A guerra contra o egoísmo é permanente.
Se permanecermos
apegados a uma filosofia de vida egoística não alcançaremos o próximo degrau na
escalada da evolução para o mundo dos adultos ou dos responsáveis pela nossa
própria evolução e pelo término da construção do nosso mundo.
Uma única guerra é
admitida e aprovada por todos os que se sentem comprometidos com a evolução.
Uma única guerra
precisa estar ativa: contra os inimigos que moram dentro da nossa própria
personalidade e que são os promotores da desunião, da falta de paz, de todos os
desequilíbrios da natureza, da natureza humana, social e espiritual, ecológica ...
O ideal que nós
pensamos e nos empenhamos a realizar é estar em paz e harmonia conosco mesmos,
em primeiro lugar.
Mas nem sempre
isso acontece.
Parece-nos que
para termos paz, antes, é necessário fazer acontecer a guerra dentro de nós
mesmos.
Que
tipo de guerra?
Uma
guerra figurada,
uma
maneira de falar.
Pela experiência
pessoal, todo ser humano é uma única entidade, porém, quase sempre estamos em
conflito interno.
A dualidade se faz
presente, quase sempre, sintoma de conflitos.
Uma parte de nós
está constantemente querendo ser mais, crescer, evoluir, conquistar, aprender.
Outra parte de nós
está sempre procurando a acomodação, o descanso, o ‘não fazer nada’.
Experimentamos constantemente
a divisão dentro de nós.
Sim, existe uma
guerra em que estamos permanentemente envolvidos.
A guerra contra a
preguiça, contra a desistência; contra o desânimo; contra a covardia; contra a
perda da força de vontade; contra o pensamento negativo que destrói a própria
autoestima, contra a injustiça, contra a indiferença, contra o descompromisso,
contra a ganância, contra tudo o que, de certa forma, nos segura, e por isso,
nos mantém estacionados.
Temos dois poderes
em conflito dentro de nós.
Até parece que
existe um poder que quer posicionar-se a favor de tudo o que é bom e um poder
de oposição, que quer opor-se a tudo o que é bom. O Apóstolo São Paulo diz em
uma das suas epistolas que “...faço o mal que não quero e deixo de fazer o bem
que quero...”. Esta frase ilustra bem o que estou tentando dizer sobre o
conflito interno que impera dentro deste vasto campo de guerra que cada um é.
Uma guerra
permanente em que o combate não para nunca.
Não há descanso.
Não há folga.
Não há férias.
Um dos lado, para
vencer, necessita de conhecimento da situação.
Não basta só
conhecer o inimigo, suas políticas e estratégias.
É necessário
partir para a fase do planejamento estratégico e, mais ainda, adquirir o hábito
do treinamento que nos mantém sempre em forma.
Entra no contexto,
a convocação do esforço.
Para esforçar-se
há que se fazer parceria com o esquadrão da motivação.
A motivação nasce
quando descobrimos os pontos fracos do inimigo, quando ganhamos algumas
pequenas batalhas e quando percebemos a força que temos em nós mesmos e que
está sempre disponível, bastando apenas acionar as motivações, os argumentos e
o resultado que virá como consequência.
Conhecer o nosso
potencial e confiar nele é o que faz a diferença.
Ninguém, fora de
nós, parente ou amigo, ou até mesmo inimigo, tem o poder de destruir-nos, a não
ser que nós mesmos aceitemos esta condição e concordemos com tal violência e
nos entreguemos covardemente, sem lutar.
A autodestruição é
permitida por nós mesmos.
Se não estivermos
atentos, nós mesmo nos derrotamos ou permitimos nossa própria derrota.
Nós mesmos é que cedemos à moleza, à
passividade, ao comodismo, à desistência, à raiva, ao fumo, às drogas, às
imaginações que provocam medo e falência das nossas capacidades.
Nós sabemos o que nos faz mal, mas mesmo assim cedemos às ilusões.
A afirmação da
nossa personalidade está em vencer as pequenas batalhas que acontecem dentro de
nós mesmos e conosco mesmos.
Quando vencemos
uma batalha, adquirimos força para vencer outras.
De tão pessimistas
e negativistas que somos, quando perdemos uma batalha, achamos que perdemos
tudo.
A guerra é feita
de várias batalhas.
A guerra é feita
de planejamento estratégico e, de luta, de esforços.
Exige muito da
pessoa, que deve se transformar num combatente.
Esta guerra
continua enquanto estivermos vivos e pelejando.
A vida, além de
bela, também é uma guerra, contra si mesmo.
Existem, portanto,
guerras pessoais e guerras sociais.
Em primeiro lugar
devo lutar e vencer meus inimigos internos.
Em seguida, com a
paz adquirida e morando dentro de mim, vejo que não existem mais guerras.
Derrotando meu
egoísmo e a ganância, todos os outros inimigos tornam-se vencíveis, facilmente.
Nunca, nunca a
guerra deve ser contra os outros.
Os outros também
vivenciam esta mesma guerra permanente.
Não sejamos
inimigos dos outros.
Facilitemos este
trabalho, sendo compreensivos e companheiros, solidários e fraternos,
incentivadores da paz.
Lutemos e nos
esforcemos para não ser uma mala para os outros.
Não ser nem
colocar uma barra de gelo nas costas dos outros para que eles carreguem.
Não sejamos
pedaços de raízes de árvores, cheias de pontas, cutucando o lombo dos nossos
amigos.
Não sejamos
pesados, como pedras ou sacos de cimento para os outros carregarem.
Cultivemos,
alimentemos e aperfeiçoemos tudo aquilo que de bom existe em cada um de nós.
Façamos guerra
permanente contra o que dentro de nós existe de ruim.
Há uma boa guerra
dentro do nosso próprio jardim, dentro da nossa própria casa.
Existem elementos
que teimam em diminuir o que de grandioso carregamos e somos.
A guerra é para
levantar o herói que dorme dentro do bicho preguiça.
Nossos inimigos
moram dentro da nossa própria personalidade.
Superar estes
fantasmas que se escondem por debaixo da nossa aparência exige a constante
posição de alerta e preparo para não se deixar vencer.
Disse o filósofo
Nietzsche*: Tudo quanto não conseguiu derrotar-me, fortaleceu-me. Friedrich Wilhelm Nietzsche, nasceu na
Alemanha em 15 de outubro de 1844 e faleceu no dia 25 de agosto de 1900. Foi
considerado um dos grandes filósofos da Alemanha.
Não é para nós
mesmo que vencemos as batalhas.
Não é para nós
mesmos que nos tornamos heróis ou heroínas.
É para os outros
que, vencendo-nos, nos tornamos mais humano, mais pacíficos, carinhosos e
prestativos.
Mais da paz.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 09/02/2016

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