quinta-feira, 28 de julho de 2016

328.- Tempo. Tempo que te quero, tempo que me tens. O que faço contigo? O que fazes comigo?


Uma das grandes questões

que fazem cócegas em nossa imaginação,

e aciona a partida da nossa curiosidade

é o tempo.

 

Estamos no tempo e dentro do tempo,

e sofremos a influência do tempo.

 

Somos e existimos no tempo.

 

Dominamos o tempo

e ao mesmo tempo,

nos sentimos escravos dele.

 

Uma pergunta

e uma revelação incomodam

a consciência de cada um de nós.

 

A pergunta:

‘o que temos feito

com o tempo’?

 

A revelação:

‘O tempo foi dado

para cada um

descobrir

a eternidade’.

 

 

No dia do nosso nascimento,

embarcamos na nave terra,

que viaja no espaço infinito,

a tamanha velocidade

que não conseguimos acompanhar.

 

E entramos no tempo.

 

Ninguém comprou passagem

e nem teve oportunidade

de escolher o destino.

 

Ninguém nos perguntou

nem informou

o motivo da viagem:

férias, negócios, marte,

galáxias ou a busca do céu.  

 

De qualquer forma,

estamos embarcados,

e viajando.

 

E contamos o tempo.

 

E não há como descer da nave,

nem saberíamos onde descer.

 

Mas ainda há tempo

para decidir

o destino que queremos.

 

Dentro da nave, nascemos,

crescemos, estudamos,

trabalhamos, sempre juntos

com outros passageiros.

 

Dentro desta perspectiva,

nos definimos como viajantes.

 

E viajamos

dentro do que entendemos

como tempo.

 

Para facilitar ou complicar nossa vida

inventamos o relógio

coma tentativa

de manter o tempo

dentro de um estojo.

 

Mesmo assim,

o tempo

não permanece preso.

 

Está solto.

 

Inventamos os números

para contar e entender

o tempo.

 

Aprisionamos o tempo

em 24 horas, minutos e segundos.

 

 

Deixamo-lo um pouco mais livre

dentro de quatro estações

do ano de 365 dias.

 

E medimos nossa vida

pelos dez, cinquenta, oitenta

ou cem anos.

 

Nascemos, vivemos e morremos.

Nos montamos e desmontamos.

Nos formamos e deformamos.

Ficamos bonitos e enfeiamos.

Nestes espaços, mudamos

e o tempo permanece,

inalterado.

 

Nós, no tempo, mudamos continuamente,

mas o tempo permanece sempre o mesmo.

 

Parece que o tempo não é daqui,

não é da nossa dimensão.

 

Costumamos dizer:

‘como o tempo passa depressa’.

 

Convém mudar a frase:

‘Como nós passamos depressa’.

 

Vivemos na ilusão

que é o tempo que passa.

 

Inventamos os números,

as horas e as estações

para colocar o tempo

dentro dos nossos conceitos,

achando que o tempo iria submeter-se

ao nosso controle... Pura ilusão.

 

Na ilusão ainda vivemos,

pois que o tempo não passa

e é na eternidade que estamos passando

nossos dias.

 

O tempo tem outro nome:

Chama-se eternidade.

 

Não queremos

nos sentir perdidos

no espaço que ocupamos.

 

Onde perdi

meus laços com o infinito?

 

Onde enterrei

meus tesouros eternos?

 

Quem foi que me perdeu?

 

O tempo pergunta:

‘Donde veio, para onde vais’?

 

Há algo mais, que não sei?

 

Sim, há

algo bem maior

do que as coisas pequenas

que aqui vemos

e com as quais nos acostumamos.

 

Mesmo que estejamos de passagem,

convém que façamos

fazer alguma coisa.

 

Tempo que te quero,

tempo que me tens.

O que faço contigo?

O que fazes comigo?

 

Reduzes meus dias

encurtas minha vida.

 

Vejo minha vida lá atrás,

e aqui no presente.

 

Não me mostras

lá na frente.

 

O que escondes de mim?

 

Vivo no teu bojo,

me envolves todo.

 

Nada te escapa.

 

O que há em baixo da sua capa?

Não te deixas apreender

nem surpreender.

 

Ah, já sei:

Aqui na terra teu nome é tempo.

Lá no céu teu nome é eternidade.

 

Eu sabia, eu intuía:

Já vivemos na eternidade.

 

O tempo

só está nos despistando,

ou provocando?  

 

Tempo que te quero,

tempo que me tens.

O que faço contigo?

O que fazes comigo?


Se és meu amigo,

leve-me até a eternidade

de onde vieste. 

  

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 28/07/2016

Atualizado em 14/07/2024

Publicado no Blog Heipo Horld em 28/07/2016

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