terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

278.- Egoísmo. A única guerra permitida é contra o egoísmo.





A guerra contra o egoísmo é permanente.

Se permanecermos apegados a uma filosofia de vida egoística não alcançaremos o próximo degrau na escalada da evolução para o mundo dos adultos ou dos responsáveis pela nossa própria evolução e pelo término da construção do nosso mundo.

Uma única guerra é admitida e aprovada por todos os que se sentem comprometidos com a evolução.

Uma única guerra precisa estar ativa: contra os inimigos que moram dentro da nossa própria personalidade e que são os promotores da desunião, da falta de paz, de todos os desequilíbrios da natureza, da natureza humana, social e espiritual, ecológica ... 

O ideal que nós pensamos e nos empenhamos a realizar é estar em paz e harmonia conosco mesmos, em primeiro lugar.

Mas nem sempre isso acontece.

Parece-nos que para termos paz, antes, é necessário fazer acontecer a guerra dentro de nós mesmos.
 

Que tipo de guerra?

Uma guerra figurada,

uma maneira de falar.

 

Pela experiência pessoal, todo ser humano é uma única entidade, porém, quase sempre estamos em conflito interno.

A dualidade se faz presente, quase sempre, sintoma de conflitos.

Uma parte de nós está constantemente querendo ser mais, crescer, evoluir, conquistar, aprender.

Outra parte de nós está sempre procurando a acomodação, o descanso, o ‘não fazer nada’.

Experimentamos constantemente a divisão dentro de nós.

Sim, existe uma guerra em que estamos permanentemente envolvidos.

A guerra contra a preguiça, contra a desistência; contra o desânimo; contra a covardia; contra a perda da força de vontade; contra o pensamento negativo que destrói a própria autoestima, contra a injustiça, contra a indiferença, contra o descompromisso, contra a ganância, contra tudo o que, de certa forma, nos segura, e por isso, nos mantém estacionados.

Temos dois poderes em conflito dentro de nós.

Até parece que existe um poder que quer posicionar-se a favor de tudo o que é bom e um poder de oposição, que quer opor-se a tudo o que é bom. O Apóstolo São Paulo diz em uma das suas epistolas que “...faço o mal que não quero e deixo de fazer o bem que quero...”. Esta frase ilustra bem o que estou tentando dizer sobre o conflito interno que impera dentro deste vasto campo de guerra que cada um é.

Uma guerra permanente em que o combate não para nunca.

Não há descanso.

Não há folga.

Não há férias.

Um dos lado, para vencer, necessita de conhecimento da situação.

Não basta só conhecer o inimigo, suas políticas e estratégias.

É necessário partir para a fase do planejamento estratégico e, mais ainda, adquirir o hábito do treinamento que nos mantém sempre em forma.

Entra no contexto, a convocação do esforço.

Para esforçar-se há que se fazer parceria com o esquadrão da motivação.

A motivação nasce quando descobrimos os pontos fracos do inimigo, quando ganhamos algumas pequenas batalhas e quando percebemos a força que temos em nós mesmos e que está sempre disponível, bastando apenas acionar as motivações, os argumentos e o resultado que virá como consequência.  

Conhecer o nosso potencial e confiar nele é o que faz a diferença.

Ninguém, fora de nós, parente ou amigo, ou até mesmo inimigo, tem o poder de destruir-nos, a não ser que nós mesmos aceitemos esta condição e concordemos com tal violência e nos entreguemos covardemente, sem lutar.

A autodestruição é permitida por nós mesmos.

Se não estivermos atentos, nós mesmo nos derrotamos ou permitimos nossa própria derrota.

 Nós mesmos é que cedemos à moleza, à passividade, ao comodismo, à desistência, à raiva, ao fumo, às drogas, às imaginações que provocam medo e falência das nossas capacidades.

            Nós sabemos o que nos faz mal, mas mesmo assim cedemos às ilusões.

A afirmação da nossa personalidade está em vencer as pequenas batalhas que acontecem dentro de nós mesmos e conosco mesmos.

Quando vencemos uma batalha, adquirimos força para vencer outras.

De tão pessimistas e negativistas que somos, quando perdemos uma batalha, achamos que perdemos tudo.

A guerra é feita de várias batalhas.

A guerra é feita de planejamento estratégico e, de luta, de esforços.

Exige muito da pessoa, que deve se transformar num combatente.

Esta guerra continua enquanto estivermos vivos e pelejando.

A vida, além de bela, também é uma guerra, contra si mesmo.

Existem, portanto, guerras pessoais e guerras sociais.

Em primeiro lugar devo lutar e vencer meus inimigos internos.

Em seguida, com a paz adquirida e morando dentro de mim, vejo que não existem mais guerras.

Derrotando meu egoísmo e a ganância, todos os outros inimigos tornam-se vencíveis, facilmente.

Nunca, nunca a guerra deve ser contra os outros.

Os outros também vivenciam esta mesma guerra permanente.

Não sejamos inimigos dos outros.

Facilitemos este trabalho, sendo compreensivos e companheiros, solidários e fraternos, incentivadores da paz.

Lutemos e nos esforcemos para não ser uma mala para os outros.

Não ser nem colocar uma barra de gelo nas costas dos outros para que eles carreguem.  

Não sejamos pedaços de raízes de árvores, cheias de pontas, cutucando o lombo dos nossos amigos.

Não sejamos pesados, como pedras ou sacos de cimento para os outros carregarem.

Cultivemos, alimentemos e aperfeiçoemos tudo aquilo que de bom existe em cada um de nós.

Façamos guerra permanente contra o que dentro de nós existe de ruim.

Há uma boa guerra dentro do nosso próprio jardim, dentro da nossa própria casa.

Existem elementos que teimam em diminuir o que de grandioso carregamos e somos.

A guerra é para levantar o herói que dorme dentro do bicho preguiça.

Nossos inimigos moram dentro da nossa própria personalidade.

Superar estes fantasmas que se escondem por debaixo da nossa aparência exige a constante posição de alerta e preparo para não se deixar vencer.  

Disse o filósofo Nietzsche*: Tudo quanto não conseguiu derrotar-me, fortaleceu-me. Friedrich Wilhelm Nietzsche, nasceu na Alemanha em 15 de outubro de 1844 e faleceu no dia 25 de agosto de 1900. Foi considerado um dos grandes filósofos da Alemanha.

Não é para nós mesmo que vencemos as batalhas.

Não é para nós mesmos que nos tornamos heróis ou heroínas.

É para os outros que, vencendo-nos, nos tornamos mais humano, mais pacíficos, carinhosos e prestativos.

 

Mais da paz. 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski                         

Atualizado em 09/02/2016

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