Pensando, escrevendo, reescrevendo,
repetindo, insistindo, martelando,
o tema da alma.
Se temos alma,
se a alma nos tem,
se a alma existe
e se nós existimos,
amém, assim seja.
Dentro da alma
e na alma, amadurece,
cresce e evolui todos os seres.
Alma do céu,
ilumina nossa alma,
aqui na Terra.
Somos uma potência
pela capacidade espiritual
e pela alma que nos habita.
Temos consciência
de que somos um eu,
espírito ou alma.
Eu estou neste mundo.
Eu tenho o poder de afirmar:
Eu sou. Eu sou eu.
Esta minha capacidade
de me reconhecer como um ente, um ser,
me diz que tenho alma.
Sou consciente da vida que há em mim.
Sou um ser vivo, por isso ouso dizer:
tenho uma alma. Sou uma alma.
Ocupo-me e invisto nesta realidade.
É diferente dizer: não sou uma alma.
Não sei o que é alma.
Não sei dizer se tenho alma.
Não sei o que é isso.
Não sei experimentar
nem perceber o que seja.
O mundo no qual estamos vivendo
está sendo construído,
está sempre em evolução.
Não deixamos de perceber
que este mundo
também está sendo explorado
e deformado, poluído
e talvez até mesmo, destruído.
Será que o mundo tem alma?
Sente que está sendo explorado?
Perde árvores, ganha lixo,
o ar já está cheio de veneno.
Rios ficam rasos.
Peixes morrem.
O mundo tem alma
e está em situação de risco.
A pessoa humana que o habita,
da mesma forma está com a sua alma
em processo de contaminação
e de extinção.
Tanto com a natureza externa,
quanto com a nossa própria vida,
estamos cometendo crime coletivo,
estamos cometendo assassinato,
pois que o mundo tem movimento
e está vivo.
As pessoas, dentro do mundo,
também estão sendo exploradas,
poluídas com tudo aquilo que lhes sufoca, martiriza,
não deixando sua
alma viver
de nutrientes puros.
Se o mundo,
a natureza toda
é um ser vivo,
pois está cheio de vegetais vivos,
animais vivos, também está repleto de gente,
que recebe de tudo para bem viver
ou viver de qualquer jeito.
Mas, a água está ficando suja.
A água que tomamos.
A água com a qual tomamos banho.
O mar e o espaço
já estão com muito lixo.
O ar está contaminado.
O ar que respiramos
e nos mantém vivos
está nos envenenando.
A terra
está perdendo seus nutrientes.
Muitas aves e animais
estão desaparecendo.
Sentimos nas catástrofes,
sinais e avisos deste desequilíbrio.
Mas é a pessoa humana
a responsável por estes desequilíbrios.
Se a natureza perde sua alma e sofre,
as pessoas humanas,
se ficam sem alma para cultivar,
também entram em risco de extinção.
se ficam sem alma para cultivar,
também entram em risco de extinção.
É o mundo
que deixou sua alma esfriar
ou morrer?
Ou é a pessoa humana, que já sem alma,
ou vivendo como se não a tem,
está se suicidando?
Se o mundo tem alma,
onde está a alma do mundo?
Não tem lógica nenhuma
dizer que o mundo tem alma.
A primeira impressão que temos
nos faz dizer: o mundo tem alma sim,
mas não está se manifestando.
Se o mundo não tem alma,
não é mundo.
Se não tem alma,
não vive.
Sem alma
o mundo é uma coisa bruta.
Se o mundo não tem alma,
nós, que vivemos dentro dele,
acabamos por extensão,
nos comportando
como se não tivéssemos alma.
Este mundo,
este planeta Terra
tem que ter alma.
O mundo é um ser vivo.
Se for vivo, tem alma.
Nada vive sem alma.
Se este mundo tem alma,
onde está a palpitar?
Não vemos a alma.
Ela é de natureza invisível.
Mas, se é invisível,
vemos as manifestações.
Será que este mundo,
no qual vivemos, tinha alma?
Se teve perdeu-a.
Se a perdeu,
onde, como,
por que e quando
foi perdida?
Como o ar que faz falta provoca a morte,
a alma é o ar que falta na vida do mundo.
Nem que tenhamos que morrer,
empenhemo-nos
para devolver a alma
ao mundo.
Sonhemos fazer reviver
o coração deste mundo
que já teve grandes momentos
porque tinha grande alma.
Este mundo
precisa de novo
erguer os braços para os céus.
É de lá
que podem vir germens
e as sementes
de almas novas.
É do céu que virá esta qualidade,
esta marca da misericórdia,
da sensibilidade diante dos problemas
desta humanidade acampada na terra,
sedenta de pureza, de pão,
carente da justiça dos irmãos.
Mais do que uma alma histórica
é de uma alma proativa,
ousada, que se exponha
gritando pela busca dos problemas
que tem solução.
Uma nova alma revigorada,
para o mundo de hoje,
tem que nascer
ou teremos que recriá-la.
A frieza, a apatia,
a indiferença é tanta
que já nos acostumamos
com as estatísticas dos mortos
provocados pela fome, pela guerra,
pelo suicídio, assaltos, violências,
descaso com a saúde,
com a educação
e pelo ideal
da fraternidade universal.
Alegro-me
quando na alma me atenho.
Sinto-me vivo, vibrante,
quando com alma me sinto.
Dou vida à minha alma
quando dos céus me ocupo.
A alma ativa
ilumina os passos,
na noite enxerga com clareza,
escolhe as trilhas floridas.
A alma viva
encontra forças até na fraqueza.
Segue sempre adiante
no rastro da pureza.
O teu sopro divino
sobre o barro fraco que cada um é,
criou em nós,
o sonho do céu.
Na fragilidade da alma,
dentro do vaso quebrado,
cabe muita graça e doçura,
mais arte e beleza resplandece.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 25/07/2016.
eneaspb@gmail.com
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