quarta-feira, 13 de julho de 2016

314.- Natureza. Um encontro com ela ... e comigo mesmo.


Domingo próximo passado (10/07/2016), aqui na região de Curitiba, o sol veio expor-se abundantemente, bem visível, bem claro, bem forte.

         Foi um convite para visitarmos a mãe Natureza, que nos acolhe em sua geografia, acalma e equilibra nossos vulcões interiores. 

         Convidamos minha irmã Regina e meu cunhado Ivo e lá fomos nós para a Colônia Mergulhão, com traços típicos da cultura italiana e para a Colônia Muricy, prevalecendo características da cultura polonesa, lá pelo interior de São José dos Pinhais, peregrinando pelos Caminhos do Vinho, nas redondezas do Aeroporto Afonso Pena.

         Caminhos que lembram o país da Itália e da Polônia, traduzidas pelas características das casas e pela comida típica, polenta, frango caipira, caipirinha, tortas, bolos, pães, salame, queijos, vinhos e conservas... e sobremesa até encher o resto das mesas.  

         Bazar, Bodegas, Armazéns,
Bancas ou Vendinhas, com produtos para degustação: salames, vinhos e queijos.

         Restaurantes para todos os paladares.

         Caminhos floridos, casas típicas com camas, armários, utensílios antigos, máquinas de costura, ferramentas agrícolas que eram usados pelos nossos avós, primeiros imigrantes.

         Existem determinadas coisas que você gosta de encontrar porque te proporcionam bons pensamentos, bons fluidos, boas recordações, e produzem o bem-estar psíquico, emocional e espiritual.

         Passeios como esse é uma volta ao passado, no tempo presente.

E como nos faz bem.


Saindo de casa,

vamos a um encontro.

 

Encontro com a natureza:

sol, céu azul, estradinhas,

terrenos sem cercas, pinheiros,

capão de mato, tanques de peixes,

plantações de verduras, animais,

passarinhos, ar puro, ... vida que respira.  


E o que nos chama a atenção:

a liberdade, a sensação de descanso,

a calma, a tranquilidade do ambiente.

 

O próprio ambiente rural

é calmante e tranquilizante.

 

E a boa companhia,

acompanhando e acrescentando detalhes

e características dos nossos avós.

 

Vida sofrida,

conquistas e frutos,

nós, filhos bem-criados,

valorizando as vitórias deles,

reconhecendo-nos gratos

por tudo aquilo que eles foram

e o que eles plantaram.

 

A natureza acalma

quando olhamos e admiramos

a água dos rios,

os lagos tranquilos,

quando escutamos os pássaros

e tentamos interpretar

o que eles cantam.

As borboletas multicoloridas,

leves, quase transparentes,

voando em ziguezague,

brincando de brincar.

 

Abaixamos

e sob nossos pés

o mundo das formigas,

diferente do nosso mundo,

bem-organizadas,

em silêncio,

cumprindo seus destinos

sem se importar conosco,

gigantes distraídos,

apressados.

 

Ao longe, nos campos,

animais quadrupedes,

pastando tranquilamente,

despreocupadamente,

em paz e harmonia

com o mundo circundante.

 

Aqui e ali,

as árvores em movimento,

contorcendo-se com a força do vento,

sem opor resistências,

aceitando alegremente a luz do sol,

proporcionando sombras

para aquilo ou aqueles

que procuram a suavidade

de um lugar agradável,

oferecendo seus galhos

para todo e qualquer tipo de ave.

 

Acima as nossas cabeças,

nuvens esparsas também passeiam,

dando provas da sua liberdade,

como se fosse sempre domingo,

indo e vindo subindo e abaixando,

afinando-se ou engrossando

ao unir-se a outras nuvens,

sem opor obstáculos

a qualquer avião

que por aqui procura pouso.

 

Sem esforço,

figuras formam

e se transformam constantemente.

 

E nem sempre paramos

para admirá-las,

interpretar seus formatos

e perceber sua importância.

 

De repente o silêncio.

 

O silêncio faz parte desta paisagem,

por isso, parece completo o cenário

e o fundo musical apropriado.

 

Tanto silêncio

que até conseguimos escutar

as batidas do próprio coração,

batidas alteradas

pela curtição de estar envolvido

pela Natureza toda,

libertadora, equilibrante.

 

Aqui, na Natureza,

consigo tirar meus sapatos,

andar descalço,

experimentando a suavidade da grama,

a maciez das folhas caídas.

 

Relaxamos,

voltamos ao normal

ou como gostaríamos

que sempre fosse.

 

Que sensação agradável,

andar de descalço na grama,

na terra e na areia macia.

 

Nas mãos, agora,

um punhado de folhas secas.

Amasso-as,

esfregando uma mão na outra,

sentindo carícias de folhas secas

em minhas mãos úmidas.

 

Um galho cheio de folhas verdes,

recém-nascidas,

se derrama quase até o chão.

Pego uma porção de folhas verdes,

esfrego-as nas mãos

até se tornarem uma pasta.

Em vez de revolta,

as folhas soltam perfumes.

 

Na cidade,

sinto-me quase morto,

insensível.

 

Nas redondezas,

onde a Natureza ainda palpita,

ainda se mexe,

ainda me chama a conviver,

afino de novo meus sentidos

e percebo onde deveria mais viver.

 

Aqui, no verde da floresta,

no silêncio acontece,

tantas mensagens

e quantas transformações.

 

Associo tudo o que vejo e sinto,

com as coisas boas

que me tem acontecido

nesta Terra,

nosso jardim.

 

Nos encontros

dentro da Natureza

ainda estou vivo

porque convivo

com as coisas vivas,

nascidas

na nossa Terra.

 

Os encontros com a Natureza

funcionam como terapia

por onde se esvai

nossas tensões nervosas,

acumuladas

no agito do vai e vem,

onde vivemos,

quase a contragosto,

esperando ansiosamente

nova oportunidade

para entrar em contato

não só com a natureza,

mas mais ainda,

conosco mesmos.

 

Aqui nos sentimos tão bem,

porque há variedade de reinos,

unidos,

em homenagem a nós,

filhos do Dono da Senhora Natureza,

herdeiros dos seus bens.

 

Sob nossos pés

o Reino Mineral,

na base,

nas profundezas,

invisível,

proporcionando a vida

para o Reino Vegetal,

já visível,

o qual, por sua vez,

vai crescendo e disponibilizando-se

para que o Reino Animal

também se exiba

e se disponibilize para nós,

humanos,

ajudando-nos a entender

a complexidade dos Reinos Vivos.

 

 

Evoluindo, tudo existe

para a curtição das pessoas conscientes

de participarem do Reino Humano,

abertos, maduros,

direcionando-nos ao último Reino,

ainda pendente de realização,

o Reino Divino,

no qual somos apenas,

os filhos e filhas do Criador.

 

Fazemos a feliz experiência

de pisar nesta Terra,

este imenso Jardim,

como filhos perfeitos,

felizes e gratos

ao nosso Pai dos Céus.

 

Já ouvimos falar dos céus.

Mas até parece,

de vez em quando,

que o céu é aqui

e que já o experimentamos.

 

Será isso saudades?

 

Ou esperanças?

 

Só sei que as imagens

e os sons gravados,

nos encontros

com a senhorita Natureza,

vão comigo, no dia a dia,

contagiar as pessoas

com quem convivo.

 

No silêncio da Natureza,

conseguimos ler e ouvir 

mensagens e convites

para permitir

que a paz e a serenidade

entre dentro de nós.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Publicado noBlog Heipo World em 13/07/2016

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