Uma das grandes questões
que fazem cócegas em nossa imaginação,
e aciona a partida da nossa curiosidade
é o tempo.
Estamos no tempo e dentro do tempo,
e sofremos a influência do tempo.
Somos e existimos no tempo.
Dominamos o tempo
e ao mesmo tempo,
nos sentimos escravos dele.
Uma pergunta
e uma revelação incomodam
a consciência de cada um de nós.
A pergunta:
‘o que temos feito
com o tempo’?
A revelação:
‘O tempo foi dado
para cada um
descobrir
a eternidade’.
No dia
do nosso nascimento,
embarcamos
na nave terra,
que
viaja no espaço infinito,
a tamanha
velocidade
que
não conseguimos acompanhar.
E
entramos no tempo.
Ninguém
comprou passagem
e nem
teve oportunidade
de
escolher o destino.
Ninguém
nos perguntou
nem
informou
o
motivo da viagem:
férias,
negócios, marte,
galáxias
ou a busca do céu.
De
qualquer forma,
estamos
embarcados,
e
viajando.
E contamos
o tempo.
E não
há como descer da nave,
nem
saberíamos onde descer.
Mas
ainda há tempo
para
decidir
o
destino que queremos.
Dentro
da nave, nascemos,
crescemos,
estudamos,
trabalhamos,
sempre juntos
com
outros passageiros.
Dentro
desta perspectiva,
nos
definimos como viajantes.
E
viajamos
dentro
do que entendemos
como
tempo.
Para
facilitar ou complicar nossa vida
inventamos
o relógio
coma
tentativa
de
manter o tempo
dentro
de um estojo.
Mesmo
assim,
o
tempo
não
permanece preso.
Está
solto.
Inventamos
os números
para
contar e entender
o
tempo.
Aprisionamos
o tempo
em 24
horas, minutos e segundos.
Deixamo-lo
um pouco mais livre
dentro
de quatro estações
do ano
de 365 dias.
E
medimos nossa vida
pelos dez,
cinquenta, oitenta
ou cem
anos.
Nascemos,
vivemos e morremos.
Nos
montamos e desmontamos.
Nos
formamos e deformamos.
Ficamos
bonitos e enfeiamos.
Nestes
espaços, mudamos
e o tempo
permanece,
inalterado.
Nós, no
tempo, mudamos continuamente,
mas o
tempo permanece sempre o mesmo.
Parece
que o tempo não é daqui,
não é
da nossa dimensão.
Costumamos
dizer:
‘como o tempo passa depressa’.
Convém
mudar a frase:
‘Como nós passamos depressa’.
Vivemos
na ilusão
que é
o tempo que passa.
Inventamos
os números,
as
horas e as estações
para
colocar o tempo
dentro
dos nossos conceitos,
achando
que o tempo iria submeter-se
ao
nosso controle... Pura ilusão.
Na
ilusão ainda vivemos,
pois
que o tempo não passa
e é na
eternidade que estamos passando
nossos
dias.
O
tempo tem outro nome:
Chama-se
eternidade.
Não
queremos
nos
sentir perdidos
no espaço
que ocupamos.
Onde
perdi
meus
laços com o infinito?
Onde
enterrei
meus
tesouros eternos?
Quem
foi que me perdeu?
O tempo
pergunta:
‘Donde veio, para onde vais’?
Há
algo mais, que não sei?
Sim, há
algo
bem maior
do que
as coisas pequenas
que
aqui vemos
e com
as quais nos acostumamos.
Mesmo
que estejamos de passagem,
convém
que façamos
fazer
alguma coisa.
Tempo que te quero,
tempo que me tens.
O que faço contigo?
O que fazes comigo?
Reduzes meus dias
encurtas minha vida.
Vejo minha vida lá
atrás,
e aqui no presente.
Não me mostras
lá na frente.
O que escondes de
mim?
Vivo no teu bojo,
me envolves todo.
Nada te escapa.
O que há em baixo da sua
capa?
Não te deixas
apreender
nem surpreender.
Ah, já sei:
Aqui na terra teu
nome é tempo.
Lá no céu teu nome é
eternidade.
Eu sabia, eu intuía:
Já vivemos na
eternidade.
O tempo
só está nos
despistando,
ou provocando?
Tempo que te quero,
tempo que me tens.
O que faço contigo?
O que fazes comigo?
Se és meu amigo,
leve-me até a
eternidade
de onde vieste.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 28/07/2016
Atualizado em 14/07/2024
Publicado no
Blog Heipo Horld em 28/07/2016
eneaspb@gmail.com
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