Vivemos em um mundo onde as mudanças acontecem tão rapidamente
que não nos dão tempo para planejar ou avaliar como nossos filhos e netos estão
crescendo.
Os
pais sozinhos hoje não dão conta da educação dos filhos. Então, que os pais contem
com a colaboração dos avós.
Como avós, se não estamos carecas, vivemos com os cabelos em
pé.
Juntos com nossos filhos, pais dos nossos netos,
vivemos admirados e assustados, alegres e inseguros.
Nossos
filhos e netos são os maiores e melhores bens que temos. Nós, como avós,
queremos investir nossos recursos e nossas reservas neste projeto atual e
futuro.
Aos pais cabe a responsabilidade pela educação dos filhos.
Aos
avós, cabe não só a curtição, mas a colaboração neste importante projeto.
Os
avós possuem uma carga de experiência neste ramo que pode dar certo, se os pais
permitirem.
Responsabilidade
educativa inclui testemunho, carinho, ambiente de confiança, respeito, firmeza
com suavidade, obediência com alegria, investimento de tempo e dos bons
recursos pessoais conquistados pela maturidade que a vida proporciona.
Aos pais
recai a responsabilidade pelo desenvolvimento da educação moral e religiosa dos
filhos.
A
tarefa dos pais inclui educar a vontade dos filhos, para escolher o que é bom e
recusar o que não agrega nenhum valor.
A vontade é uma força que cada um tem
quando educada e aproveitada para o próprio aperfeiçoamento. É uma força que desenvolve hábitos bons e
tendências afetivas para o bem.
Aos
professores cabe a responsabilidade pelo desenvolvimento técnico e funcional
dos nossos filhos e netos, possibilitando-lhes a escolha e o desempenho de uma
profissão.
Aos
pais cabe apoiar, auxiliar, acompanhar, entusiasmar os filhos para uma
atividade de serviço, uma profissão com a qual poderá crescer material e
economicamente, buscando independência financeira.
Na
faixa interna da família, os pais procuram dar conta das suas responsabilidades
de educação moral e religiosa.
Na
faixa externa os filhos estão expostos. A sociedade e a cultura do mundo
oferecem diversão e entretenimento. Na faixa externa consideramos as
influências que nossos filhos e netos recebem de outras fontes, que não são
paternas e maternas ou dos avós.
Que
tipo de conteúdos entram em nossos lares através da televisão, dos computadores
e dos celulares, e que nossos filhos e netos absorvem, dentro da nossa própria
casa?
Nas
mãos de quem nós entregamos nossos filhos?
Nas
mãos de quem planejam programas despersonalizantes.
Programas
despersonalizantes são aqueles que não estão comprometidos com uma pedagogia
que ensina a ser pessoa humana consciente, livre, autônoma e ao mesmo tempo
comprometida com os valores fundamentais da vida, como a atenção aos outros.
Somos
todos irmãos e é para aperfeiçoarmos a vida em fraternidade que deveríamos
estar sendo formados.
Não
para a concorrência. Não para a discriminação.
Lembro-me
da minha infância quando nossos pais brincavam junto conosco. Fazíamos pique nique
nos finais de semana. Estávamos a maior parte do tempo juntos, em família.
Família numerosa.
Hoje
os pais não tem tempo para brincar com seus filhos. E o que é pior. Alguns
deixam seus filhos escolherem o que bem entenderem para ocupar o tempo,
contanto que nos deixem livres para ocupar-nos com o que queremos... Isto é
fuga, individualismo, irresponsabilidade, descompromisso com nossos filhos e
conosco mesmos.
A
quem entregamos nossos filhos e netos para que os guiem nos seus tempos livres?
Permitimos
que nossos filhos e netos sejam invadidos em suas frágeis estruturas por
elementos de cultura que não os ajudarão a crescerem como pessoas.
Vigilância
é sempre oportuno e necessário.
Abandoná-los
é nocivo e prejudicial.
Momentos
de intimidade com filhos e netos, presença simples e carinhosa, dialogando
sobre assuntos importantes, envolvendo-nos e envolvendo-os em possibilidades e
atividades sadias para ocuparem os seus e nossos tempos, isto feito em família
e grupos de amizades.
Momentos
de intimidade com filhos e netos, presença simples e carinhosa, mostrando os
valores da confiança, das amizades sérias, das consequências em escolher
caminhos retos, bons, saudáveis, e, alertando para que sejam rejeitados os
caminhos e amizades de riscos, de agressões, de abusos ou consumos de drogas.
Crescendo,
amadurecendo, discernindo entre dois possíveis caminhos: um, mais difícil, que
enobrece, fortalece e traz boas consequências; e outros caminhos, atraentes, mas
que produzem frutos amargos e consequências
despersonalizantes.
Pais
e avós procurem despertar em seus filhos e netos, a importância e a dignidade
da liberdade, formando-se na escola da verdade, a qual lhe possibilitará
discernir com clareza o caminho a seguir, fortalecendo-se para defender-se e
agir com inteligência nos momentos difíceis que aparecerão para provar e
fortalecer sua robustez.
Seus
filhos e netos estarão amadurecendo, não importa onde estiverem nem com quem
estejam, mas que permaneçam com suas convicções inabaláveis, seus objetivos e
projetos de vida ativos, fundamentados na alegria dos pais que testemunham
escolhas certas, comportamentos corretos, bondade e disponibilidade, atitudes
amorosas, compreensivas, tolerantes, companheiras.
Filhos
e netos maduros traduzem seus atos em prudência, bom juízo e bom senso, atenção
e sensibilidade diante dos outros, sempre querendo ou demonstrando interesses
em ajudar, quem quer que seja.
Educação
integral envolve a atenção, preocupação e projetos que promovam não só
liberdade, mas liberdade responsáveis.
A
cada liberdade dada, uma responsabilidade seja cobrada. Por exemplo: se teu
filho ou filha ou neto ou neta pede para brincar com um determinado brinquedo,
você concorda e dá este brinquedo. Esta é a liberdade. A responsabilidade é:
quando você terminar, guarde onde o encontrou. Outro exemplo: teu filho ou filha
ou teu neto ou neta pede para sair. Você dá esta liberdade. Cobra a
responsabilidade, pedindo que volte às 22 horas.
Somos
responsáveis pelo ambiente de paz e harmonia, não só em nosso ambiente
familiar, mas também no ambiente profissional, de lazer, social, ecológico,
político, jurídico e religioso.
Este
texto sobre educação dos filhos é de extrema importância para nós, pais, avós e
educadores. Foi inspirado no documento do Papa Francisco: “Exortação Apostólica
Pós-Sinodal AMORIS LAETITIA, sobre o amor na Família”.
Voltaremos
ao tema em outra oportunidade.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 12/07/2016
eneaspb@gmail.com
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