quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

282.- Projeto ... Sou um projeto inacabado. Sou um projeto humano e divino.


Convém construir bem a base humana

para que a perfeição divina caiba nele.

 

Acredito que cada um de nós

já teve momentos de reflexão,

com seus botões,

sobre o ser que é,

a vida que tem

e que está contente

ou descontente

consigo mesmo.

 

Não é por acaso

que estamos aqui,

vivos, na vida.

 

Fomos chamados à existência.

E aqui estamos.

 

Não pedimos para nascer,

mas, recebemos gratuitamente

este extraordinário presente,

a vida pensante, consciente.

 

Quem nos fez,

deve ter pensado num projeto.

 

Deve ter pensado assim:

- vou construir uma criatura,

várias criaturas,

- e vou lhes dar todas as faculdades e capacidades

para ela crescer, aprender,

conhecer-se, conhecer o mundo,

perguntar, achar respostas,

e finalizar a obra que comecei.

 

Eu (O Criador) começo a obra,

criando e dando-lhe todas as ferramentas

que vai precisar durante a vida,

e ela (eu, você) que termine o que comecei.

 

E aqui estamos nós.

 

Projetos inacabados, místicos,

meio humano, meio divino.

 

Sou, somos um projeto,

projetados para outro mundo.

 

Estamos no mundo

mas não somos deste mundo.

 

Quem vai finalizar este projeto?

 

E como?

 

Não podemos

passar a responsabilidade

para outros.

 

Não é uma atitude madura.

 

Sou eu quem decido

o que fazer de mim.

 

É você quem é o responsável

pelo projeto que foi iniciado

e que cabe a cada um finalizar,

afinal, você tem, você recebeu

todas as ferramentas.

 

Finalizar a obra,

conhecer-se, pesquisar,

aperfeiçoar-se, evoluir,  

são as condições que foram colocadas

sob a responsabilidade de cada criatura.

 

Se você pensar um pouco,

parar, avaliar a história,

vai perceber que eu,

você, todos nós,

individual ou coletivamente,

somos um projeto divino.

 

Começa aqui,

mas não finaliza aqui.

 

Se eu (nós, cada um) somos humanos,

mas fomos criados por um Deus-Pai divino,

a quem cabe a responsabilidade de finalizar,

dar direção, dar acabamento a este projeto

humano e divino, simultaneamente?

 

Até onde chegamos

dentro deste ponto de vista?

 

Hoje, mais vividos, experimentados,

frequentando as escolas, faculdades

e dificuldades da vida,

cada um já se conhece,

já respondeu ou encontrou

muitas respostas para uma multidão

de perguntas.

 

Tenho certeza

de que você vai dizer:

“eu sei o que sou,

mas não tanto quanto

o que ainda posso ser”.

 

Se o futuro olhar para trás,

e de lá olhar para cada um de nós,

o que ele vê?

 

- Uma promessa?

- Um ponto de interrogação?

- Uma dúvida?

- Uma obra de arte esperando retoques?

- Ou um projeto não finalizado?

 

Quem levará até o final

o projeto que sou?

 

Não sou um projeto solitário,

e egoísta. Estamos todos

com uma mesma missão.

 

Não vou sozinho.

Não estou só.

 

Não me finalizo,

só com minhas mãos.

 

A nós convém pedir ajuda

uns aos outros, como irmãos.

 

Todos, todos fazemos parte

de um imenso contexto

de uma cadeia-alimentar.

 

Minha obra, minha missão

está envolvida com a sua.

 

Só consigo dar continuidade

no meu projeto se ele estiver

envolvido com o seu.

 

Sou feito por aqueles

que convivem comigo.

 

Sou feitor e benfeitor.

 

Sou o tijolo e sou a massa

que janta os tijolos. 

 

Sou o que sei e aprendi.

 

Sou

o que aprendo

e entendo.

 

Sou 

o que não me contaram

ou que esconderam de mim.

 

Sou o que me falta

e sou o que me sobra.  

 

Sou

a estrada

na qual caminho.

 

Sou a luz,

e as vezes caminho

nas trevas.

 

Sou

a pequenez e a grandeza

que há no mundo.

 

Sou promessa.

 

Sou ilusão e decepção.

 

Ajudo e decepciono.

 

Sou metade do que posso ser.

 

Não estou feito.

Estou ainda,

cheio de defeitos.

 

- Quem terminará

essa obra inacabada?

 

- Quem me ajudará

finalizar-me?

 

- Sei quem não sou.

 

- Não sei bem

quem ainda posso vir a ser.

 

- Sou terráqueo?

Mas só isso?

 

- E o espaço

acima da minha cabeça,

para quem será?

 

- Sou relativo, visível.

 

Muita gente me trouxe até aqui.

 

Meus pais me criaram

e foram embora.

 

Me deixaram,

como um projeto inacabado.

 

Não quero ser descartado,

nem tampouco,

desperdiçado.

 

O que sou me diz

que não sou lixo,

resto de uma multidão.

 

Tenho valor, tenha dignidade,

tenho um projeto a finalizar.

 

Onde está a essência

de quem sou?

 

Qual é a minha verdadeira natureza?

 

Só humana?

 

Não, não pode ser só isso.

 

Na natureza humana

existem fronteiras,

limites, morte, s

túmulos fechados.

 

Meu espírito tem sede.

 

Tenho ainda expectativas não satisfeitas.

Perguntas, ainda sem respostas.

 

Agita-se dentro de mim

a alma que sou,

e que não cabe

dentro de mim.

 

Não me acostumo com limites,

nem com conceitos

que já se transformaram

em preconceitos.

 

Não é para baixo,

para a terra,

que devo olhar.

 

É para ver

quem serei.

 

É em cima

que estão as aberturas

que me levarão a ser mais livre.

 

Quem fui, fui.

 

Quem sou

escolhe quem serei.

 

Quero viver mais lá,

na ponta,

na beira

da possibilidade

do que posso ser.

 

Se eu não conseguir ser

o ideal projetado,

não quero ser coisa alguma.

 

Mas qual ideal

foi projetado?

 

Onde encontro

a planta do meu projeto?

 

Quem foi o engenheiro?

 

O que sustenta

quem sou

é o que quero ser.

 

Quando decido ser

o que sou capaz de ser

a paz aparece

e me fortalece,

dizendo: siga.

 

Siga procurando as pessoas,

que se fazem as mesmas perguntas

e desejam encontrar respostas

comuns a todos nós.

 

Afinal, somos projetos inacabados.

 

E a finalização do projeto,

é minha, e cabe a mim,

cabe a cada um de nós,

encontrar o Engenheiro,

o Arquiteto,

envolver-se

e conversar com Ele,

pedindo ajuda e,

ajudando-nos uns aos outros.

 

Somos imagem e semelhança

do filho do Deus Criador.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 11/02/2016.

Publicado no Blog em 11/06/2016

Atualizado em 09/06/2024.

Publicado no FACE em 09/06/2024.

eneaspb@gmail.com 

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