quinta-feira, 31 de julho de 2014

135.- Finito cabe dentro do infinito. 135


 
Minha fragilidade humana
limita
o que de eterno há em mim.


Tenho ideais mais fortes 
do que eu mesmo sou,
e, experimento em mim 
a limitação.


Tenho sonhos infinitos
que querem rasgar
os limites que experimento.


O que há de finito em mim,
serve de panela, de balde, de copo
para recepcionar o infinito.


Quão pequeno sou,
tentando deixar absorver
“o maior” dentro do que posso conter.


Posso explodir, arrebentar,
de dentro para fora.


Pode ser que a qualquer momento
se não me arrebento,
coisa grande vai acontecer.


Esta ardença, querença,
teimança ou queimança,
morde, urtiga, convida,
atrai, e se impõe.


Não há como resistir.

É uma força de atração.


Sou bastante animal,
um tanto humano.

Desejo mais um tanto,
ultrapassar meu tamanho.

Algo em mim impulsiona,
energiza  e  anima
a condição humana
em direção a algo mais,
além do que vejo,
sinto e percebo.

 
Algo condiciona meu ser frágil
a ser e a expressar-se
mais do que meu pobre ser
consegue suportar.

Posso, não posso,
somente eu,
querer e poder
mais do que sou?


Uma hora meu eu 
quer ser mais livre,
quer voar, mas não pode.


Quer transportar-se
para o alto da montanha,
sem dar os passos por entre as pedras.

Querendo ser mais
experimento barreiras,
cadeias, cordas,
impotências e carências.

Eis que ainda sou uma massa
habitado por migalhas de infinito.

De repente, de novo,
experimento-me
curtindo uma expectativa,
uma esperança, ânsia ...
ou saudade...
que me parece não ser minha
que me faz esquecer
que sou humano.
E me faz sentir eterno,
sem ainda ser.

(Nova versão de um texto já publicado
no numero 32 "Desafiados pelo Infinito).


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 12/05/2016
Atualizado em 26/05/2026

 

 


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