
e até em apartamentos.


Oh vida! ... Oh céus !


Como é grande nosso jardim,
nossa terra, nosso quintal.


Tem lugar para tudo
e para todos.


Com-vivemos.


Vivemos juntos.


Fizemos amizades.


Conquistamos
e fomos conquistados
pela alegria,
pelas criancices,
pelo jeito de brincar
dos animais.

E então, nós, 
alunos dos professores animais, 
aprendemos que é importante brincar, 
manter o bom humor, ser espontâneo, 
sem censuras, sem medo.


O que temos de mais importante
que o ar, a água e a vida?


Também a liberdade.


Estes elementos,
de graça recebemos.


E não há preço
que valor estime
ou que consigamos pagar.


Acredito que os pássaros
e os animais
expressam a alegria,
por estas capacidades,
de uma forma mais autêntica,
até mais visível,
e plenamente compreensível,
para nós.


E nós,
com todo o Universo
aos nossos pés
e em nossas cabeças,
inteligentes que somos,
com tristezas vagamos
no meio dos imensos jardins.


Talvez porque ainda
não aprendemos voar.


Como mudar esta atitude,
encravada, que perverte e reduz
nossa humanidade
a uma estatura mais baixa
que os nobres animais,
que curtem a vida,
cantando canções
de gratidão?


O Senhor Criador do Universo,
com sua  bondade infinita
tanto nos deu e tanto nos dá.


Não é sábio
permanecer indiferentes,
frios e apáticos,
sem aprender a cantar,
pular e dançar,
e, talvez até a voar.


No reino da natureza,
no grande Viveiro,
nós humanos,
estamos perdendo
para os cachorros
e para os pássaros,
na arte de viver.


Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 01/04/2016. Atualizado em 18/03/2026

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