quarta-feira, 2 de julho de 2014

124.- Olhar. Olhamos para frente, para os lados, para o alto e para dentro de nos mesmos






“Creio que

se sempre olhássemos

para o céu,

acabaríamos

por ter asas”.

Gustave Flaubert.

 

Usando os olhos,

que recebemos

como equipamentos,

próprios dos animais

e também dos animais racionais,

afetivos e espirituais,

vislumbramos paisagens,

objetos e pessoas,

a desfilar pela natureza esplêndida

na qual estamos pisando e vivendo.

 

E avaliamos o valor

da nossa visão.

 

Agregando valores,

com os olhos mais a reflexão,

aperfeiçoamos nossas capacidades

e nos projetamos

para um pouco mais longe

do que nossa visão alcança.

 

Nosso olhos

estão sempre voltados para frente.

 

Não temos olhos nos pés,

nem na nuca,

mas na face.

 

Pela mobilidade da nossa cabeça,

conseguimos olhar para frente,

para cima, para baixo,

para o lado esquerdo

para o lado direito.

 

Temos a possibilidade

de olhar para todas as direções,

e dimensões,

e isto, naturalmente,

sem nenhum esforço.

 

Olhar

não requer nenhum esforço.

 

Aprender a olhar

para determinada direção

já exige treinamento

e envolvimento

das outras capacidades volitivas.

 

Refletindo sobre esta nobre

e estupenda capacidade

que temos de ver,

quando fechamos os olhos

conseguimos ‘olhar’ para outras dimensões.

 

Conseguimos olhar

para dentro de nós mesmos,

para a dimensão de mistério,

de profundidade,

que também nos encanta,

nos assusta

e nos comove.

 

Há um mundo,

um grandioso mundo

dentro de nós,

todo ele guardado

e assimilado,

na nossa memória.


Vamos fazer uma pequena pausa para um exercício: tente lembrar-se de toda a tua história e veja ou relembre quantas coisas, pessoas, acontecimentos, relacionamentos, medo, solidão, eventos, aventuras, derrotas, vitórias, sucessos, angustias. 


O que você vê:

estacionamento,

acomodamento ou superações.


Você é um(a) vencedor(a).


Você experimentou e viu,

recordou atitudes de carinho,

ternura, amor, compreensão, acolhimento.

Que bela memória.


Se você,

por outro lado

só viu ou lembrou de coisas ruins,

por favor, delete,

apague, esqueça isso.

 

Não carregue coisas que fermentam,

pois vira veneno.

 

O que você viu de ruim,

possivelmente te melhorou

ou te piorou,

depende do que você mais cultivou

dentro de você ...


Voltemos ...


Veja como é importante

saber olhar para dentro de si mesmo,

mais com a compreensão ativada

do que com o rancor, raiva ou ódio ativados.

 

Quando estava cansado

e com vontade de dormir

meu pai pedia licença

para retirar-se e dizia:

passei o dia todo olhando para fora,

agora vou olhar para dentro.

 

Olhar para dentro,

para dormir,

mas também para conhecer

nossa interioridade,

passear pelas veredas

da reflexão, da memória,

da aceitação da compaixão

da grandiosidade de si mesmo.

 

Tão grande

como o universo exterior,

é nosso universo interior.

 

Você já fez a experiência

do mundão que você é,

por dentro.

 

Perceber as paixões,

os sentimentos e virtudes boas,

assim como nosso imenso poder interior

e espiritual.

 

Apegue-se às flores

e aos jardins

pelos quais você andou lá atrás.

 

Veja ou reveja

as boas pessoas

e os atos de bondade

com os quais você foi tratado(a)

 

E egora,

neste momento,

dê descanso para os olhos

e permita que a reflexão

saboreie de novo,

o que de dia,

os olhos fotografaram.

 

Não permita que a vaidade,

o orgulho e a inveja

tomem conta dos aposentos nobres

da nossa alma individual e única.

São ferramentas pequenas,

de pouca ou nenhuma utilidade.

 

O que podemos aprender

com esta capacidade maior,

de olhar?

 

Com esta capacidade de olhar

nasce a capacidade de refletir,

de repensar,

de se concentrar

no que estamos focados.

 

E aí aparecem surpresas,

valores escondidos.

 

Se temos estas capacidades

e estas oportunidades

não podemos deixar de usá-las.

 

 

Acho que uma das lições

que os nossos olhos querem ensinar

é para não pararmos

nem estacionarmos.

 

Sempre há coisas novas

a vislumbrar.

 

Se temos os olhos à frente,

e para frente vamos caminhando,

olhamos também para baixo,

por precaução ou prudência.

 

Os olhos

nos ajudam a verificar

as pedras e obstáculos

que podem nos derrubar.

 

Olhando para baixo,

também podemos perceber

o valor das pequenas coisas

e a valorizá-las,

como viventes,

participantes também,

do nosso mundo,

como sementes

e projetos auxiliares

de coisas maiores.

 

Os olhos

são como que sentinelas

exigindo atenção.

 

Descuidar-se ocasiona quedas.

 

Fechar os olhos

pode ocasionar surpresas desagradáveis

ou perdas de oportunidades

para admirar belas paisagens

ou para ler mensagens

que ainda não foram decifradas.

 

Uma coisa me chama a atenção:

apesar de podermos,

acho que não devemos,

olhar tanto para trás.

 

Mas, até para trás é bom olhar,

para buscar

as lembranças dos obstáculos

que superamos

e o quanto já aprendemos,

e o quanto já crescemos.

 

Talvez a atitude

mais própria do ser humano

seja olhar para cima.

 

Curiosamente,

ao analisar a natureza,

as arvores crescem para cima.

 

Todas as árvores crescem para cima.

Antes, crescem para baixo: fincam raízes.

Não crescem sem antes firmar as bases.

Perceba como a natureza ensina muito.

Basta olhar com atenção.

 

Crescer para cima

supõe elaboração

de objetivos e metas,

conhecimento da natureza,

seja ela natural ou espiritual,

planejamento e revisão.

 

É de cima que vem a motivação.

 

É de cima que vem a inspiração.

 

É de cima que me vem

a consciência dos nossos limites.

 

O que está abaixo de nós,

somos senhores e administradores.

 

O que está acima de nós,

convém obedecer,

convém admitir e aceitar,

que esteja acima de nós.

 

De cima é que vem,

sobretudo,

um chamado a superar-nos,

a não nos entregarmos.

 

As estrelas piscam para nós.

 

 

As estrelas chamam

cada um de nós para visitá-las.

 

Com estes nossos pequenos olhos,

conseguimos enxergar as estrelas,

tão distantes, mas não por isso,

impossíveis ou imaginárias.

 

As estrelas são,

dentro do nosso universo,

mais um dos presentes que recebemos.

 

São mensagens do nosso Criador e Pai.

 

Quando olhamos para cima,

e vemos as estrelas,

tão distantes,

despertam em nós,

a admiração e o louvor.

 

Cada estrela é um sol.

 

É uma imensidão.

 

Tenha a ousadia de pesquisar

na internet, o mundo das estrelas,

e confirme, pessoalmente,

a grandiosidade das obras

que nosso Pai construiu.

 

Ou foram os homens

que construíram as estrelas?

 

E nós somos simplesmente,

os herdeiros de toda a criação.

 

Tudo o que existe

é para nosso uso e proveito.

 

*Aí de nós, se não olharmos para cima*.

 

Terráqueo nascemos.

Terráqueo não podemos permanecer.

 

As estrelas esperam por nós,

lá no infinito.

 

A seres celestiais

sonhamos nos transformar.

 

As estrelas estão lá em cima,

indicando nossa futura maneira de ser,

ou nossa futura casa, onde haveremos de morar.

 

O céu é infinito.

Quando falamos em céu,

olhamos para o espaço.

 

Quando pensamos em céu,

pensamos que seja lá em cima,

em algum lugar.

 

Na terra ou no interior da terra não é,

pois é muito pequena para todos nós.

 

Não existe o tão longe

que nossos olhos não vislumbrem

e nossas almas não alcancem

num piscar de olhos.

 

Por entre os astros e estrelas do espaço Infinito,

os olhos nos levam a crer na existência

e na bondade do nosso Paizão.

 

Acho que foi Ele que fez isso para nós.

 

Abaixo, bem abaixo,

há uma profundidade

que não conseguimos penetrar.

 

Acima, bem acima,

há uma altura,

que nossos pulos

ainda não conseguem alcançar.

 

 

Mas nosso Paizão dos céus

não é um enganador.

Ele fez tudo isso para todos nós.

 

Os olhos do Heipo

estão procurando outros olhos

para aperfeiçoar esta busca

e antecipar essa conquista.

 

 

Releia neste Blog, o nº 28 "Aí de nós se não olharmos para cima".  

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 26/03/2016. 

 

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